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Correio Braziliense

Constelações e planetas podem ser vistos e fotografados pelo céu de Brasília

A beleza do firmamento se revela mesmo na escuridão da noite

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postado em 21/04/2014 07:00

Daniel Ferreira/CB/D.A Press


A astronomia é uma das ciências mais antigas da humanidade. Surgiu como conhecimento necessário para sobrevivência dos povos primitivos. A observação de alguns fenômenos celestes auxiliou na agricultura de civilizações antigas, marcou a cronologia do tempo, levou estudiosos para a fogueira, guiou navegadores em suas descobertas e instigou o desenvolvimento de tecnologias. As estrelas acompanham a evolução do homem nesses mais de 2 mil anos de história. O céu, que conquista qualquer um com as cores que se misturam durante o dia, cativa na escuridão os brasilienses amadores da astronomia.

Para o servidor Marcelo Domingues, 43 anos, o fascínio pelo céu surgiu na infância. À noite, saía de casa com os amigos da rua para observar satélites passando. “Isso é inimaginável nas cidades grandes. Brasília cresceu, mas, apesar da poluição luminosa que atrapalha, ainda é uma cidade privilegiada para a observação. As crianças daqui conseguem ver o horizonte, a lua nascer, o sol se pôr e as estrelas”, conta.

De fato, a poluição luminosa atrapalha quem quer ver os astros. Domingues diz que o problema não é a iluminação em si, mas o mal planejamento da rede que não direciona o foco de luz para as ruas, aumentando os gastos com energia elétrica e diminuindo a eficiência. Para driblar empecilhos, astrônomos amadores buscam lugares afastados dos centros urbanos. Domingues mora em um condomínio em Sobradinho.

Ele construiu um observatório particular no quintal de casa. Dali, esquadrinha, filma e fotografa o firmamento iluminado por estrelas e planetas. A admiração virou hobby, em 1986, com as notícias sobre o cometa Halley.Somente em 2003, entrou para o Clube de Astronomia de Brasília (CAsB) e começou a comprar equipamentos. Hoje, a astronomia toma conta das noites sem nuvens do servidor.

Uma das imagens do céu que mais marcou Domingues aconteceu em 2007. “Fiquei sabendo que um cometa chamado Holmes, descoberto em no anos 1800, havia explodido de novo. Passei a madrugada observando. No primeiro dia, consegui vê-lo pelo telescópio. No segundo, somente com o binóculo. Já no outro dia, a olho nu. É um fenômeno que provavelmente nunca mais acontecerá.”

Pontos de luz
As imagens dos astros intrigam pelas cores e brilho. As fotografias são resultado da paixão dos profissionais especializados.Os astrofotógrafos buscam captar imagens planetárias e do céu profundo, algo que está longe dos pontos de luz que enxergamos. “Ninguém acreditava que eu conseguiria fotografar as nebulosas daqui de casa. Até eu me surpreendi”, revela Rodrigo Andolfato, 36 anos.

Ele é de Lages, Santa Catarina, mas morou a maior parte da vida em Minas Gerais. Chegou a Brasília em 2008. O céu daqui foi um convite para praticar o hobby da varanda do apartamento em Águas Claras. “Observo os astros desde muito pequeno. Mas, somente com pouco mais de 20 anos pude comprar meu primeiro telescópio de qualidade. Há pouco mais de três anos, realmente comecei a fotografar os astros”, diz.

O hobby parece ser solitário, entretanto não é. Todo o conhecimento é compartilhado em encontros em associações, blogs ou redes sociais. Atualmente, está escrevendo um livro sobre astrofotografia.

“Na época das chuvas, o maior espetáculo são os raios. Mas há também muitos arco-íris e nuvens com formações belíssimas. Na época da estiagem, meus objetos favoritos são as nebulosas. Grandes nuvens de gás energizado que irão formar estrelas e sistemas solares”, conta Rodrigo.

“Em Brasília, não há montanhas ou depressões, por isso de quase todos os lugares e possível observar todo o céu. Além disso, é possível fotografar raios que estão a dezenas de quilômetros. O que torna o céu de Brasília especial também é a cidade que está abaixo dele. Os monumentos e prédios belíssimos quando fotografados em conjunto com o céu produzem imagens espetaculares. Da varanda de meu apartamento, se destacam as duas torres de televisão, mas há muitas outras coisas belas que se pode ver”, lembra Andolfato.

Daniel Ferreira/CB/D.A Press

Brasília cresceu bastante, mas, apesar da poluição luminosa que atrapalha, ainda é uma cidade privilegiada para a observação. As crianças daqui conseguem ver o horizonte, a lua nascer, o sol se pôr e as estrelas”
Marcelo Domingues, 43 anos, servidor público


Fique atento

Observação Solar com telescópios realizada pelo Clube de Astronomia de Brasília (CAsB) em parceria com a Cúpula do Planetário de Brasília. Hoje, das 9h às 11h30, e das 14h às 17h, na área externa do Planetário de Brasília. Evento gratuito.

Planetário quarentão

Após 16 anos fechado, o Planetário de Brasília foi reinaugurado em dezembro de 2013. Este ano, comemora quatro décadas de fundação. Na programação do espaço, há exibição de filmes sobre a objetos celeste e a história da astronomia. Quem for ao planetário para observar os astros em tempo real sairá frustrado. O local para desvendar o céu com auxílio do telescópio é o Observatório, mas na cidade não existe um que seja público. O Clube de Astronomia de Brasília realiza eventos de observação.

Clube de Astronomia de Brasília

Fundado em 1986, o CAsb é um dos mais ativos do Brasil. Recentemente, organizou, com enorme sucesso o Encontro Nacional de Astronomia. O clube promove eventos de observação com telescópios em praças, cursos de astronomia, encontros de sócios e expedições a países distantes para acompanhar eclipses ou visitar observatórios. A associação é constituída, em sua maioria, por astrônomos amadores, alguns com cursos extensivos no campo da astronomia. Há também consultores que são reconhecidos pela comunidade científica brasileira.

Cometa Halley

Apareceu pela última vez em 1986. Foi o primeiro cometa a ser reconhecido como periódico, descoberta realizada por Edmond Halley em 1696. Quando sua órbita atinge o ponto mais próximo do Sol — o periélio, o que acontece a cada 75 ou 76 anos, é possível vê-lo a olho nu.


Cometa 17P/Holmes

Outro cometa periódico do sistema solar. Foi descoberto por um astrônomo amador chamado Edwin Holmes, em 6 de novembro de 1892. A última aparição foi em 2007.
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