Via Campesina quer ajuda de Lula para enviar 550 toneladas de sementes ao Haiti

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postado em 26/01/2010 17:32

Porto Alegre - Pequenos agricultores brasileiros querem ajudar a população rural do Haiti. A Via Campesina e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) entregam nesta terça (26) ao presidente Luiz Inácio Lula um documento cobrando apoio para o envio de 550 toneladas de sementes e equipamentos para arar o campo e construir novas casas.

A lista de pedidos deve ser apresentada durante a visita do presidente ao Fórum Social Mundial (FSM), prevista para o final da tarde, no Ginásio Gigantinho, que fica no centro da capital gaúcha.

A Via Campesina é uma organização internacional que reúne trabalhadores rurais de vários países. Desde janeiro de 2009, mantém uma missão no Haiti para fortalecer o movimento sindical rural naquele país. Cerca de 20 pessoas, sendo quatro brasileiros, compõem a equipe. Eles deixaram o Haiti para as festas de fim de ano, antes do terremoto, e devem voltar no próximo dia 31.

Nessa data, querem levar ajuda técnica do governo brasileiro para construção de lagos, centenas de cisternas, máquinas como retroescavadeiras, caminhões, além de 550 toneladas de sementes de milho, arroz, feijão e sorgo para atender 50 mil famílias haitianas.

“O problema do Haiti não se resolverá com a ocupação militar. O povo precisa de comida e de infraestrutura. Isso é urgente. É uma questão de autonomia”, afirmou o agricultor do MST Carlos Roberto Oliveira, que integra a missão da Via Campesina para o Haiti.

“O Exército brasileiro tem tecnologia de ponta. Tem engenheiros para ajudar na construção de pontes e estradas, como fazem aqui. Podem mais com engenharia do que com soldados”, completou, em referência à missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) chamada Minustah, chefiada pela Brasil.

O movimento campesino também pede na carta ao presidente Lula, apoio do Ministério de Relações Exteriores para formar 100 estudantes haitianos em escolas técnicas agrícolas no Brasil. “Eles devem ficar aqui por um ou dois anos e voltar para ajudar a reestruturar o campo no país deles”, disse Oliveira.

Durante entrevista à imprensa, os representantes campesinos também denunciaram que a missão da ONU tem provocado mais problemas do que ajudado a enfrentar questões humanitárias. Na opinião dos agricultores, os militares precisam repensar seu papel, principalmente os norte-americanos.

“Os aviões do Estados Unidos jogam alimentos em voos rasantes, em cima das pessoas, coisa que não se faz nem com bicho. Não sobra nada para crianças e idosos. É chocante ver as pessoas brigando por comida”, relatou Quintino Severo, da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
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