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O céu de todos nós

Jardineiros brincam, ao ar livre, de colorir Brasília

O maranhense Raimundo gosta do jogo da coloração entre céu e jardins

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postado em 21/04/2014 07:00 / atualizado em 20/04/2014 11:55

Verônica Machado - Especial para o Correio

Janine Moraes/CB/D.A Press


Para harmonizar o azul intenso do céu e as rajadas de cor no fim da tarde em Brasília, os canteiros da cidade ficam coloridos. Os terrenos chamam a atenção de turistas e moradores com as flores dos canteiros. E mais: a capital sustenta o título de cidade com maior índice de área verde por habitante do país — 120 metros quadrados, com 4 milhões de árvores plantadas. As cores completam o branco do concreto armado dos monumentos como em uma tela, melhoram a umidade do ar, abrigam a fauna, diminuem os impactos sonoros. Os benefícios são ainda maiores para os que, efetivamente, fazem as flores nascer na capital: os jardineiros.

Raimundo Pereira, 55 anos, é um deles e ama o que faz. Sob o sol ameno das 9h, prepara a terra, nivela o adubo e encaixa as mudinhas de uma flor chamada Zinnia. Em 30 dias, a rotatória da entrequadra 303/304 da Asa Norte estará completamente florida. É o momento mais esperado pelo jardineiro, que brinca de colorir Brasília há 16 anos com o trabalho na Novacap. “Sinto que estou fazendo a coisa certa e fico orgulhoso”, diz, enquanto escolhe a próxima muda.

O jardineiro sabe bem a importância de manter o verde da capital, que possui espécies tão variadas quanto as das florestas tropicais. Após a construção, criaram-se programas de plantio baseados em flores e árvores exóticas vindas de outros estados e até do exterior. Assim, 54 anos depois, 12 variedades foram tombadas como Patrimônio Ecológico do DF, como o pequi e a aroeira. Vale destacar também para o floreado da camomila, dálias, petúnias, comumente plantadas no período de estiagem.

Maranhense, Raimundo chegou na capital em 1991 e se apaixonou pelas condições que a cidade oferece: mais opções de trabalho e qualidade de vida. “Encanta quem chega. Cidade de palácios, né?”, comenta. Hoje, mora em Ceilândia e começa a rotina às 6h, quando acorda e tem que enfrentar o transporte público para chegar até o centro do Plano Piloto, mas não reclama. “Gosto muito da cidade e ver ficando mais bonita é bom demais.”

O que compõe o trabalho de jardinagem de Raimundo é o que está acima do horizonte. Ele compara a paisagem do planalto com a da cidade natal, Dom Pedro, e sente falta das palmeiras. No entanto, por aqui consegue perceber melhor a coloração natural entre céu e jardim. “É diferente, mais aberto, a visualização é melhor”, refere-se aos prédios baixos e as linhas planas do DF. Ele lamenta que muitas pessoas não têm tempo para observar com cuidado as florzinhas ou não estão dispostas a isso. As plantas e o céu, vistos em conjunto, fazem lembrar o arco-íris. segundo ele.

Nesse ritmo de imaginação, Raimundo vai mais longe. Considera-se um parceiro de Deus. “Ele pinta lá em cima e eu aqui embaixo”, gargalha, ao perceber o próprio pensamento. “Não tem pintor que tenha essas tintas, aqueles contrastes”, aponta. Está, por fim, satisfeito com o que contribui para o mundo. Mas se fosse possível um pouquinho mais, pediria para trabalhar descalço só para sentir melhor a terra nos pés e mãos. “As normas mandam estar de uniforme”, lastima.

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