Crítica: Com atuações convincentes, 'Pendular' trata de um pacto amoroso

Entre movimentos hesitantes e impasses, um casal vê uma crise afetar as próprias criações, numa atualização de embates vistos em filmes como 'Um copo de cólera (1999) e 'Eu sei que vou te amar' (1986)

postado em 19/09/2017 07:00

Ricardo Daehn

Crédito: Eduardo Amayo/Vitrine Filmes.

“(Doar mais espaço) não vai te fazer falta, vai?” talvez seja o questionamento mais expressivo, feito pelo protagonista do longa-metragem Pendular, numa pergunta que não quer calar, ao longo de toda a narrativa. O filme dirigido por Julia Murat trata do pacto amoroso (e dos desapegos necessários), na relação entre duas almas muito sensíveis que habitam um casal de artistas pronto para morar junto, num galpão abandonado.

Raquel Karro e Rodrigo Bolzan, os atores em cena, são mais do que convincentes; envolvem o espectador. Instável, ele é um escultor que revê as bases de sua obra; enquanto ela, bailarina, refugia-se na cumplicidade de coreografias feitas ao lado de um colega dançarino. Cinismo, mordacidade, tensão, sensualidade e nervos aflorados comandam a dança dos hormônios e das frustrações de ambos artistas.

Entre movimentos hesitantes e impasses, o casal vê uma crise afetar as próprias criações, numa atualização de embates vistos em filmes como Um copo de cólera (1999) e Eu sei que vou te amar (1986). Os passos mais definitivos, na construção de envolvimento mais sadio, se darão justamente quando cada qual se afirme na sua arte. Isso, até a próxima inquietação que permeia tanta intimidade. 
 
Cotação: Muito bom 

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