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Correio Braziliense

Revolução nos meios de pagamento deixará cartões no passado

Relógios, anéis, pulseiras e celulares já são uma realidade na hora de pagar uma conta; moedas digitais criptografadas também vêm ganhando força

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postado em 05/12/2016 20:37 / atualizado em 05/12/2016 23:10

Maurenilson Freire e Julio Lapagesse/CB/D.A Press
 
 
A tecnologia que envolve as novas formas de pagamento está se desenvolvendo tão rápido que, às vezes, parece ficção científica. Relógios, anéis, pulseiras e celulares já são uma realidade na hora de pagar uma conta. Moedas digitais criptografadas também vêm ganhando força. A mais conhecida no mundo é o Bitcoin, criada pelo programador japonês Satoshi Nakamoto. Novas startups, conhecidas como Fintechs, aproveitam a onda e ganham força atuando à parte do sistema financeiro tradicional.

Moedas digitais utilizam um sistema criptografado de código aberto conhecido como blockchain. Essa estrutura de dados representa o registro de uma transação ou a entrada de uma movimentação financeira. Cada transação é assinada digitalmente, de maneira a garantir a autenticidade e a integridade da informação.

Estrutura

Para o economista português Pedro Menezes, com vasta experiência no sistema bancário europeu e especialista em análise de risco, grande parte das maiores instituições na Europa está encarando o blockchain como forma de eliminar o back office, espaços físicos associados a departamentos administrativos de uma empresa que custam caro. Ele vê uma movimentação no mesmo sentido por parte das instituições financeiras no Brasil.
 
"A aplicação que está sendo desenvolvida nos Estados Unidos e na Europa não é só para Bitcoin, mas visa encriptar, de uma ponta a outra, todas operações, que podem ser bancárias, jurídicas, enfim, qualquer atividade que possa ser submetida a uma encriptação, a um tratamento de estilo blockchain", diz Menezes.

Leitor digital e facial

Perto das novas tecnologias, o uso dos cartões de crédito e débito parecem coisa do passado. O relógio Swatch Bellamy — "bel ami", em francês, ou bom amigo — faz pagamentos ao se aproximar do terminal de cobrança, dispensando o uso de senhas. O sistema utilizado é o NFC (sigla em inglês para Near Field Communications, ou Campo de Comunicação por Proximidade), que não é bem uma novidade. Esse sistema existe desde 2002 e está presente em vários modelos de smartphones. No Japão, por exemplo, é utilizado há bastante tempo para registrar pagamentos no transporte público.

Não é só. A biometria está se tornando rotina nas transações financeiras, na medida em que aumenta a segurança e praticamente elimina as possibilidades de fraudes. A leitura de digitais já faz parte do cotidiano de quem usa caixas eletrônicos. Fabricantes de celulares também têm olhado para essa possibilidade, tanto que gigantes como Apple e Samsung contam com leitores de digitais e reconhecimento facial.

As bandeiras de cartões de crédito aproveitaram os recursos presentes nos celulares mais modernos para criar um sistema de autenticação de digitais do usuário, que permite a realização de pagamentos por meio do smartphone, a partir de aplicativos específicos. Empresas como o PayPal — um sistema on-line que utiliza endereços de e-mail para transferência de dinheiro — também têm investido em identificadores biométricos, eliminando o uso de senhas.

Visionário

Em 1887, em seu livro Daqui a cem anos, o escritor americano Edward Bellamy antevia uma utopia futurista para os anos 2000: um cartão com certa quantidade de crédito para compras, sem dinheiro em espécie, sem moedas. Para homenageá-lo, a Swatch 
uniu-se à bandeira Visa e lançou (no Brasil, na Suíça e na China) 
o Swatch Bellamy, relógio que funciona como um cartão de pagamento pré-pago, sem contato (contactless).

Modelo de teste

Segundo o economista Pedro Menezes, a experiência do uso da moeda eletrônica Bitcoin ao redor do mundo servirá como teste para se verificar como será um mundo totalmente digital, uma tendência sem volta. Suécia e Dinamarca, por exemplo, já começaram a se movimentar para a eliminação do dinheiro físico. "A tendência é caminharmos, em um curto espaço de tempo, para 
uma quase total digitalização da economia", diz. 
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