Refletir a realidade nacional sempre foi o compromisso do Festival

O evento chega à 50ª edição a partir de 15 de setembro

postado em 15/09/2017 06:00

Correio Braziliense

Beto Rocha/CB/D.A Press

Criado em meio à implantação do curso de cinema da Universidade de Brasília e o resplandecente Cinema Novo, o mais tradicional festival de cinema do país é escolado na reinvenção.

Chega à 50ª edição, em pleno vigor criativo: quatro anos depois da reforma que reabilitou o brilho do Cine Brasília (templo de um cinema moderno com linguagem contemporânea). O evento, que partiu de orçamento de R$ 2,5 milhões, com a injeção de recursos privados, deverá projetar uma festa de R$ 3,8 milhões, ao longo de 10 dias. “Acredito numa edição especial, a 50ª edição do evento, muito bonita e potente em termos cinematográficos”, avaliza o secretário de Cultura do DF, Guilherme Reis.

Ele destaca a vultosa quantidade de filmes inscritos, vindos de todas as partes do Brasil. “A seleção plural dos longas tem relação com as políticas do audiovisual de descentralização e de regionalização”, observa o secretário.

O leque de temas abordados na lista dos longas, que vai de contundência política ao embate simbólico entre homens e mulheres, passando por questões escravagistas e de pluralidade sexual (sem contar representações do operariado e hibridismo entre ficção e documentário), antecipa o desenho de um festival de forte militância estética. Pujante!

Refletir a realidade nacional sempre foi compromisso do evento, que nunca renegou o pacto com os marginalizados e excluídos e, nos anos da ditadura, fez valer o poder das alegorias. Renovado (especialmente, há 20 anos) e duradouro, o festival tem em seu DNA a história do Correio Braziliense, presente desde a primeira edição. Trajetória que se confunde também com as de diretores como Eduardo Coutinho, Murilo Salles, Ruy Guerra, José Eduardo Belmonte, Zelito Viana, Arnaldo Jabor, Joaquim Pedro de Andrade e Vladimir Carvalho, entre tantos outros. Não se pode esquecer de atrizes e atores que marcaram o tapete vermelho do Cine Brasília, como Wilson Grey, Grande Otelo, Othon Bastos, Leila Diniz, Dina Sfat, Rodrigo Santoro, Lima Duarte, Maeve Jinkings, Matheus Nachtergaele e Marcélia Cartaxo. Nesta 50ª edição, a cobertura do Correio terá interatividade ainda maior com os leitores, por meio do hotsite do festival e demais plataformas digitais (entrevistas ao vivo, reações do público, etc). No impresso, também acompanharemos diariamente o evento mais tradicional do cinema brasileiro.

“Num momento tão agudo de crise, o governo local garantiu a continuidade, e mais, um crescimento nas condições do Fundo de Apoio à Cultura (FAC). Com isso, temos o maior edital do setor audiovisual no país. A produção brasiliense em cinema está cada vez maior e mais diversificada”, destaca Guilherme Reis.

Este ano, a edição promete surpresas de políticas integradas relacionadas à sétima arte. Novidades em curso que dizem respeito até ao Polo de Cinema e Vídeo do DF. O Festival também é debate, é polêmica e, às vezes, consenso. Evoé, jovens cineastas! Viva o cinema brasileiro!

Últimas Notícias

Últimas Notícias Veja Mais

* * *