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Correio Braziliense

"Cheque é muito usado para grandes valores", diz ex-diretor do BC

Aldo Mendes defende que ainda há espaço para o cheque no Brasil, devido às características peculiares que esse meio oferece

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postado em 05/12/2016 18:48 / atualizado em 05/12/2016 20:08

Jhonatan Vieira/Esp. CB/D.A Press
Ex-diretor de Política Monetária do Banco Central e com 29 anos de serviços prestados ao Banco do Brasil, Aldo Mendes diz que ainda há espaço para o cheque no Brasil, devido às características peculiares que esse meio oferece. “O cheque é muito usado para pagamentos em grandes valores. Numa concessionária, por exemplo, você pode pagar um carro por meio de um cheque ou de TED (Transferência Eletrônica Disponível). A TED é irrevogável: foi, não volta. Com o cheque, ainda há um prazo para contestar. Por isso, muita gente usa esse instrumento de pagamento para altos valores”, explica.

Mendes acredita que o futuro dos meios de pagamento passa pela tecnologia. “O pagamento tem que ser eletrônico: é mais seguro, mais barato. O mercado tem que se mexer, tem que ter interesse e tem que descobrir uma forma de incluir a enorme parcela da sociedade que está fora do sistema financeiro. O meio eletrônico é o caminho, não será pelo dinheiro em papel ou pela expansão física do número de agências”, destaca.

Presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Setor de Comércio, Serviços e Empreendedorismo, o deputado Rogério Marinho (PSDB-RN), o avanço dos meios eletrônicos é importante, mas é necessário reduzir as taxas dos operadores que, segundo ele, são excessivas se comparadas com as de outros países. “Os meios de pagamento têm evoluído de maneira rápida, alinhados com a evolução das tecnologias e com as necessidades da vida moderna. Muito da regulamentação está sob a alçada do Banco Central e percebemos que há um claro interesse em avançar com a legislação, inclusive com a realização de amplos debates com os diversos setores. O papel do Parlamento é continuar acompanhando essas ações”, avalia.
 
"Com o cartão é mais fácil contabilizar os gastos. Evita-se comprar coisas desnecessárias. Já o cheque, eu nunca usei nem pretendo. É muito complicado"
Pedro Vinícius Martins, estudante 
 
Estudos do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) indicam que as novas tecnologias de meios de pagamento (mobile, wearables, 3D printing, IoT, etc.) serão estratégicas para o aumento das vendas do varejo, que já convive com o comércio eletrônico, as lojas virtuais. Dentre as ações de apoio, o Mdic criou um Fórum de debates. Desde 2015, entidades e o governo federal discutem modelos de tecnologia, visando garantir ao comércio uma alta performance. “Nosso papel é reunir informações e ver quais as medidas que podem trazer produtividade e competitividade às empresas brasileiras”, resume Douglas Ferreira, diretor do Departamento de Políticas de Comércio e Serviços do Mdic.

Ferreira pondera, no entanto, que a tecnologia deve reduzir o custos das operações. Isso vale, desde já, para as operadoras de cartões. Hoje, elas demoram muito para reembolsar os lojistas, cobram taxas de administração elevadas e dificultam transações de menor valor, ao não definirem uma tarifa fixa sobre as transações.
 

Dinheiro

Há dois tipos de arranjos de pagamentos no Brasil: fechado e aberto. O Banco Central define arranjo de pagamento fechado quando as atividades de emissão e credenciamento são realizadas pela mesma empresa que instituiu o arranjo (ou por empresas do mesmo grupo de controle). O arranjo aberto ocorre quando os envolvidos no processo são de empresas diferentes.

 
Arranjos

As cédulas de real ainda são o meio de pagamento mais utilizado pelos brasileiros. Mas há algumas desvantagens nisso, a impressão e o transporte, que custam muito caro. Por isso, o Banco Central vem incentivando cada vez mais o uso de instrumentos eletrônicos, principalmente por permitir o acesso de milhões de pessoas ao mercado.
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