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'Um cinema que traça 50% da população não pode ser deixado de lado', diz Viviane Ferreira

A diretora do curta 'O dia de Jerusa' estará no Festival de Brasília para participar de mesa de debate

postado em 24/09/2016 07:30 / atualizado em 23/09/2016 18:00

Adriana Izel

O cinema negro será tema de debate deste sábado (24/9) do Encontro Produção Audiovisual, identidade e diversidade, a partir das 14h30, no Kubitschek Plaza Hotel, no Setor Hoteleiro Norte. Cinco cineastas envolvidos com o tema estarão na mesa 1 para debater a nova geração do cinema negro, além de falar sobre oportunidades e desafios para a produção e distribuição de audiovisual feito por realizadores afrobrasileiros sob mediação do cineasta Jeferson De. Entre eles, está a diretora e uma das idealizadores da Odum Produções, Viviane Ferreira, que trabalhou recentemente no curta-metragam O dia de Jerusa e está em fase de produção de uma continuação, o longa Um dia com Jerusa.

Como surgiu o convite para participar do debate no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro?
O convite veio da Fundação Ford, que tem apresentado interesse em dialogar com o cinema negro e entender o funcionamento desse seguimento audiovisual no Brasil.

Para você, qual é a importância de discutir esse tema dentro do festival?
Discutir cinema negro no Festival de Brasília, em todos os grandes festivais, é importante porque é preciso que os agentes promotores desses espaços compreendam a importância de dialogar e construir possibilidades com o cinema negro. Um cinema que traça uma veia identitária com mais de 50% da população de um país não pode ser alijado dos espaços de distribuição e circulação de conteúdos audiovisuais.

Em sua opinião, quais são os desafios que ainda existem para o cinema negro?
Penso que o cinema negro tem imposto desafios para indústria audiovisual brasileira desde 1970, marco de início do cinema negro no Brasil com as produções de Zozimo Bulbul. O cinema negro tem engrossado as fileiras de seu exército e assumido a guerra por uma construção narrativa que referende as subjetividades e existência negras no Brasil. Impondo um desafio absurdo à uma estrutura de políticas e tendências do audiovisual que historicamente privilegiou uma produção brancocentrica. O setor audiovisual brasileiro tem o desafio de compreender, e aceitar ainda que sinta a dor a dissolução de privilégios, que a população negra tem direito à acessar as políticas do audiovisual e não abrirá mão dele.

Como você vê essa nova geração de cinema negro?

Sinto orgulho em olhar para os dedos das mãos, somados aos dedos dos pés, e me faltar dedos para atribuir a quantidade de cineastas negros que essa geração revelou: Viviane Ferreira, Juliana Vicente, Joyce Prado, Larissa Fulana de Tal, Issis Valenzuela, Renata Martins, Yasmin Thainá, Juliana Lima, Thamires Vieira, Everlane Moraes, David Aynan, Renato Candido, Beatriz Vieira, Mariana Campos, Sabrina Fidalgo, Vavá Novais, Luciano Vidigal, Evellyn Sacramento, Edson Ferreira, Julia Travia... Acabaram-se os dedos e ainda há soldadas e soldados do cinema negro à serem citadas/os. O orgulho que essa geração me dar é que estamos dispostos e comprometidos em disputar a narrativa audiovisual do nosso país em uma perspectiva racial, cada um com sua estética, sem nos propagarmos como uma massa homogenia e indistinta, somos muitos e diversos assim como nossas subjetividades.

O trabalho da Odun Filmes é voltado ao cinema negro. O que vocês levam em consideração na hora de produzir filmes e clipes? Qual mensagem querem passar?
A Odun nasce com propósito de trabalhar com bens culturais com recorte de gênero e raça. Nossa missão é propagar a democratização dos bens culturais nessa direção. Em todos os nossos processos produtivos consideramos a dimensão da formação e estabelecimento de uma dinâmica de trabalho que apreenda a diversidade racial que existe em nossa sociedade.



Qual foi a importância de O dia de Jerusa para a sua carreira?
O dia de Jerusa é um filme importante porque sendo ele composto por um elenco totalmente negro, contando uma história genuinamente negra, dialoga e emociona os negros e não negros. É uma expressão concreta de que é possível construir narrativas audiovisuais com densidade, complexidade diversidade de posição para os personagens negros.

Você está trabalhando em alguma nova produção?
Sim, há um estoque de histórias negras à ser compartilhado com o mundo. A Odun nesse momento se dedica a captação de recursos para o longa-metragem Um dia com Jerusa, desdobramento do curta O dia de Jerusa. E uma série de tevê.

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