Corpos em decomposição no Haiti: problema dramático, mas não ameaça sanitária

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postado em 19/01/2010 15:29

France Presse

Os incontáveis corpos em decomposição no Haiti, depois do terremoto, representam um problema dramático, mas ao contrário do que se imagina, não constituem um risco maior de epidemia, destacam especialistas ouvidos pela AFP.

A falta de água potável e a aglomeração de pessoas são as principais ameaças sanitárias.

Os cadáveres "não apresentam nenhum risco de epidemia porque as mortes foram causadas por traumatismos", afirma Stéphane Malbranque, legista no CHU (Centro hospitalar universitário) de Fort-de-France (Martinica, Antilhas francesas), conectado por SMS no Haiti.

"Mas, devido a seu número, é preciso que sejam enterrados logo, pelo odor desagradável e pela dignidade dessas pessoas mortas, abandonadas na rua", explica.

Num manual de 2004 sobre os corpos abandonados numa situação de catástrofe, a Organização Mundial de Saúde (OMS) qualifica de "mito" a crença segundo a qual os cadavres são fatalmente sinônimo de epidemias.

"Após uma catástrofe natural, os cadáveres não transmitem doenças", indica Brigitte Vasset (Médicos sem Fronteiras). A situação seria diferente, precisa ela, se se tratasse de corpos de pessoas dizimadas por uma epidemia; ainda mais num país no qual o calor e a umidade contribuem para uma decomposição rápida.

"Sim, há o odor e o aspecto, principamente, mas não é o problema mais grave", estima Michel Sapanet, legista no CHU de Poitiers (sudoeste da França).

"É verdade que os líquidos expulsos pelos corpos em decomposição apresentam um certo número de germes que potencialmente podem ser perigosos", acrescenta Michel Sapanet. "São os germes comuns que temos no nosso corpo, essencialmente germes intestinais", precisa ele. "É um problema potencial, mas o mais grave é que as pessoas não têm água.

"O que será fonte de epidemias é o fato de que as pessoas vão beber águas poluídas", destaca Michel Sapanet.

O especialista destaca precauções a serem tomadas antes do enterro dos corpos em covas comuns. "É preciso escolher os locais para evitar os que apresentam riscos de passagem de água, cavar fossas profundas; pôr, eventualmente cal viva para garantir uma ação bactericida e fechá-las"
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