Dilúvio para a Cantareira

Presidente da Agência Nacional de Águas afirma que só dilúvio garante continuidade no abastecimento de São Paulo. Primeira cota do volume morto acabou nesta quinta-feira

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postado em 13/11/2014 18:30

Reuters/Nacho Doce
 

 

Em declaração durante audiência pública na Câmara dos Deputados, o presidente da Agência Nacional das Águas (ANA), Vicente Andreu, afirmou na tarde desta quinta-feira que o sistema Cantareira, que abastece 6,5 milhões de pessoas na Grande São Paulo, precisa de um "dilúvio" para chegar aos níveis que os reservatórios se encontravam em janeiro deste ano.



"A solução dessa situação é chover e muito. Para chegar na situação que estávamos em 2014 até janeiro nós precisamos um dilúvio", declarou Andreu.

De acordo com Andreu, seriam necessários ao menos 500 bilhões de litros de água para chegar aos índices do início do ano. Dados da ANA mostram que atualmente o sistema Cantareira tem um deficit de 20% do volume normal.

"Precisa chover mais que a média histórica, mas não parece que isso vai acontecer", disse. "O sistema Cantareira está próximo de 20% negativo do seu volume. Isso significa que estamos com um deficit para ser suprido. Nós teríamos no curto, prazo para que a gente entre na série de 2015 igual a 2014, suprir o deficit e voltar o volume de água em dois meses para entrar numa série que ainda depende do volume de chuvas que vamos ter", disse o presidente.

Seca recorde
Além da má gestão dos recursos hídricos, o cenário de fornecimento de água em cenário foi agravado pela seca recorde que afeta o país.

Para discutir o assunto, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), se encontrou nesta segunda com a presidente Dilma Rousseff (PT) em Brasília para pedir apoio financeiro para realizar obras que devem atenuar os problemas de abastecimento de água no Estado no valor de R$ 3,5 bilhões. A expecttaiva é que essas obras sejam implementadas nos próximos cinco anos.

Uma nova reunião está agendada para a próxima segunda-feira entre representantes do governo de São Paulo,. ministérios do Planejamento e do Meio Ambiente para detalhamento dos projetos e melhor execução das obras.

Fim da primeira cota
Dados do governo estadual mostram que a primeira cota de água do Sistema Cantareira foi tecnicamente esgotado na manhã desta quinta-feira. O reservatório, responsável por abastecer cerca de 6,5 milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo chegou a 10,8% de sua capacidade. Com essa nova queda autoridades afirmaram que a primeira cota do volume morto chegou ao fim. O índice atual do Cantareira, de 10,8%, corresponde a uma segunda parte do volume morto, que tem 106 bilhões de litros de água. Dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) apontam que dois dos principais mananciais que fornecem água para a região também tiveram queda em seus níveis. O Guarapiranga, responsável pelo abastecimento de 4,9 milhões, passou de 35,7% para 35,3% e em estado mais crítico o Alto Tietê, que abastece 4,5 milhões de pessoas, caiu de 7,8% para 7,6%.

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