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Correio Braziliense

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Artesãos da Torre de TV vivem o espetáculo da natureza de Brasília diariamente

Os artesãos que confeccionam os famosos arranjos à venda na Torre de TV passam o dia ao ar livre

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Janine Moraes/CB/D.A Press


“Trabalhar é bom, né? Eu sou do centro-oeste de Minas. Vim casada, trazendo três filhos. Tive mais sete aqui. Todos eles trabalharam com flores do cerrado — fui incentivando eles desde pequeninos. Vamos trabalhar, vamos fazer serviço! Eles iam comigo pro meio do mato, nós apanhávamos folhas, flores, apanhávamos muitos tipos de flor. Não era só um tipo nem dois. Eram muitos — mamoninha, rabo de galo, rabo de raposa —, tudo virando arranjo. As meninas foram casando, mas sempre no ramo”, relembra Maria Apolinário Nascimento, 80 anos, sendo 30 deles dedicados à arte de desidratar flor do cerrado — ofício aprendido com o arquiteto e paisagista José Zanine Caldas à época da construção de Brasília.

Todos os dez filhos de Maria Apolinário trabalharam em pelo menos algum momento da vida com desidratação, confecção, montagem de arranjos ou venda de flores. Durante muito tempo, Dona Maria teve uma barraquinha perto da Catedral de Brasília, no que era ajudada pelas filhas mais velhas, Maria das Graças e Lira Antônia. Cada qual seguiu seu caminho. Hoje, a primeira monta seus arranjos em casa. A outra participa da Casa do Artesão de Planaltina (fundada em 1984).

Bruno Nascimento, filho de Maria das Graças, sobrinho de Lira e neto de Maria Apolinária, cresceu rodeado de cerrado e artesanato. Ele e a esposa mantêm um box na feira da Torre de TV. “Sinceramente, eu não me vejo fazendo outra coisa. Nem passando em concurso público eu largaria o artesanato. Isso aqui eu quero ensinar para os meus filhos. A minha menina já faz flores com a ajuda da vó”, garante.

A ligação com a natureza não se fez somente pelo lado materno da família. Para pedir a mãe de Bruno em casamento, o pai teve que aderir à profissão. “Minha mãe se casou com meu pai. E, na mesma época, a tia Lira se casou com o Paulinho. Então os dois novos maridos começaram a aprender o artesanato. E tudo isso por influência de minha avó”.

Dona Maria Apolinário, que conseguia apanhar até cem quilos de flores por dia na Chapada do Veadeiros, aposentou-se há cerca de um mês. “Às vezes, eu sinto falta, mas a colheita já tava difícil, e tô velha pra ir pro cerrado. De saúde, eu tô bem, só a idade que já é muita.” Ela morou em Taguatinga em 1959, mudou-se para Planaltina em 1968, onde vive até hoje. “Brasília é uma cidade maravilhosa. Aqui é muito bom para a pessoa viver. Comércio bom, as ruas muito alegres, a vida boa. Quando é chuva, a gente sente o céu meio pesado. Mas ele é um céu lindo.”

Bruno lembra do tempo em que trabalhou como guarda noturno na Torre de TV. “Naquele tempo, eu pegava o serviço às 18h e saía às 6h. Todo dia, eu via o pôr do sol, olhava em direção aos ministérios e ficava esperando — a imagem era sempre muito bonita. Eu não troco o céu de Brasília por nenhum outro, nem pelo do Rio de Janeiro ou pelo de São Paulo.



"Naquele tempo, eu pegava o serviço às 18h e saía às 6h. Todo dia, eu via o pôr do sol, olhava em direção aos ministérios e ficava esperando"
Bruno, artesão

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