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Busca por sobreviventes está perto do fim

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postado em 22/01/2010 08:35 / atualizado em 22/01/2010 13:49

Renato Alves Enviado Especial Porto Príncipe - Após nove dias de busca por sobreviventes, os trabalhos das equipes de resgate estão prestes a ser encerrados. As prioridades agora são atender os feridos, dar água e comida aos desabrigados e começar os trabalhos de remoção dos corpos e dos escombros da capital do Haiti, arrasada pelo terremoto do último dia 12. Foram os Estados Unidos, responsáveis pela parte logística da operação de socorro, que disseram que a fase da busca por sobreviventes será encerrada "muito em breve", para começar os trabalhos de remoção dos corpos e dos escombros da capital arrasada. As 43 equipes internacionais envolvidas nos resgates, formadas por 1,8 mil socorristas e 161 cães, sabem que, a cada dia, diminuem as chances de encontrar sobreviventes. O que não impede que alguns milagres ocorram. Ontem foram divulgadas imagens de um garoto sendo retirado dos escombros com vida. O gesto do pequeno sobrevivente, que abriu os braços e sorriu ao ser erguido, transformou-se em símbolo da esperança e das pequenas vitórias alcançadas diariamente. Até agora, 121 pessoas foram retiradas com vida dos escombros, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com a entidade, estimativas sobre o número de mortos da tragédia - entre 150 mil e 200 mil - não passam de suposição, e que a quantidade exata de vítimas talvez nunca venha a ser conhecida. As Nações Unidas têm controlado a segurança nas ruas da cidade de 3 milhões de habitantes. "A situação está sob controle na capital e no resto do país, a não ser em alguns casos isolados de saques", assegurou o porta-voz da Missão da ONU para a Estabilização do Haiti (Minustah), Vicenzo Puguese. Os saques realmente são cada vez mais raros, restritos aos prédios destruídos. Um forte indicativo da diminuição da violência está na proliferação das feiras de rua, que substituem o já antes precário comércio informal. Ambulantes vendem todo tipo de frutas e outros itens sem ser ameaçados. Mesmo assim, os sinais de violência ainda são percebidos. Tiros são ouvidos nas favelas mais distantes do centro, mas não há registros de assassinatos em série. Até ontem, sete bandidos haviam sido mortos pela própria população após serem flagrados roubando objetos de vítimas do terremoto. Alguns tiveram os corpos queimados na rua. Organizações como o Comitê Internacional da Cruz Vermelha foram obrigadas a suspender a ajuda humanitária devido ao ambiente tenso que reinava no bairro de Porto Príncipe onde estavam atuando. O problema foi resolvido com o envio de tropas ao local, segundo a ONU. Estima-se que cerca de 3 mil detentos fugiram de cadeias de Porto Príncipe demolidas pelo terremoto. Mas as forças brasileiras - que exercem o comando militar da Minustah com 1.266 componentes - dizem não haver como precisar o número. Até a noite de ontem, as tropas do Brasil haviam prendido duas pessoas em flagrante, quando roubavam haitianos. Elas foram levadas a uma delegacia intacta. Nos últimos seis meses, incluindo a última semana, os militares brasileiros realizaram apenas um tiro acidental, enquanto em 2007 os disparos podiam ser contados aos milhares. Medo Desde o grande tremor da semana passada, o país registra uma média de nove tremores diários. Com isso, já são 90. Somente ontem, até o fim da tarde, houve dois abalos. O primeiro ocorreu às 13h45 (hora local) e atingiu 4.9 na escala Richter. Logo em seguida, às 13h54, veio outro com 4.8 de magnitude. Dessa vez, os epicentros dos terremotos ficaram a mais de 50km de Porto Príncipe, sendo um deles no mar. Não houve novas vítimas. Mais uma vez, porém, a população e as equipes de resgate e ajuda humanitária ficaram assustadas, expostas em meio aos escombros que tomam conta da capital. O medo, no entanto, não é suficiente para interromper os trabalhos de ajuda. As doações começam a chegar a quem precisa com mais eficácia. Em parte, pela maior mobilidade no aeroporto, controlado pelos norte-americanos. Ontem, as tropas dos Estados Unidos, que já reúnem 11 mil homens e mulheres em território haitiano, foram vistas com mais frequência nas ruas de Porto Príncipe. O diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, conclamou a comunidade internacional a lançar "um tipo de plano Marshall" para o Haiti. Já o Banco Mundial cancelou por cinco anos o pagamento da dívida do país, e promessas de doações de mais de US$ 1,2 bilhão de dólares foram reunidas, de acordo com a ONU. Os EUA vão enviar 4 mil soldados suplementares, elevando seu contingente a 15 mil homens. Os norte-americanos transformaram os gramados do Palácio Nacional, em ruínas e cercado de milhares de desabrigados, em heliporto. O Exército americano negou falhas na coordenação das rotações aéreas no aeroporto. Afirmou estar "trabalhando muito" para que a ajuda às vítimas do terremoto chegue nas melhores condições possíveis.
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