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Música

15 anos esta noite

Em edição comemorativa, o Porão do Rock reúne 40 bandas no complexo do Ginásio Nilson Nelson, hoje e amanhã

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postado em 07/09/2012 13:43 / atualizado em 07/09/2012 17:16

Se fosse uma menina comportada, nesta sexta-feira, ela estaria usando salto alto, joias, o melhor vestido de festa, com maquiagem no rosto e na expectativa para o baile de aniversário. Pela tradição, ao completar 15 anos, a moça é, digamos, “apresentada à sociedade”. O Porão do Rock, por sua vez, é velho conhecido do brasiliense. E chega à 15ª edição não como debutante, mas tarimbado como um dos maiores festivais do país dedicados ao rock.

A programação do PDR em 2012 conta com 40 bandas, que serão distribuídas, entre hoje e amanhã, em três palcos no complexo do Ginásio Nilson Nelson (um deles, dentro do centro esportivo). A estimativa é de 15 horas de música. Na escalação do festival estão 12 bandas nacionais, 23 do Distrito Federal e Entorno e cinco internacionais: o cantor inglês Gaz Coombes (ex-vocalista do Supergrass), os grupos americanos Kyuss Lives! e Red Fang e o uruguaio Motosierra. Com exceção do quarteto latino, todas as outras atrações estrangeiras são inéditas na cidade.

Entre os brasileiros, estão nomes de destaque do cenário alternativo nacional, a exemplo da banda cuiabana Vanguart, do trio carioca Autoramas, da cantora pernambucana Karina Buhr, da banda paulistana Almah e das baianas Vivendo do Ócio e Cascadura. Sepultura, Raimundos e Viper mostrarão no festival repertórios especiais.

Produtor do PDR, Gustavo Sá conta que na segunda ou na terceira edição percebeu que o evento tinha condições de seguir em frente. “Ali eu notei como a cidade tinha absorvido o Porão, como o público já se sentia dono dele”, comenta. O festival surgiu em 1998 da união de 15 bandas que ensaiavam no subsolo da comercial da 207 Norte, local apelidado justamente de Porão do Rock. Ao longo dos anos, mais de 340 bandas/artistas se apresentaram no PDR.

O maior desafio de realizar o festival, conta Gustavo Sá, ainda é a capitação de recursos, que se dá de maneira burocrática e lenta — e acaba inviabilizando, por exemplo, a vinda de algumas bandas internacionais que pedem uma negociação mais antecipada. Para o produtor, um dos melhores momento da história do Porão foi o show do trio britânico Muse, no PDR 2008. “Foi um divisor de águas na história do evento. Aquele foi um ano complicado para o festival. Mas conseguir trazer para Brasília uma banda do tamanho do Muse mostrou que valia a pena continuar brigando.”

Você sabia?
Das 15 bandas que formaram o Porão do Rock, apenas uma não participou da primeira edição, em 1998. O Rumbora estava em São Paulo gravando o primeiro disco.

A segunda edição (assim como a primeira, na Concha Acústica), promoveu a reunião da formação original da Plebe Rude, após quase 10 anos de separação.

A terceira edição, em 2000, registrou 140 mil pessoas em dois dias, recorde de público até hoje do PDR. Daquele ano até 2008, o Porão foi realizado no estacionamento do Estádio Mané Garrincha.

Devido a complicações na captação de recursos, o festival em 2002 foi realizado em apenas um dia. Naquele 30 de junho, o Brasil derrotou a Alemanha e conquistou o pentacampeonato mundial de futebol. As camisetas pretas se misturaram com as amarelas.

A edição de 2003 foi a primeira a ter ingressos cobrados. Entre as atrações estava a ainda pouco conhecida Pitty. Outra novidade foi a tenda com DJs de música eletrônica.

A primeira atração internacional do PDR, a banda Peligro (liderada pelo ex-baterista do Dead Kennedys), veio ao Porão em 2004.

Em 2005, o festival foi realizado em três noites, divididas por estilos (a primeira, por exemplo, teve só bandas de rock pesado). A tenda de DJs passou a abrigar também rock e black music.

