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Sérgio Fidalgo, organizador do Festival, fala sobre a expectativa da próxima edição

'As manifestações ocorrem porque o festival sempre foi palco de protestos por várias causas diferentes', afirma

Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press

À frente da organização do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o ator e psicólogo carioca Sérgio Fidalgo, sem desmerecer outros eventos que ocorrem Brasil afora, arrisca uma projeção: “O Festival de Brasília é um dos mais consistentes e representativos da produção nacional”. O orçamento da 49º edição é menos apertado que o da última, mas o organizador pondera que o investimento nunca é suficiente para que não haja nenhum sufoco. “A gente adequa cada edição ao recurso existente, e os cortes acontecem realmente na nossa equipe de produção”, conta ele, morador da capital federal desde 1989. Sem medo de que a programação seja deixada de lado com alterações nas políticas culturais brasileiras a partir do governo Michel Temer, Fidalgo chama a atenção para a importância da mostra de cinema local e faz planos para a edição de 2017, quando o evento completa 50 anos.


Qual a importância da Mostra Brasília para o festival?
Ela foi criada para dar visibilidade e escoamento à produção do Distrito Federal. Quando o FAC (Fundo de Apoio à Cultura) foi instituído, as produções começaram a aumentar. No início, todos os filmes que se inscreviam para a mostra estavam automaticamente selecionados. O número não era ainda muito significativo. Com o passar dos anos e o aumento da produção, foi preciso criar uma seleção. Nos últimos quatro ou cinco anos, a quantidade de inscrições foi imensa, e tivemos que levar as sessões para o Museu Nacional, o que gerou certa insatisfação em cineastas e no público, mas não tinha outra solução. Hoje, temos uma mostra bastante enxuta, mas com filmes mais significativos. Reunimos o melhor da produção do ano.

Em 2016, foi possível manter todas as sessões da Mostra Brasília no Cine Brasília. Qual o porquê dessa decisão?
Na verdade, acredito que, se a gente cria vários espaços alternativos, acaba dispersando o festival. Logicamente, às vezes, é preciso levar uma parte a outros lugares, como o Festivalzinho no Museu; se não fosse assim, não haveria espaço para os testes dos filmes da noite. Usamos também o Liberty Mall como opção para a reprise. Mas, para nós, quanto mais concentrado no Cine Brasília, melhor, até por questões de logística. É uma tendência para as próximas edições.

Os recursos deste ano foram suficientes para o festival?

Nunca são. No ano passado, no início do novo Governo de Brasília, com problemas financeiros, fizemos uma edição enxuta, principalmente com relação à equipe. A gente adequa cada edição aos recursos existentes a partir do governo e de patrocinadores. Temos que custear hospedagem, alimentação... Conseguimos ter uma melhora em relação ao ano passado e pudemos trabalhar com um pouco mais de tranquilidade.

Na sua visão, como o festival se posiciona no contexto nacional?
Passei por todas as posições da organização do festival e venho tendo a possibilidade de participar de outros importantes eventos nacionais. Nós somos parceiros: todo festival tem o mesmo objetivo de difundir o cinema brasileiro. Mas tenho uma paixão por esse de Brasília, por ter se mantido também com produções brasileiras e prestigiar muito a área formativa, com debates e discussões. O nosso é um dos mais consistentes e representativos da produção nacional.

O festival tem sido palco de constantes manifestações. O novo governo federal e as mudanças nas políticas culturais preocupam a organização?
Acredito que não. As manifestações ocorrem porque o festival sempre foi palco de protestos por várias causas diferentes. Isso não nos assusta: a manifestação é legítima, o festival é democrático. Com o novo governo, eu também não me assusto. Até agora não tive motivos para isso. As pessoas que entraram vêm com uma trajetória de experiências na área cultural. Espero que isso não prejudique nada, principalmente o nosso festival que, em 2017, terá uma bonita 50ª edição.

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