Invasões, ditadura e terremoto, a tragédia haitiana

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postado em 03/02/2010 20:17

Depois de um longo período de dominação francesa, o Haiti passou 19 anos (1915-1934) ocupado pelos Estados Unidos. Com o fim da invasão norte-americana, cujo pretexto foi a defesa de interesses dos EUA na minúscula nação caribenha, o país voltou à sua trajetória de instabilidade política. O clima de insegurança institucional levou o Haiti às mãos de François Duvalier, que se elegeu presidente em 1957.

Mais conhecido como Papa Doc, ele instaurou uma feroz ditadura baseada em uma estratégia segregacionista, o Noirisme, que pregava a aproximação com as raízes africanas do Haiti. Até a sua morte em 1971, Duvalier foi aliado dos Estados Unidos. Ele foi substituído por seu filho, Baby Doc, que manteve os privilégios da camarilha próxima ao governo e aprofundou a crise econômica que levou o Haiti a ser o país mais pobre do Ocidente.

Em 1986, a dinastia Duvalier abandonou o país. Os governos que o seguiram mantiveram a instabilidade política, até que em 1990 o Haiti elegeu o sacerdote católico progressista Jean-Bertrand Aristide, com dois terços dos votos. Os correligionários de Duvalier tentaram um golpe de Estado que fracassou, num primeiro momento, mas em 1991 o Exército conseguiu derrotar Aristide. Como represaria, a Organização dos Estados Americanos (OEA) decretou um embargo econômico ao Haiti – o que não representou nenhuma novidade no cotidiano miserável dos haitianos.

A pressão da migração dos refugiados políticos para os Estados Unidos aumentou e o presidente Bill Clinton enviou 15 mil soldados para o país, depois de cancelar, a última hora, uma nova invasão norte-americana. Aristide foi reconduzido ao Palácio Nacional em 2000, mediante uma intervenção do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

Em 2004, a ONU enviou ao país a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), cujo comando militar coube aos Brasil, que tomou conta da segurança, período em que um governo provisório assumiu o controle do Estado.

Além da estabilização, a missão deveria assegurar eleições livres em 2006. Ano em que se elegeu o atual presidente René Préval. Apesar das dificuldades sociais, econômicas e políticas - a sombra de Aristide cobriu sangrentas revoltas - Préval conduzia um governo que mostrava sinais de recuperação macroeconômica. Em 2009, o Produto Interno Bruto cresceu quase 3%, a taxa mais alta do Caribe, e a inflação estava controlada, embora o PIB ainda fosse de apenas US$ 12 bilhões, ou US$ 6,9 bilhões, segundo o poder de compra da população.

O terremoto do último dia 12 destruiu grande parte do que restava da infraestrutura da capital, Porto Príncipe, e deixou cerca de 200 mil mortos, além de outros milhares de feridos e quase 2 milhões de desabrigados. As doações de ajuda humanitária emergencial estão chegando em grande quantidade e agora já se discute como será a ajuda internacional para reconstruir o país. Brasil, Estados Unidos e França querem liderar a empreitada.

Depois do tremor de terra, o Banco Mundial (Bird) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) emprestaram dinheiro ao Haiti, que será pago com juros, mesmo que o prazo tenha sido protelado pelas instituições financeiras. Resta saber se a conta dessa fatura, mais uma vez, será paga com o sangue e o suor dos haitianos, ou se a comunidade internacional vai, de fato, estender a mão ao país.

 

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