Sobrevivente do terremoto relata como conseguiu se salvar

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postado em 27/01/2010 20:44

Enviada especial da Força Aérea Brasileira (FAB), relata a história de uma das pessoas que sobreviveram ao terremoto do dia 12 de janeiro que destruiu o Haiti.

Leia abaixo a íntegra do texto da tenente Adriana Alvares da FAB.


Jude Braise, um dos sobreviventes do terremoto que estavam no Hotel Christopher, foi internado no Hospital de Campanha da Aeronáutica (HCAMP), após dias passando por vários hospitais da região. O haitiano de 37 anos ficou preso nos escombros por 24 horas e tem dificuldades de se locomover. "Ainda estou com meus movimentos limitados e aqui (no HCAMP) estou tendo um tratamento muito bom. Desde o dia do terremoto, essa foi a primeira noite que dormi bem".

 O oficial da ONU foi o único sobrevivente da sala em que estava no quinto andar do Hotel Chistopher. Jude atribui a sua sobrevivência às orientações de segurança recomendadas para momentos críticos como a de um terremoto. "Depois que senti o segundo tremor, fui para debaixo da minha mesa. Passei o tempo todo fazendo barulho com um pedaço de ferro, até alguém poder me ouvir", conta.

 Os momentos que Jude passa no HCAMP se somarão à história que o haitiano já possui com o Brasil, que começou antes mesmo da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti- a Minustah.

 Jude morou no Brasil por cinco anos e meio, formou-se em agronomia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e é um apaixonado por Brasília. "Adoro a organização da cidade e a forma com é estruturada". Ele tem as mesmas gírias de um brasileiro e confessa que "pensa em português".

 Depois de se formar em 2004, Jude voltou ao Haiti com o primeiro contingente de tropas brasileiras da missão de paz, logo depois que o presidente Jean-Bertrand Aristide foi deposto do cargo. No mesmo ano que o Brasil assumia a autoridade no país, Jude começou a trabalhar na Minustah como um facilitador nas comunicações. De bom bagay, como são conhecidos os intérpretes que auxiliam no trabalho com os militares, Jude ocupa atualmente a posição de oficial nacional de conduta e disciplina da Minustah, responsável, por exemplo, pelo ensino das regras de engajamento para os haitianos.

O oficial da ONU espera, ainda, que o país passe por um processo de resiliência, em que as pessoas após sofrerem uma grande tragédia ou trauma consigam alcançar resultados positivos até então nunca esperados. "A população precisa encontrar meios para se fortalecer frente a esse desastre".

Fonte: Da enviada especial ao Haiti, Ten Adriana Alvares

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