Temas sociais marcam 1ª noite da mostra competitiva do Festival de Brasília

O público vibrou com temas que incluíram escravidão, luta por moradia, questão de gênero e sexualidade

postado em 16/09/2017 23:17 / atualizado em 17/09/2017 12:31

Isabella de Andrade - Especial para o Correio , Alice Corrêa* , Ronayre Nunes*

Divulgação

 

A primeira noite da mostra competitiva do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro levou para o Cine Brasília temas de forte apelo social, como a questão de gênero, a vivência trans na sociedade e a luta por moradia em comunidades mais pobres. Além de abordar, com Vazante, de Daniela Thomas, o tema da escravidão no país, que até hoje deixa fortes marcas na sociedade brasileira.

 

Um dos destaques foi a rapper Clara Lima, que protagonizou o curta-metragem Nada, de Gabriel Martins. A obra do mineiro foi muito aplaudida pelo público, que reconheceu o trabalho da rapper e atriz. O filme é baseado na vida da própria cantora, que gravou recentemente seu primeiro disco e conquista visibilidade na cena musical.

 

Julia Lemmertz também marcou presença com o filme Música para quando as luzes se apagam, de Ismael Caneppele, que mistura a linguagem de documentário com encenações para mostrar o processo de transição de um homem transexual. O diretor destacou a estrutura do festival, que surpreendeu por sua organização. Além disso, Caneppele lembrou a importância de trabalhar temas pertinentes para a sociedade atual. "Eu gosto de criar pessoas interessantes, que falam de temas interessantes. Sexualidade, suicídio, gênero, É muito pertinente poder falar desses temas no cinema", destaca.


A transexualidade também é retratada em Estamos todos aqui, de Rafael Mellim e Chico Santos. O filme apresenta a rapper, atriz, youtuber e militante trans Rosa Luz, estudante de artes visuais na Universidade de Brasília e moradora no Gama. Sua performance na tela levantou a plateia do Cine Brasília. 

 

 

Mateus Nachtergaele 

 

No Museu Nacional da República, o destaque foi para Mateus Nachtergaele. O ator repercutiu o discurso politizado que empreendeu nesta sexta-feira (15\9), na noite de abertura. "O que acontece é que existe uma tentativa difícil de entender, que é o boicote à liberdade artística que a gente conquistou. Tem um impulso de censura contra a arte brasileira muito perigosa", argumentou.

No fim da noite, Paloma Rocha, filha de Glauber Rocha e Helena Ignez, compareceu ao festival e elogiou o trabalho que sua filha, Sara, tem feito na coordenação desta edição. "Estou muito contente, porque esse festival é emblemático e histórico. Atualmente, tenho ampliado as atividades paralelas nas cidades do entorno. Depois de 20 anos acompanhando de perto o festival, fico feliz com a abertura ao mercado internacional em uma proposta da produção local", destaca.

 

Paloma aguarda ansiosamente a exibição do filme de Helena Ignez, A garota do calendário. A cineasta e atriz lembra que os filmes de sua mães são originais, divertidos e críticos. Além disso, o filme tem roteiro de Rogério Sganzerla.

 

*Estagiários sob supervisão de Igor Silveira

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