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Fotógrafo lança livro com imagens coletadas em mais de 100 horas de voo

As luzes dão novas perspectivas às obras e traços de Oscar Niemeyer e Lucio Costa

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postado em 21/04/2014 07:00

Mariana Laboissière

Bento Viana/Divulgação


Bento Viana/Divulgação


Bento Viana/Divulgação


Bento Viana/Divulgação


O céu de Brasília em múltiplas molduras. As tonalidades do horizonte do Planalto Central eternizadas pelas lentes de uma câmera fotográfica, a partir do olhar de um espectador apaixonado pela cidade. Esse foi o resultado de Do Céu, Brasília, um livro do fotógrafo brasiliense Bento Viana, que traz imagens aéreas das heterogêneas paisagens da capital da República. O exemplar independente tem previsão de lançamento neste mês, quando o sonho de Juscelino Kubistchek completa 54 anos. Foram mais de 2 anos de produção em cerca de 100 horas de voo. Quase 40 mil imagens clicadas do azul, das quais 200 darão vida à obra. Repartidas em 320 páginas, elas dão voz à majestade candanga.

A missão surgiu do trabalho, mas Viana a transformou em inspiração para construir o livro. Surpreendeu-se com imagens que, até então, não tinha visto ou reparado. As luzes da atmosfera o intrigaram. Segundo ele, a iluminação natural em Brasília é capaz se transformar ao longo dos 365 dias do ano. “Mesmo em horários e locais iguais, a luz nunca é a mesma aqui. A coloração das nuvens é diferente. Elas vão do azul ao amarelo. É incrível”, diz.

Para Bento, a fama do céu da cidade é algo explícito. “Ele (céu) faz jus a isso tudo, com certeza. E olha que viajei muito por este e outros países”, conta ele, que também é geógrafo e trabalhou com fotografia durante dois meses na Antártica. Viana acredita que o ângulo formado entre o plano e a superfície seja o culpado pelo diferencial da região. “A nossa latitude e o bioma cerrado fazem o horizonte ficar lindo. A luz da manhã e do fim da tarde são ainda mais especiais. Gosto muito de fotografar nesses horários”, acrescenta.

O período de estiagem na capital, segundo Bento, é o momento áureo para se fotografar a paisagem. Muitas das imagens do livro trazem as cores da seca. “As partículas em suspensão funcionam como um filtro natural. A partir daí, você tem cores mais amareladas. Então, a fotografia se torna algo ainda mais fantástico de se fazer nesta cidade”, explica.

Entre as fotos panorâmicas em áreas urbanas, Viana destaca a Praça Portugal, no Setor de Embaixadas Sul, como ponto mais interessante. “Acho que esse é o local melhor entendido visto de cima. Ele mostra a Planície de Nazca do Planalto Central”, diz, referindo-se ao desenho formado do alto. No espaço, há uma grande calçada cravejada de pedras portuguesas em tons branco e preto. Elas homenageiam a ação do infante Dom Henrique e sugerem os oceanos e as ciências astronômica e náutica, que apoiaram as ações dele como navegador. A Ermida Dom Bosco, no Lado Sul, também ganha destaque na narrativa de Bento, mas de ponta a cabeça. “Para observar o céu da terra, a Ermida é o meu local predileto”, revela.

Vocação
Do Céu, Brasília segue a perspectiva de Oscar Niemeyer e Lucio Costa quando idealizaram a construção da capital inspirados em formas e figuras. “Eles eram projetistas, tinham uma ideia maior do ambiente e colocaram aquilo num papel. Até então, as estruturas não tinham três, quatro dimensões. A visão do alto é a mesma visão das pessoas que pensaram Brasília”, diz o fotógrafo, que teve a ideia do livro há mais de 15 anos e brindará com a obra o aniversário da cidade.

A confecção do primeiro exemplar durou 21 dias. Trata-se de uma obra bilíngue, em inglês e português, com textos de Bento Viana, da curadora e fotógrafa Zuleika de Souza e do poeta e jornalista Tetê Catalão. As legendas ligadas às imagens ficaram por conta de Patricia Herzog e Tatiana Petra, do Projeto Experimente Brasília.

Neste mês, o livro será lançado em três ocasiões. No dia 15, será apresentado a convidados no Espaço Gourmet do Park Shopping, onde algumas fotos ficarão expostas até o dia 30. Nos dias 16 e 17 para o público em geral, na Fenac do Park Shopping, às 19h30, e, na Livraria Cultura do CasaPark, às 20h, respectivamente. No último encontro o fotógrafo realizará uma noite de autógrafo.




Perfil
Bento Viana saiu do Rio de Janeiro para Brasília em 1979, quando tinha oito anos. Além dos 22 anos de carreira como fotógrafo, ele trabalhou com cinema e vídeo. Produziu trabalhos para diversos órgãos governamentais, além de entidade internacionais, entre elas WWF, Banco mundial, Ministério do Turismo, Ministério do Meio Ambiente, Presidência da República, Ministério das Relações Exteriores e Embratur.

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