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O sol é para todos, porém, o cuidado tem de ser redobrado a crianças e idosos

Crianças, idosos e gestantes são grupos que precisam de cuidado redobrado nas praias e nas piscinas. A razão é que suas peles são sensíveis e menos protegidas contra a desidratação

postado em 01/02/2017 19:20 / atualizado em 10/02/2017 16:35

A estação de altas temperaturas acaba em 20 de março, contudo, se não tomado o devido cuidado, seus efeitos podem perdurar uma vida inteira. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), o Brasil é o campeão em casos de câncer de pele. Um dos principais erros apontados pelos especialistas é subestimar o efeito do sol no organismo. Muitos deixam de se proteger dos raios solares pelo fato de o dia estar nublado. Resultado: não reaplicam o protetor solar com a frequência indicada nem se hidratam o suficiente. É aí que mora o perigo.
 
 Minervino Junior/CB/D.A Press.
Leila Martinez, 54 anos, aposentada, é categórica ao afirmar: “Sempre gostei de tomar sol. Sou carioca e moro em Brasília desde os 5 anos. Nas férias, praia; em Brasília, piscina sempre que possível”. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, 75% da radiação acumulada em toda a vida acontece entre 0 e 25 anos, o que reforça o uso de protetor solar independentemente da estação do ano.
 
Ela conta que sempre brincou na rua sem usar protetor solar e que, apesar de ter uma relação de muito prazer com o sol, aprendeu a importância de se proteger. “Quem gosta de sol acaba respeitando os melhores horários e não abre mão dos protetores solares, sem deixar de lado o bronzeado. Procuro o equilíbrio saudável, com água e sol na medida”, diz. Mesmo sem ter acesso diário a clubes, a aposentada faz questão de separar um horário da manhã para tomar sol na cobertura do apartamento. Manter o bronze é, para ela, uma questão de honra, sem nunca se  esquecer do filtro solar e da ingestão de líquidos.

A rotina de cuidados durante a época mais quente do ano é importante em todas as idades. Mas existem alguns grupos de pessoas que ficam mais suscetíveis a sofrerem os malefícios do calor excessivo. Notadamente, crianças e idosos exigem atenção redobrada. Futuras mamães também devem se manter precavidas quanto ao clima.

Na infância

Perder líquidos é sempre muito perigoso para crianças, ensina a pediatra Andréa Jácomo. Elas suam menos, o que dificulta a regulação da temperatura e facilita a insolação. Esta é preocupante, pois causa vômitos e diarreia, intensificando a desidratação. Entre os pequenos, a falta de líquidos pode ter consequências severas e até levar a óbito. Por tudo isso, controle os horários de exposição ao sol. Nos dias mais quentes, evite o intervalo entre 11h e 17h. Procure locais ventilados e, em espaços abertos, não dispense o guarda-sol, o filtro solar, roupinhas e, se possível, um boné.

Sobre a alimentação, os médicos aconselham que este é o momento ideal de os pais serem mais rígidos com o cardápio dos pequenos. A ideia é limitar o consumo de bebidas açucaradas, doces e frituras. No lugar desses alimentos, ofereça frutas, água de coco e comidas leves. Saiba que a alimentos vendidos por ambulantes sempre tem risco de contaminação. Portanto, melhor evitar.

Na terceira idade

Os sinais mais comuns de insolação e desidratação são: perda de elasticidade dos lábios, boca seca, sede, olhos fundos, irritabilidade, aumento da temperatura corporal e diminuição de urina. A criança também pode ficar apática, em estado letárgico. Diante desses sinais, procure um médico — talvez seja necessária uma reidratação venosa.
 
Com o passar do tempo, o corpo sofre alterações — algumas funções do organismo ficam mais lentas. No calor, é preciso muita atenção com a saúde do idoso. A gerontologista Luciana Louzada esclarece que, com a idade, os idosos vão ficando mais suscetíveis à insolação por conta da diminuição da composição corporal, ou seja, da água intracelular. Quando o idoso é, por algum motivo, dependente do cuidado de terceiros, os riscos de desidratação aumentam muito.

Além disso, uma das mudanças que eles sofrem é a diminuição do tecido adiposo, que funciona como isolante térmico. Assim, pessoas de idade sofrem mais com o calor por não conseguirem refrigerar o corpo de maneira eficiente. A médica geriatra afirma que é importante não submetê-los a lugares abafados e com altas temperaturas. Passeios devem sempre ser feitos com roupas claras, para evitar absorção de calor, além de sempre usar acessórios que protejam o corpo, como bonés, óculos escuros e sombrinhas.

A ingestão de líquidos indicada pela geriatra é de 2 litros por dia, no mínimo. Na praia, o filtro solar deve ser aplicado a cada duas horas, para evitar queimaduras. É muito importante ficar de olho nos sinais de alerta, como aumento da temperatura corporal, fraqueza, edema, cãibra, mucosas secas, confusão mental e até desmaio.

Proteção para dois

As gestantes também precisam  dosar o contato com o sol. Com a gravidez, o corpo já fica com a temperatura elevada naturalmente, e o esforço de carregar um a mais resulta em um desgaste maior. Isso, somado às altas temperaturas, pode causar queda de pressão e até desmaios, informa o dermatologista Moyses Lemos. O ideal é tentar se manter ao máximo na sombra. Caso não seja possível, a orientação é se refrescar com panos úmidos ou borrifar água no rosto, no busto e nos pulsos. Ventiladores portáteis são, sim, uma boa pedida para amenizar o calor.

Devido aos hormônios da gestação, a pele da grávida é mais sensível e vulnerável aos raios UVB. Ela também bronzeia mais rápido e, da mesma forma, é mais suscetível a sofrer queimaduras. Os cuidados com o protetor solar são os mesmos para todas as idades, sendo importante lembrar da reaplicação. A alimentação deve ser leve e em intervalos menores que o usual, para evitar fraqueza.

Não antes dos 6 meses

Arquivo pessoal
 

Recentemente, ocorreu na Austrália um caso que deixou muitos pais preocupados. Um bebê sofreu uma reação alérgica depois de a mãe aplicar um protetor solar infantil. A mulher afirma que a criança não chegou a ser exposta ao sol, e que a vermelhidão e as erupções que apareceram na pele do filho foram causadas apenas pelo produto.

Segundo o dermatologista Moyses Lemos, crianças com menos de seis meses não podem usar protetor solar, e deve-se evitar exposição solar direta. A orientação do médico é sempre ler a bula e conferir a data de validade do produto antes de aplicar. Além disso, procure versões infantis dos protetores.