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Desenho arquitetônico de Brasília serve de cenário para atletas no Lago Paranoá

Velejadores, pilotos de lanchas e praticantes de remo e stand-up paddle valorizam o horizonte plano, que dá amplitude de visão bem maior

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postado em 21/04/2014 07:00

Lucas Fadul

O urbanista Lucio Costa, responsável pelo desenvolvimento do Plano Piloto, vislumbrou o desenho arquitetônico de Brasília próximo ao lago. Na obra Tantas vezes paisagem — uma compilação de entrevistas com paisagistas modernos, de Ana Rosa Oliveira, o projetista ressaltou a importância da grande extensão artificial de água para a capital e a inseparabilidade dos dois. “Esse foi o ponto de partida”, afirmou Costa. Peculiarmente, de acordo com atletas de esportes aquáticos, o Lago Paranoá também é indissociável do céu da cidade.

Gabriel Duarte, 34 anos, sofreu um acidente de carro que o deixou paraplégico. Há seis meses, ele pratica esportes aquáticos. “Comecei com a canoagem, mas hoje faço stand-up paddle adaptado”, disse. Para ele, o azul celeste de Brasília é inspirador. “Traz paz. Depois da minha lesão, comecei a gostar de estar na água e do céu acima”, revelou. “Mas, certa vez, quando estava fazendo canoagem perto do hospital Sarah Kubitschek, enfrentei um temporal. No entanto, não me importei com a chuva. Na verdade, eu adorei. Estava seguro, de colete, e fui monitorado pelos professores em uma lancha a motor”, relatou.

O medalhista olímpico Lars Grael morou 15 anos em Brasília e velejou diversas vezes na capital federal. “É o por do sol mais lindo que temos”, disse ele ao Correio. Para Lars, do ponto de vista da beleza, o céu da cidade é inigualável. “Os horizontes planos e o fato de ela estar localizada no Planalto Central proporcionam uma amplitude de visão muito maior que em outros lugares. O ar rarefeito e as partículas em suspensão típicas do clima brasiliense dão essas matizes ao céu”, ressaltou. De acordo com o atleta de alto rendimento que perdeu uma perna há 16 anos em um acidente, as nuvens são verdadeiros guias para o velejador. “É possível antever a intensidade do vento para traçar uma estratégia de navegação observando o movimento delas”, revelou.

Daniel Ferreira/CB/D.A Press

Depoimento

Christian von Jakitsch
Instrutor e psicólogo da escola de vela do Cota Mil, Jakitsch conta que o céu e o lago interagem intimamente. “O velejador tem que estar ligado nas nuvens. Essa é a orientação que ele tem. É preciso manipular a natureza para navegar”, segredou. Segundo o professor, há cerca de um mês, uma chuva forte causou estrago em uma regata organizada pelo clube dele. “A tempestade quebrou alguns barcos e virou outros. O pessoal passou aperto”, comentou. No entanto, Christian já presenciou momentos de tempo tranquilo dentro de uma embarcação. “Às 18h de um dia qualquer, senti que o vento havia cessado completamente. A água parecia um espelho”.

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