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Nas duas primeiras noites, equipes das produções e plateia protestam

Nas telas, disputa de terras e relatos sobre assédio

Carlos Moura/CB/D.A Press


Sem o frisson da abertura e com público menor, a segunda noite do Festival de Brasília, na quarta-feira, manteve o tom político que promete permanecer até o encerramento. A abertura da mostra competitiva, precedida por dois filmes hors-concours, que trouxeram à baila a discussão de gênero, apresentou os curtas Ótimo amarelo e Quando os dias eram eternos antes do longa Rifle.

Na apresentação dos longas, as equipes dos três filmes e parte da plateia aproveitaram o momento para protestar contra o governo. Primeiro diretor da mostra competitiva a subir ao palco do Cine Brasília, Marcus Curvelo, de Ótimo amarelo, puxou o grito de “Fora Temer”. Diretor de Quando os dias eram eternos, Marcus Vinicius Vasconcelos reforçou o manifesto. O cineasta aproveitou para ressaltar que, apesar de criado em São Paulo, era brasiliense.

Os protestos contra Temer encontraram, no entanto, resistência de parte da plateia. Uma discussão entre favoráveis e contrários ao pedido de saída do presidente chegou a atrapalhar o início da projeção do segundo curta-metragem.

Depois de os dois curtas serem projetados, o diretor Davi Pretto apresentou o primeiro longa da mostra competitiva, Rifle. A equipe do longa usava camisetas que estampavam “Cinema contra o golpe”.

Em Rifle, Pretto apresenta a história ficcional de uma família que luta para manter uma pequena propriedade e discute a divisão de terras no Rio Grande Sul. Após a exibição do longa, o diretor falou ao Correio sobre a sessão. “A projeção foi ótima. As pessoas reagiram bem, em partes diferentes: riram nos momentos esperados e absorveram em silêncio nas partes mais tensas. Quem veio falar comigo, depois da sessão, mostrou-se impactado”, disse.

Pretto falou também sobre a participação na trilha sonora do filme. Músico desde os 15 anos, o diretor integra a banda de jazz e rock alternativo Trompa. Com a banda, eles fizeram, de improviso, um trecho da trilha, utilizando uma cerca para produzir os sons.

A noite mineira
Para hoje, quatro filmes integram a mostra competitiva. Com três produções mineiras e uma cearense, haverá sessões às 19h e às 21h. Diretora de A cidade onde envelheço, Marília Rocha comentou a importância da seleção de filmes mineiros para o Festival de Brasília. “Espero que esse reconhecimento no mais tradicional festival brasileiro, num momento de profunda incerteza do cinema mineiro, seja também uma forma de provocar a reflexão sobre a importância do incentivo do governo do estado no cinema independente daqui”, disse. Hoje, às 19h, o curta Solon e o longa Último trago serão apresentados. Depois, às 21h, serão exibidos Constelações e A cidade onde envelheço.



Para além da tela
Presente nos dois primeiros dias do festival, o diretor brasiliense Marcus Ligocki Jr. elogiou a escolha dos longas para esta edição e ressaltou a importância da programação de debates e seminários. “Estive em um seminário sobre o desenvolvimento do mercado audiovisual’”, exemplifica. “Vamos discutir política cinematográfica, linguagem e mercado, serão vários eventos falando disso.”

Colaboraram Mariana Peixoto e Ricardo Daehn

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