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PALAVRAS PICANTES

A convite do Correio, leitoras comentam o fenômeno de vendas Cinqüenta tons de cinza e desvendam por que a obra deixa as mulheres em polvorosa

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postado em 31/08/2012 08:00 / atualizado em 04/09/2012 18:55

Um senhor segura um volume de Cinqüenta tons de cinza na fila de uma livraria. Parece ansioso. Uma senhora mais à frente garante o exemplar. Naquele dia, quase 40 cópias seriam comercializadas na loja. Desde o lançamento no  Brasil, há quatro semanas, foram 200 mil. Um recorde. No mundo, o número ultrapassa 40 milhões de unidades. O senhor da fila,quando abordado sobre a compra, responde: “Minha mulher me obrigou”, disse, quase envergonhado, preferindo não se identificar.
 
 Enquanto isso, em Nova York, integrantes de um grupo que luta contra a violência doméstica (Wearside Women in Need) organizam uma fogueira com milhares de exemplares do livros que compõem a trilogia de Érika Leonard James (Cinqüenta tons de cinza é o primeiro deles). O motivo: a obra, que foi apelidada de “pornô para mamães”, incita a violência e a tortura sexual. Pretendem assim levar os “cinqüenta tons” às cinzas,como protesto.

 O livro, que já teve os direitos de publicação vendidos para 41 países e para o cinema, arrebata uma legião de leitores, ávidos pelas experiências dos protagonistas Anastásia Steele (Ana) e Christian Grey (cujo sobrenome em inglês – cinza — faz alusão ao título). Ela, uma jovem virgem de 21 anos. Ele, um milionário sedutor, seis anos mais velho e com um obscuro passado (além de uma longa lista de fetiches). Os encontros tórridos e o frisson erótico causam comoções mundiais. Brasília não fica de fora e também consome os tons da estreante autora britânica, que assina E. L. James.

 Durante um animado encontro em uma livraria, entre cappuccinos e cafés espressos, quatro mulheres se encontraram, a convite do Correio, para trocar ideias sobre o livro. Algumas unanimidades prevaleceram. “Ana sonha com um príncipe. Sofre de baixa autoestima. E busca alguém que a faça crescer. Que mulher não possui esses anseios? A identificação é imediata”, comenta Viviane Cunha, 32 anos, estudante. A professora Monna Povala, 25, acrescenta: “Se retirarmos o sexo, a história que prevalece é genérica, como já a conhecemos. Fácil de nos relacionarmos”.Viviane leu os três volumes em apenas uma semana e Monna termina o segundo. Embora animadas, advertem: “É entretenimento. Para ser lido nas horas vagas. Não é clássico”, alertou Viviane, “Um conto de fadas moderno, com alguns enfeites”, emenda Monna.

 Cabeças abertas

 Embora concorde com as duas, a advogada e professora Mônica Berrondo, 29 anos, acredita que o livro também propõe uma discussão produtiva: “O brasileiro é muito conservador. O livro amplia o diálogo sobre o sexo. Ajuda a abrir as cabeças”. A advogada, que foi atraída pelo título da obra, acredita que toda a polêmica em torno da trilogia só aumenta a curiosidade: “Quem não vai querer ler?”. Joyce Lemos quis. A estudante de 19 anos está fascinada com o livro e justifica o sucesso: “Cresci lendo sobre mocinhas inocentes. Minha geração progrediu e a Ana acompanhou o processo”, revela.

 A conversa terminou com vários consensos: os inúmeros clichês da obra, a fórmula “novela” utilizada (com tons picantes) e os motivos que afastam os homens do livro. “Ana é boba. Sem sal. E Christian, concorrência. É para meninas”, concluiu Viviane, quase em uníssono com as demais.  O livro não é exatamente uma novidade no mercado editorial. Vários autores consagrados já se relacionaram com o erotismo. Desde a filosofia de Marquês de Sade, passando pelos trópicos de Henry Miller, pelas escovadas de Melissa Paranello, chegando aos budas ditosos de João Ubaldo Ribeiro. A originalidade de Cinqüentas tons de cinza talvez esteja na legitimação das fantasias femininas, nos desejos. E elas estão adorando. Sorrindo à toa. Nada de calça jeans por esses dias.

DELÍRIOS DE ANA
Frases da personagem de E. L. James

 “Meus dedos superansiosos desabotoam sua calça, titubeando um pouco. estou muito excitada”

 “Gemo com os lábios entreabertos e empino o corpo, de modo que meus seios enchem minhas mãos”

 “Ele beija meu cabelo, me pega pela mão e me puxa para dentro do chuveiro”

“De repente, ele me pega, me encosta na parede e começa a me beijar toda, no rosto, nos pescoço, na boca… deslizando as mãos pelos meus cabelos”

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