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Pilotos têm privilégio de visão diferenciada do alto de Brasília

Horizonte distante e beleza das cores do céu fazem da capital um lugar único para voar

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postado em 21/04/2014 07:00

Janine Moraes/CB/D.A Press


Desde pequeno, o carioca Edimar Araújo Filho é apaixonado por aviões. Quando se mudou para a capital federal, aos oito anos, passava a tarde na varanda da casa, próxima ao aeroporto, olhando o vaivém no céu. “Conhecia cada modelo e sabia os horários dos voos de cor”, brinca. Por causa de condições financeiras, teve que postergar o sonho. Tornou-se bancário e, em 2000, com cerca de 40 anos, conseguiu fazer cursos, exames e provas. Hoje, dono do próprio ultraleve, já sobrevoou várias regiões do país, como o litoral, o interior de São Paulo, o Sul e o Pantanal.

Mas nenhum deles se compara, segundo Edimar, ao céu de Brasília. “É maravilhoso. O contraste dele com o mosaico das cores em volta é lindo”, diz. “Ele te remete a ficar, cada vez mais nele, te dá sensação de paz. O horizonte aqui na capital é mais distante”, completa. E não são poucos os céus em Brasília. O melhor deles, para voar , é o popular “céu de brigadeiro”. “Esse termo surgiu porque, geralmente, o brigadeiro, patente mais alta da aviação, voa quando o tempo está azul”, brinca. Essa cor é maravilhosa”, avalia.

Segundo ele, a época mais bonita para voar em Brasília é na seca, durante o inverno, quando o céu fica permanentemente azul. “Quando chega agosto, as partículas ficam em suspensão pelo ar seco e isso dá uma coloração amarela, vermelha no céu. É uma disputa aqui na Associação de Pilotos de Ultraleve (Apub) para voar nessa época, no pôr do sol”, diz. Um dos locais com melhor vista é o Parque Nacional, visitado pela maioria dos pilotos da associação. “Lá você vê o pôr do sol por inteiro. Acho que esse é o céu mais característico de Brasília. É a coisa mais linda”, comenta.

Já na época de chuva, o cenário é preocupante para quem gosta de apreciar a paisagem de cima. “Não é à toa que tem o ditado: se tem chuva no ar, o piloto está no hangar. O tempo ruim tira o prazer e toda essa beleza porque pilotar fica mais trabalhoso, é preciso desviar de formações e evitar turbulências”, ressalta. Outros desafios para aviadores brasilienses são as aves, como urubus e carcarás, que podem causar sérios danos nas aeronaves. Rajadas de ventos também são comuns e problemáticas.

Do alto
Ao subir a bordo de um ultraleve, é possível sentir um pouco a emoção e a sensação de fazer parte desse céu. A convite de Edimar, o Correio sobrevoou e avistou, do alto, alguns dos principais cartões-postais de Brasília. “Aviação é uma paixão, é um sentimento de liberdade, de poder solitário”, conta. Em média, os ultraleves podem voar a até 15 mil pés (ou cerca de 4,3 mil metros) do solo, mas devido a normas, não costumam passar dos 300 metros. Dependendo do modelo, a velocidade varia entre 80km/h e 280km/h.

Ao decolar, já é possível ver pontos de Brasília que um pedestre comum não imagina que existem ou o tamanho que têm. O Parque Nacional , a Ponte JK, a torre digital ganham contornos e perspectivas diferentes. O céu límpido e o horizonte distante permitem visão ampla da cidade. E é de cima que se vê com mais precisão a beleza do projeto arquitetônico do traçado de Niemeyer e Lucio Costa.



"Conhecia cada modelo e sabia os horários dos voos de cor”
Edimar Araújo Filho

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