Colapso da Justiça local do Haiti seria a razão para transferir o julgamento dos americanos acusados de tráfico de crianças

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postado em 02/02/2010 09:09

A Justiça do Haiti pretende processar por “tráfico de crianças, sequestro de menores e associação com o crime” os 10 cidadãos norte-americanos detidos na sexta-feira, ao serem flagrados tentando deixar o país rumo à República Dominicana com 33 crianças — todas entre dois meses e 12 anos. A informação das acusações foi dada ontem por Mazar Fortil, promotor interino do principal tribunal de Porto Príncipe. Todos os detidos são vinculados a uma associação cristã batista do estado de Idaho.

O grupo foi parado pela polícia haitiana na fronteira, que queria ver os documentos de autorização de saída das crianças. Os norte-americanos não tinham qualquer elemento mostrando a origem dos meninos e meninas. No domingo, Patrícia Vargas, a diretora do centro de acolhida de menores de Porto Príncipe, em Croix-des-Bouquets, para onde foram levadas as crianças, informou que tinha informações seguras de que a “maior parte” delas ainda tinha pais vivos. “Muitas chegaram a dar endereços e números de telefone”, disse.

Os norte-americanos alegavam estar “tranquilos”, porque estavam com suas Bíblias e apenas queriam “salvar” as crianças “abandonadas e martirizadas” e “educá-las segundo os princípios cristãos”. “Em meio ao caos no Haiti neste momento, tentamos fazer a coisa certa”, afirmou a porta-voz do grupo, Laura Silsby, na sede policial de Porto Príncipe.

Ontem à tarde, a ministra da Cultura e da Comunicação do Haiti, Marie-Laurence Jocelyn Lassegue, revelou que há a possibilidade de que os norte-americanos sejam enviados para julgamento nos Estados Unidos. “Caberá ao juiz decidir se eles serão julgados aqui no Haiti ou nos Estados Unidos, com base na lei haitiana”, disse. A hipótese de transferência do processo surgiu porque o próprio governo haitiano não nega que o sistema judiciário do país entrou em colapso depois do terremoto. De todas as instâncias judiciais haitianas, apenas o edifício do Ministério Público de Porto Príncipe continua em pé. Mesmo assim, está longe de um funcionamento normal. O pátio virou abrigo de tendas, com centenas de sobreviventes da tragédia.
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