Nova rodada de esperança

Começa no Peru mais uma conferência da ONU sobre o clima. Objetivo dos países é avançar nas negociações

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postado em 02/12/2014 18:18 / atualizado em 02/12/2014 18:23

 

 

Reunidos em Lima, no Peru, 10,3 mil delegados de 195 países-membros das Nações Unidas começaram ontem as negociações do Clima, com o objetivo de traçar políticas de redução das Emissões dos gases de efeito estufa. Serão duas semanas de reuniões na COP 20, que não devem terminar com decisões significativas. Na realidade, o que está em jogo, agora, é o rascunho da cúpula de Paris, marcada para dezembro de 2015. É na capital francesa que os líderes mundiais terão de chegar a um acordo vinculante, do mesmo porte do Protocolo de Kyoto, que já venceu.



Nos últimos anos, aumentou a consciência mundial a respeito das consequências devastadoras do Aquecimento Global, e os maiores poluidores — Estados Unidos e China — já reconheceram a necessidade de políticas que freiem esse fenômeno. Contudo, as Emissões continuam subindo: 2,2% ao ano, segundo a ONU. A esse ritmo, a temperatura do planeta subirá 4ºC em comparação ao século 19, colocando em risco não só os recursos naturais, mas a própria saúde humana, além de afetar gravemente a economia e a produção de alimentos.

Às vésperas da COP 20, a secretária executiva da convenção, Christiana Figueres, lançou mais um alerta. “Nunca antes os riscos das Mudanças Climáticas se mostraram tão óbvios nem os impactos foram tão visíveis. Isso significa que podemos ficar confiantes de que teremos um encontro produtivo em Lima, que levará a um resultado efetivo em Paris, no ano que vem”, disse.

O receio da secretaria é compartilhado pela sociedade civil, que por meio de seus representantes passam recados claros de que o prazo para tomarmos decisões relevantes está acabando. “O passo dado por China e Estados Unidos em novembro sobre o acordo de redução de emissão foi relevante, mas é preciso que outras nações sigam os mesmos passos para que consigamos frear o aquecimento global e proteger o que resta do planeta”, disse Nicole Oliveira, líde da 350.org para América Latina. “A COP de Lima tem um papel fundamental nesse processo, já que lá serão discutidos os próximos passos e possíveis acordos a serem estabelecidos na COP de Paris, em 2015”.

 

 

A necessidade que as decisões da COP sejam relevantes é compartilhada pelo secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl. "É preciso saber como a ONU vai assegurar que esse processo terá a ambição necessária para frear o aquecimento e fechar a conta do clima".

Contudo, as negociações não são fáceis. Enquanto os norte-americanos insistem na necessidade de todos os países serem obrigados a cortar Emissões, o bloco das nações em desenvolvimento se recusa a ter metas vinculantes, alegando que não podem pagar uma conta acumulada pelos mais ricos, desde a revolução industrial.

Proposta brasileira

Para Lima, o Brasil, um dos principais negociadores da América Latina, vai levar a proposta de que todos os países assumam compromissos a partir de 2020 para redução das Emissões. Contudo, os desenvolvidos terão obrigações, enquanto os demais adotarão progressiva e compulsoriamente as medidas. “Esses compromissos seriam estabelecidos ao longo do tempo. Isso tudo tem que ser negociado, para 2030, 2040…, de uma maneira que tudo possa ser convergente para o centro, em que todos estariam em um determinado momento do século reduzindo Emissões em caráter compulsório”, disse a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, por meio da assessoria de imprensa do Palácio do Planalto.

À frente das negociações da missão brasileira, José Antonio Marcondes de Carvalho, subsecretário-geral de Meio Ambiente, Energia, Ciência e Tecnologia do Ministério das Relações Exteriores, disse que a reunião de Lima é fundamental para se chegar a um acordo no próximo ano. “Hoje, não temos ainda um rascunho negociador. Um dos resultados esperados é podermos avançar na elaboração dos elementos do novo acordo, que será concluído no ano que vem”, afirmou, à Agência Brasil.

 

Lima aguarda os mandatários dos países-membros da Aliança do Pacífico (México, Chile e Colômbia), além do líder boliviano, Evo Morales. A COP 20 não está na agenda da presidente Dilma Rousseff. Causou estranheza aos participantes do evento o fato de o presidente peruano, Ollanta Humala, não ter comparecido à cerimônia de abertura do evento. Ele deu boas-vindas aos participantes por meio de uma mensagem gravada no Palácio do Governo. “É hora de retomar o caminho correto, façamos nosso trabalho, bem-vindos à COP 20 e à conferência do Protocolo de Kyoto, bem-vindos à ação”, disse.

A ausência foi duramente criticada pela oposição do país. “Humala, em vez de inaugurar a COP 20, manda uma mensagem gravada. Essa é a importância que dá às Mudanças Climáticas”, escreveu o congressista Alejandro Aguinaga, em sua conta do Twitter. Kenji Fujimori, filho do ex-presidente peruano Alberto Fujimori, também disparou no microblog: “A ausência de OH (Ollanta Humala) na COP é porque, depois de suas Emissões tóxicas contra o fujimormismo, deve estar com alerta laranja ou em quarentena”, ironizou.

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