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Correio Braziliense

Presidente da Abrasel: verticalização reduz concorrência e eleva tarifas

Para Paulo Solmucci Junior, o "arranjo" desses meios de pagamento mostra uma interligação entre os emissores e detentores das bandeiras dos cartões e as credenciadoras ou adquirentes

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postado em 05/12/2016 17:19 / atualizado em 05/12/2016 17:31

O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci Junior, ressalta que a verticalização da indústria de cartões eletrônicos no mercado interno reduz a concorrência e se traduz em tarifas elevadas para o lojista e o consumidor. 
 
Segundo o empresário, o “arranjo” desses meios de pagamento mostra uma interligação entre os emissores e detentores das bandeiras dos cartões (concentrados nas cinco maiores instituições financeiras) e as credenciadoras ou adquirentes (criadas com capital dos próprios bancos), donas das maquininhas (POS). O que geraria mais vantagens ao sistema financeiro.

Entre os custos elencados por Solmucci, há uma questão que chamam de “interoperabilidade”, ou seja, a mesma maquininha fazer a compensação de todos os cartões. Esse sistema ainda não existe no país, exigindo do lojista a contratação de várias empresas adquirentes, ou seja, aumentando ainda mais os custos. Outra vantagem para as empresas envolvidas é que passam a deter os dados dos consumidores, dos estabelecimentos  e o valor da transação.

Para o especialista em sistema financeiro Pedro Menezes, o modelo brasileiro cria uma situação privilegiada, que não é revertida em redução de custo para o lojista ou para o consumidor. “Ao contrário, os bancos no Brasil cobram taxas abusivas para devolver um dinheiro que é do lojista”, diz.

“A verticalização hoje é um veneno para a sociedade, um veneno para o consumidor e um grande impulsionador do sistema bancário, que é um dos mais rentáveis do planeta”, complementa Solmucci. “Temos que mudar essa realidade no Brasil”, continua.

Abusos

Presidente da First Data no Brasil, Henrique Capdeville, informa que está entrando no país como credenciador, mas com recursos próprios. “O que trava se eu vou ter ou não mais dinheiro é a nossa fé no trabalho dos reguladores, de que nós teremos condições mais favoráveis de investir”, frisa.

A tese de Solmucci, porém, é contraposta por analistas que garantem que a verticalização atual proporcionou uma aceleração e um ganho de produtividade ao sistema. E que esse complexo sistema de registros para autorizar o pagamento tornou-se menos custoso, barateou para o lojista, apesar da forte interdependência com o sistema financeiro. (AR)

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