Mais de 50 tremores sacudiram Porto Príncipe desde o dia 12

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postado em 27/01/2010 09:40 / atualizado em 27/01/2010 09:51

No que está virando uma assustadora rotina, o Haiti voltou a ser abalado, na manhã desta terça-feira (26/01), por dois tremores - um deles, de média intensidade -, 14 dias depois do terremoto de magnitude 7 na escala Richter, que deixou pelo menos 150 mil mortos. A informação é do United States Geological Survey (USGS). O serviço norte-americano detectou um tremor de 4,4 na escala da Magnitude do Momento (Mw), às 6h16 locais (9h16 de Brasília). Moradores de Porto Príncipe sentiram outro tremor uma hora antes, às 5h (8h de Brasília). "Às 5h, levantei e fui à rua. O tremor não foi muito forte, mas fiquei com medo mesmo assim", explicou à agência de notícias AFP Felix Lundi, 63 anos, que dorme no imenso campo de refugiados de Champ de Mars, uma famosa avenida de Porto Príncipe. "Não dá para se acostumar com os tremores. É sempre o mesmo sofrimento, todo mundo fica com medo", comentou Edison Constant, comerciante, que sentiu o tremor das 6h16 em sua casa, no Bairro Delmas. Com os dois tremores de ontem, ultrapassa 50 o número de réplicas que sacudiram Porto Príncipe desde o dia 12. O mais forte, registrado na quarta-feira passada, atingiu uma intensidade de 5,9 na escala Richter, mas aparentemente não deixou novas vítimas. O risco de fortes tremores secundários é elevado até 30 dias depois do terremoto, informou o USGS na quinta-feira passada, avaliando em 25% a probabilidade de que um ou mais tremores secundários de magnitude 6 ocorram durante este período. Qualquer tremor superior a 5 pode provocar sérios danos, alertou o USGS. Saques e amputações No país arrasado, que tem 1 milhão de desabrigados, saqueadores pilharam um shopping center de Porto Príncipe na manhã de ontem. Os ladrões estão mais organizados. Alguns vieram com carretas para transportar portas e outros objetos pesados, enquanto outros trouxeram martelos para derrubar as paredes. A tentativa dos haitianos de retomar um mínimo de normalidade tem esbarrado na dura realidade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou ontem, em Genebra, que "milhares" de haitianos tiveram de ser amputados após sofrer ferimentos graves no terremoto. "Em alguns hospitais, vimos entre 30 e 100 amputações por dia", declarou um porta-voz da OMS, Paul Garwood. A organização não governamental Handicap International, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 1997 pela sua campanha contra as minas antipessoais, afirma que o número de amputações no Haiti "tem poucos precedentes no mundo". Menos de 48 horas depois do terremoto, a entidade enviou, da França, uma tonelada de equipamentos - cadeiras de rodas, próteses, muletas e bengalas. "Estamos construindo uma base de dados e estamos entregando o material necessário para que os ferimentos cicatrizem. Colocamos próteses DynaCast, com uma duração compreendida entre quatro e seis meses", informou a diretora da Seção Norte-Americana da organização, Ewndy Batson. "Levando em conta a devastação das infraestruturas médicas, as intervenções mais técnicas, que poderiam salvar um membro, não podem ser feitas." Garwood, o porta-voz da OMS, declarou também que nenhuma doença transmissível foi declarada no Haiti até agora, mas ressaltou: "Os riscos existem, sobretudo nas áreas densamente povoadas, onde a água e as instalações sanitárias são extremamente raras". Os sobreviventes continuam se queixando de que a ajuda não chega até eles. Na segunda-feira, uma operação de distribuição de alimentos organizada diante do palácio presidencial haitiano degringolou, levando 18 capacetes azuis uruguaios a bater em retirada diante de uma multidão de 4 mil pessoas famintas. Quase 30 mil lonas vão ser distribuídas aos desabrigados nas próximas 48 horas, anunciou a Organização Internacional para as Migrações (OIM), alertando para a necessidade de começar os trabalhos de reconstrução antes da temporada de chuva, em maio.
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