SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

O céu de todos nós

Crianças da cidade pintam Brasília de maneiras diferentes

Estudantes de Ceilândia desenham mais monumentos, enquanto que as crianças do Plano Piloto preferem retratar o pôr do sol

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 21/04/2014 07:00 / atualizado em 21/04/2014 09:22

Rosana Hessel




São dois os céus das crianças brasilienses, embora eles sejam sempre predominantemente azuis, mas com diferentes tonalidades e distintas percepções entre o céu dos que moram no Plano Piloto e o dos que moram nas cidades ao redor da área tombada. Aquelas que circulam com mais frequência pela cidade projetada pelo urbanista Lucio Costa não se impressionam tanto com os monumentos da Esplanada dos Ministérios. Já as que dificilmente têm oportunidade de conhecer o território dos Três Poderes se impressionam mais com a imponência das curvas e das retas dos edifícios desenhados por Oscar Niemeyer e que se espalham ao longo do Eixo Monumental.

Para os alunos do 3º ano do ensino fundamental da Escola Classe 48 de Ceilândia, o prédio mais marcante de Brasília é o Congresso Nacional. O edifício está presente na maioria dos desenhos que eles fizeram sobre o céu de Brasília durante uma atividade solicitada pela reportagem do Correio. (Veja o vídeo com os depoimentos das crianças no site).


Janine Moraes/CB/D.A Press


Outra obra importante de Niemeyer, o Memorial JK, aparece em vários desenhos dos alunos de Ceilândia. Como parte do currículo do bimestre, a turma começou a estudar a história da fundação da capital federal, que completa 54 anos, idade que estava na ponta da língua do mais velho da sala, Pedro Lucas Campos Bento, 11 anos. O ponto alto do programa será uma visita aos monumentos no segundo semestre. “As crianças estão muito empolgadas porque a maioria delas nunca viu esses edifícios de perto”, conta a professora Jeanne Soares.

Thiago Vinícius Oliveira, 9, está entre os mais ansiosos por conhecer melhor os famosos prédios de Niemeyer. Mesmo sem nunca ter visitado os monumentos do Plano Piloto, Thiago desenhou com precisão o Congresso, a obra Dois Candangos, de Alfredo Cheschiatti, assim como a estátua do presidente fundador de Brasília em frente ao Memorial JK. “Já vi na televisão e nas revistas. Tenho muita vontade de conhecer”, disse o garoto que sonha em ser bombeiro e é considerado o artista da sala. A professora Jeanne conta que os colegas pedem para ela nunca fazer um concurso de melhor desenho, porque ele ganharia todos.

Janine Moraes/CB/D.A Press


A tímida Lorena Fernandes Nunes, 9 anos, preferiu retratar a Ponte JK, por ser a que ela costuma ver com mais frequência. “Escolhi a ponte porque conheço. Já passei várias vezes lá para ir na casa dos meus tios”, diz a menina que gosta mais do céu durante o dia. “É o que me inspira”. Para Laura Custodio Elias, 9, o que a motiva é o Memorial JK, mesmo sem nunca ter colocado os pés no museu. “Escolhi ele porque é muito bonito. Tenho vontade ir lá. Acho o JK muito legal. Se não fosse ele, Brasília não existiria”. Anny Beatriz de Paiva Santos, 9, escolheu o Congresso, mas usou tonalidades diferentes. “Passo lá todos os dias e acho bonito. À noite, ele fica iluminado. Quis fazer colorido por causa das luzes”.

Assim como a turma de Ceilândia, os alunos do 3º ano do Centro de Ensino Candanguinho (Cecan), no Sudoeste, estudam a história de Brasília no currículo do semestre. Já visitaram a maioria dos monumentos históricos. Entre as leituras do curso está o livro Brasília de A a Z, de Tino Freitas e Kleber Sales, que conta a história da cidade de forma didática e foi escolhido pela coordenadora Cristiane Jansen. A classe da professora Maria Clara Vilas Boas desenhou o céu de Brasília sem monumentos.


Janine Moraes/CB/D.A Press


O pôr do sol e sua infinidade de cores foi o escolhido pela maioria dos alunos do Cecan e as paisagens predominaram nos desenhos. A turma estava mais motivada pela variação das cores do céu durante o fim do dia. Eduardo de Geraldo Santos Silva, 8 anos, tentou retratar os dois momentos em um mesmo desenho alternando cores quentes e frias. “Eu misturei as cores porque fica num tom legal. Eu gosto do sol porque ele tem umas cores misturadas e gosto muito de cores quentes”, afirma.

O falante Alexander Santos Barbosa, 8 anos, partiu para o abstrato. Pintou de preto a folha branca para retratar o céu de Brasília à noite. Desenhou uma lua e deixou um pequeno quadrado laranja. “Gosto muito da noite e ao mesmo tempo do pôr do sol e isso me faz gostar da cor preta e da laranja”, conta ele, que prefere a noite ao dia. “Gosto de olhar as estrelas e ver as constelações. A lua é reluzente. Sei que ela não brilha muito, mas eu gosto mesmo assim”, diz ele, revelando que contempla o céu para pensar no futuro. “Quando olho para o céu, penso no futuro e como ele vai ser”, explica. Alexander é um grande sonhador. Diz que quando crescer vai ser cientista para poder criar uma máquina do tempo. “Eu ia ver coisas que gente nem pensou em ver, como dinossauros, a morte de Cristo e a guerra de Troia”, afirma. Ele garante que não tem medo de dinossauro. “Mas se ele me atacar, eu vou sair correndo”, brinca.

Maria Fernanda Abreu Carvalho, 8 anos, prefere o céu claro. “Gosto do sol. Com um dia bem ensolarado dá para ir na piscina e brincar do que quiser”, diz ela mostrando seu desenho com o céu bem azul e algumas nuvens. Thais Doring Freire da Silva, 8, buscou as lembranças da varanda do apartamento antigo, no Guará, para desenhar seu céu de Brasília com o sol e um arco-íris. “Eu gosto de olhar para o céu porque eu acho bem interessante. Eu gostava do outro lugar porque dava para ver melhor o pôr do sol. Agora não vejo mais”, diz ela, que agora mora no Sudoeste.

"Eu misturei as cores porque fica num tom legal. Eu gosto do sol porque ele tem umas cores misturadas e gosto muito de cores quentes”
Eduardo de Geraldo Santos Silva, 8 anos, aluno do Candanguinho

"Passo lá todos os dias e acho bonito. À noite, ele fica iluminado. Quis fazer colorido por causa das luzes”
Anny Beatriz de Paiva Santos, 9 anos (sobre o Memorial JK), aluna da Escola Classe 45 de Ceilândia

publicidade

Tags:

publicidade