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Compositores homenageiam o "azul sem manchas do Planalto Central"

Vários artistas dedicaram melodias e versos ao céu de Brasília. Como resistir a essa beleza?

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postado em 21/04/2014 07:00

Irlam Rocha Lima

Luisa Horta/Divulgação


Toninho Horta, um dos pilares do mítico Clube da Esquina, veio a Brasília pela primeira vez em 1973. O guitarrista mineiro integrava a banda que acompanhava Gal Costa no show Índia — um dos mais bonitos da cantora baiana —, apresentado no Teatro da Escola Parque. À época, ele namorava uma brasiliense que conhecera no Rio de Janeiro e, ao ir embora, estava perdidamente apaixonado, também, pela capital.

Assim que chegou a Belo Horizonte, procurou Fernando Brant para propor uma nova parceria: Céu de Brasília. “Voltei impressionado com o traçado da cidade, com as pessoas e, em especial, com a imensidão e a beleza do céu de Brasília. Aí, ao chegar à casa do Fernando, já levava comigo, pronto, um tema musical que criara sob o impacto do que, enternecido, vira, ao observar o céu da cidade idealizada por Juscelino Kubitschek, nosso conterrâneo e amigo”, lembra Toninho.

A música, com característica de balada, na avaliação do autor, é uma das mais lindas que compôs. “O Fernando ficou meio intrigado, pois, junto com o tema, já propus, também, o título, mas ele entendeu perfeitamente aquele entusiasmo manifestado e, ao escrever a letra, compartilhou da emoção que eu vivenciara em Brasília. E sintetizou isso no verso: ‘E o horizonte imenso aberto sugerindo mil direções/ E eu nem quero saber se foi bebedeira louca ou lucidez’”.

Os dois, companheiros do Clube da Esquina, já haviam feito juntos Aqui, oh, gravada por Milton Nascimento no segundo disco dele. “Quando o Toninho me apresentou a melodia de Céu de Brasília, percebi que ele havia ficado deslumbrado com aquela imagem. Eu, porém, ainda não conhecia a capital, pois só a tinha visto por cima, durante viagem de avião para a Bahia”, recorda-se o compositor.

“Na hora de escrever a letra, pensei também em Darcy Ribeiro e na minha prima Vera Brant, igualmente apaixonados por Brasília. Quando fui aí pela primeira vez, tive a confirmação de que acertara na descrição que fizera. Gosto muito de Céu de Brasília, uma música de grande beleza melódica e harmônica. Acredito que houve um casamento com as palavras”, confessa Brant.

Toninho gravou as bases de Céu de Brasília em Los Angeles e a emoldurou com cordas da Orquestra Sinfônica de Campinas e de músicos da Orquestra Sinfônica Brasileira. “O Milton (Nascimento) participou da gravação e, em algumas partes, faz vocalizes. O registro foi feito no meu álbum de estreia, o Terra dos pássaros, que, embora gravado em 1976, só foi lançado quatro anos depois.” Há regravações de Simone, Flávio Venturini, Seu Jorge e Hamilton de Holanda.

A versão instrumental do bandolinista Hamilton de Holanda é de 2004 e faz parte do repertório do Música das nuvens e do chão, o primeiro disco solo dele, que marcou sua despedida de Brasília para radicar-se no Rio de Janeiro. “Ao gravar Céu de Brasília, vi uma maneira de deixar clara a ligação que tenho com a minha cidade. A melodia criada por Toninho Horta e a letra inspirada de Fernando Brant fizeram dela uma canção belíssima”, afirma. “Destaco um trecho que me emociona: ‘Nada existe como o azul sem manchas do céu do Planalto Central’, complementa.

Traço do arquiteto
Uma outra canção que remete ao sempre admirado céu de Brasília é Linha do Equador, parceria de Djavan e Caetano Veloso, gravada pelo cantor e compositor alagoano no CD Coisa de acender, de 1992. “Quando eu me preparava para gravar esse disco, mandei o tema musical para o Caetano, mas sem dar ideia de nada. Como ele é um craque e sabe explorar muito bem uma melodia, recebi a composição de volta com o título. Me identifiquei muito com as palavras da letra dele, inclusive quando se refere a Brasília”, revela Djavan.

Ele não tem dúvida de que Linha do Equador é um clássico de sua obra e diz que, ao cantá-la em shows, “cria-se uma atmosfera de festa”. Nas apresentações em Brasília, ele sempre a inclui no repertório e o público a recebe com grande entusiasmo, fazendo coro com o cantor, principalmente no verso “…Passa mais além do céu de Brasília/ Traço do arquiteto/ Gosto tanto dela assim…” No show mais recente, bastou uma simples citação para plateia aplaudir calorosamente”.

Djavan, que vem a Brasília desde a década de 1980, diz que se sente confortável quando está na cidade. “Em todas as vezes em que estive aí, fazendo shows, sempre fui muito bem acolhido. Os lugares em que me apresento estão sempre lotados e creio que essa identificação do brasiliense comigo, de certa forma, decorre do fato de eu ter composto e gravado Linha do Equador”.



Marchinha candanga
No início da década de 1960, o desembargador Milton Sebastião Barbosa, sob o pseudônimo de Cid Magalhães, compôs Brasília cidade céu, uma singela marchinha carnavalesca que, no verso inicial, diz: “Brasília, cidade céu/ Rainha do Planalto/ Cada vez te quero mais/ Oh, linda capital da paz…”

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