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Seminários são outro ponto alto do Festival de Cinema

Kleber Mendonça, realizador do premiado Aquarius, fala sobre direção cinematográfica em seminário concorrido

postado em 27/09/2016 07:32

Diego Ponce de Leon /-

Diego Ponce de Leon/CB/D.A Press
 

 

Mesmo sem qualquer filme nesta edição do Festival de Cinema, há quem diga, sem hesitar, que Kleber Mendonça seja o grande nome do evento. O diretor pernambucano, responsável pelos premiados O som ao redor e Aquarius, fez uma concorrida palestra ontem sobre direção cinematográfica. O auditório, com lotação de 200 pessoas, ficou tomado por jovens, cineastas, estudantes e críticos de cinema que disputaram espaço para acompanhar a fala do diretor.

Todo o burburinho não se deve exclusivamente à trajetória cinematográfica de Aquarius, filme premiado por aqui e no exterior, com relevante retorno de público e crítica. Talvez, até mais, por conta da trajetória política que o longa protagonizou desde que o elenco, encabeçado por Sônia Braga, surpreendeu o Festival de Cannes com um protesto contra o governo de Temer.

Pois era justamente um tom político que se esperava, à primeira vista, de Kleber Mendonça durante a palestra ministrada no hotel Kubitscheck Plaza. Mas ele manteve o script e focou primordialmente no tema sugerido: direção cinematográfica. Por meio de trechos do filme e do roteiro, falou amplamente sobre planos, cenas, trilha sonora e demais elementos de composição.

 



A abordagem não decepcionou o público, que ofereceu perguntas sobre o trabalho e manteve o debate dentro da esfera do cinema. Nem por isso, o cineasta deixou de tocar em questões de ordem social. Ele próprio iniciou o discurso falando sobre as escolhas de sexo de Aquarius e sobre a representatividade da sexualidade na fita, evocando a discussão da classificação etária do longa, que acabou reduzida de 18 para 16 anos. “Sexo incrivelmente ainda é um tabu, em pleno 2016”, comentou.

O único momento que sugeriu maior embate ocorreu quando Kleber foi questionado sobre a falta de atores negros no filme, além da acusação de que estivesse oferecendo um filme branco, que repete estereótipos que reforçam uma representação negativa dos negros. Ao que ele respondeu, em tom cordial: “Respeito completamente essa posição, mas talvez seja importante dizer que nenhum filme meu vai  consertar o Brasil. Aquarius representa honestamente esse panorama social e histórico do país, e acho que seja esse o papel da obra: da representação fidedigna”. Indagado se o filme sofreu retaliação ao não ser indicado para o Oscar, o diretor disse que sim.

Embora tenha se tornado um símbolo de resistência para aqueles contrários ao impeachment da presidente Dilma, Kleber Mendonça preferiu falar sobre aquilo que o faz frequentar o Festival de Brasília desde 1997: cinema. E não frustrou a plateia. Decepção maior talvez tenha sido descobrir que o pernambucano não poderia ficar para a última noite da mostra competitiva. O diretor correu para o aeroporto no fim de tarde, sem passar pelo local que o consagrou algumas vezes. Desta vez, o Cine Brasília não viu Kleber Mendonça.

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