Diversidade toma conta da plateia

O público brasiliense comparece diariamente às mostras, oficinas e debates, lotando a sala que abriga as projeções do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

Ronayre Nunes/CB/Divulgação/D.A Press


Além das grandes estrelas do cinema nacional, os maiores filmes e os prêmios, quem se destaca mesmo no festival são os espectadores. Toda a estrutura não significaria nada sem os personagens tão importantes no 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Quem frequenta o espaço quer aproveitar todas as suas possibilidades e o público tem sido diverso em idade, gênero, estilo e expectativas. Entre os principais desejos está a vontade de conhecer melhor o cinema nacional e ter contato com obras diferentes daquelas que transitam entre o circuito mais comercial. A mostra nas cidades-satélites é outro diferencial constantemente apontado na edição.

Gabriel Pimentel, 19 (foto), estudante da Universidade de Brasília, destaca que a estrutura está maior neste ano. Para o estudante, a descentralização das mostras e oficinas é um dos legados mais importantes do festival, possibilitando que um público mais amplo possa participar.

No entanto, os atrasos, principalmente nas mostras que acontecem no período diurno, desagradam o espectador. “O filme que eu mais quero ver no festival é Habilitado para morrer, uma produção estudantil da qual participei, tanto na captação e quanto na edição de som. Espero acompanhar de perto o festival universitário, que é muito importante para os cineastas jovens. Eu gosto de vir sem saber a programação, só entrar e ter a surpresa de descobrir o filme e o tema”, comenta.

A diversidade na programação e a possibilidade de abordar temas de forte apelo social e político também chamam a atenção do público. A pedagoga Marcella Di Santo (34) lembra da edição que aconteceu no Teatro Nacional, com localização mais próxima à Rodoviária: “Achei o espaço mais democrático e mais acessível por essa proximidade com a rodoviária. Mas agora temos as mostras nas cidades-satélites, é indispensável que tenha em todas as edições”, afirma.

Renata Rocha (36) é professora e saiu do Jardim Botânico, direto de outro compromisso, para a entrada no considerado templo do Cine Brasília. Ela se surpreendeu com o tamanho da estrutura. “Estou achando tudo lindo, e os filmes são sempre diferentes! São as grandes marcas do festival”, diz. Enquanto isso, parte do público opta pela maratona cinematográfica e se prepara para ir todas as noites ao evento. Muitos espectadores descobrem, na hora, o filme que vai ser exibido na telona e são surpreendidos por trabalhos profissionais e com forte apelo emocional.

*Estagiários sob a supervisão de Severino Francisco


Povo fala

Ronayre Nunes/CB/Divulgação/D.A Press

Crédito: Ronayre Nunes
“Sou apaixonada pelo festival, ele nasceu com a cidade e uma vanguarda que é a essência da capital. É seguro dizer que o festival mudou minha vida”
Patricia Herzog (azul), 40, empresária

Ronayre Nunes/CB/Divulgação/D.A Press
Crédito: Ronayre Nunes
“Até agora só vi um filme, mas pretendo voltar. Devia ter eventos assim o ano todo, o espaço vazio não adianta de nada”.
Mônica Nogueira, 50, analista de sistemas

Ronayre Nunes/CB/D.A Press
Crédito: Ronayre Nunes
“A primeira vez eu vim foi tudo muito rapidinho. Tenho interesse na mostra competitiva. Minhas expectativas são as melhores possíveis. Quero ver muitos filmes e aproveitar bastante”
Marcos Welker, 40, bancário

Ronayre Nunes/CB/Divulgação/D.A Press
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“Vim mais pelas amigas, sabe? Não procuramos um filme específico; veremos quantos forem possíveis. Eu estou gostando de tudo até agora. Está tudo bacana. Pretendo voltar, sim, e provavelmente assistir ao filme vencedor”
Elaine Silva, 28, analista administrativa

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“A gente perdeu a chance de vir no ano passado e agora está conhecendo. É pertinho da minha casa, então fica ótimo”
Felipe Lima, 27, estudante

Ed Alves/CB/D.A Press
Crédito: Ed Alves
“É uma iniciativa muito importante. Viemos assistir a Vazante porque o tema é da escravidão, e me interessa muito. É triste e atual, e é importante conhecer mais sobre o assunto”
Paulo Clemente, 40 anos, sociólogo

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