Voluntários da Pastoral da Criança estão de luto em Santa Maria, no Distrito Federal

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 16/01/2010 10:33 / atualizado em 20/01/2010 18:36

Tristeza entre os voluntários que atuam na Pastoral da Criança, instituição fundada pela médica e sanitarista Zilda Arns, morta no terremoto que destruiu grande parte da capital do Haiti, Porto Príncipe. Em uma das unidades de trabalho no Distrito Federal, em Santa Maria, cidade localizada a 26km do Plano Piloto, os voluntários usavam ontem fitas de cor preta no braço direito para simbolizar o luto.

Na região, cerca de 280 crianças são acompanhadas pela Pastoral. Quando chove, boa parte das casas mais afastadas do centro têm o acesso dificultado. Os voluntários têm que passar por grandes poças d’água, buracos e muita lama. Tudo em nome da solidariedade. “Antes, eu estava deprimida. Aí fui chamada para participar desse projeto e já estou aqui há 12 anos. Minha autoestima mudou. Sou importante para quem ajudo e as crianças também são importantes para mim. É como se fôssemos uma família”, diz a voluntária Maria das Graças.

Janderléia Regina de Sousa, dona de casa, está grávida de quatro meses do sexto filho. Quatro deles são acompanhados por voluntários da Pastoral desde antes de nascerem. As visitas feitas por eles à sua casa levam esperança. O objetivo é conscientizar a família com noções de educação, cidadania e também conferir como está a saúde das crianças. Para isso, utilizam um caderno que possui dados dos pequenos, como o peso, altura e o histórico de problemas de saúde. Para Janderléia, a vida ficou mais fácil com a assistência dos voluntários. “Eles fazem o que podem. Agora, por exemplo, eu estou sem trabalhar e eles que ajudam com as roupas do bebê, com o material escolar.”

Uma vez por mês, comunidade e voluntários se reúnem em um espaço da cidade para o evento chamado “Celebração da Vida”. Nele, medidas das crianças são tiradas para acompanhar seu desenvolvimento, há palestras com profissionais da saúde e um lanche, servido para todos. Informações sobre higiene e recomendações para incrementar a alimentação das crianças também são oferecidas.

Em Santa Maria e em outras 4 mil cidades de todo o país, é possível perceber a importância dos voluntários para a comunidade. No Brasil, são cerca de 300 mil apenas desenvolvendo os trabalhos da Pastoral da Criança. E com isso não apenas o sonho, mas os passos de Zilda Arns são seguidos. É no que acredita Lucimar de Lima Santos, uma das voluntárias: “Ela foi um espelho para nós, e a gente passa isso para as outras famílias. É uma semente que a gente planta e os filhos crescem com aquilo. O trabalho dela (Zilda Arns) não vai morrer”.

Maria Aparecida Correia Aguiar, também voluntária, conta que a Pastoral assumiu um papel de destaque em sua vida. Há 11 anos, quando sua filha nasceu, abaixo do peso ideal, ela precisou da ajuda de voluntários da instituição fundada por Zilda. Hoje, a garota tem uma saúde exemplar e Cida, como prefere ser chamada, atua como uma das líderes da ONG na cidade. “Tenho que passar para os outros o que já me passaram quando precisei. Foi uma perda muito grande, mas isso vai servir como estímulo para todos nós continuarmos com o trabalho”, ressalta Cida.


280
Total de crianças acompanhadas pela Pastoral em Santa Maria

Assista a video reportagem na Pastoral de Santa Maria
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.