Três atrações internacionais vieram em 2006: Paul Di’Anno (Inglaterra, ex-Iron Maiden), Los Natas (Argentina) e Supersónicos (Uruguai).

Mais gringos vieram em 2007: Mudhoney (EUA), The Bellrays (EUA), Satan Dealers (Argentina) e Born a Lion (Portugal).

Em 2008, o festival cresceu em estrutura e quantidade de atrações. Passou a ter três palcos, sendo dois principais e um paralelo. Entre as cinco atrações internacionais estavam a banda inglesa Muse e a norte-americana Suicidal Tendencies.

Em 2009, antecipando as comemorações do cinquentenário de Brasília, o festival promoveu a reunião de bandas da cidade que estavam inativas: Little Quail, Maskavo Roots, Escola de Escândalo e Fallen Angel/Dungeon. A homenagem à Legião Urbana foi prestada por Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá com a participação de vários convidados.

Em 2011, um recorde de atrações na história do festival: 43. A estrutura foi a mesma do ano anterior, com três palcos simultâneos, mas retornou ao formato de duas noites. Entre os estrangeiros, Helmet, Jon Spencer Blues Explosion, The DT’s (EUA), Symfonia (Finlândia) e The Tormentos (Argentina). O Porão promoveu ainda noites especiais em São Paulo e em Buenos Aires.

Os gringos do Porão

Saiba quem são as cinco atrações internacionais que se apresentam nesta 15ª edição do PDR

  

Gaz Coombes
Devido a diferenças musicais entre os integrantes, a banda inglesa Supergrass se separou em 2010, depois de 17 anos de atividade, seis discos de estúdio e uma coletânea. Em maio deste ano, Gaz Coombes (foto), vocalista, guitarrista e principal compositor do grupo lançou seu primeiro disco solo, Here come the bombs. Se o Supergrass era conhecido por um rock ensolarado, melódico, de sotaque retrô, Coombes em carreira solo aposta em canções mais intimistas, por vezes sombrias. Ele gravou o disco em casa, no próprio estúdio, tocando todos os instrumentos (contando com uma mãozinha do produtor Sam Williams). Ao vivo, o guitarrista é acompanhado pela The Bombs: o irmão Charly Coombes nos teclados, o baterista Loz Colbert (ex-integrante do Ride), e o baixista Joe Charlett (ex-Spring Offensive). “Além das músicas do disco, devemos tocar versões de canções que eu amo e talvez algumas surpresas, como músicas do Supergrass”, adianta o cantor.

  

Motosierra
Parte do rock’n’roll é o espetáculo, o músico “dando sangue” em cima do palco. Algumas bandas levam isso ao pé da letra. Vocalista da banda uruguaia Motosierra, Marcos Fernández é esse tipo de figura. Quando o grupo tocou em Brasília, em 2011, ele quase voltou para casa machucado. Turbinado por doses de absinto, deu um show à parte. “Comecei a xingar, fiquei pelado, a pular no público e todo mundo atirando garrafas e latas em mim e na banda. Só fiquei ciente disso depois, assistindo aos clipes no YouTube. Voltei a mim ao meio-dia, andando coberto de lama pelos corredores do hotel, berrando ‘cadê a grana’?”, lembra o músico. Recentemente, ele quebrou a perna num show e ficou dois meses imobilizado. “Agora vou ter mais calma. Tenho 38 anos e já deu. Só estou a fim de fazer um bom show”, avisa. Influenciados por Motörhead, Iggy Pop e Turbonegro, o grupo é formado ainda por Luis e Leroy Machado (guitarras), Álvaro “Walo” Crespo (bateria) e Leonardo “Leito” Bianco (baixo).
  

Trivium
O nome Trivium (foto) pode ainda não soar familiar para o fã casual de heavy metal, mas talvez seja uma questão de tempo, dada a popularidade crescente que esse quarteto americano vem ganhando. Formada por Matt Heafy (voz e guitarra), Corey Beaulieu (guitarra e backing vocal), Nick Augusto (bateria) e Paolo Gregoletto (baixo), a banda tem cinco álbuns no currículo e diversas turnês internacionais fazendo o show de abertura para grupos veteranos do som pesado. As referências do quinteto estão no heavy metal tradicional, no thrash metal e no metalcore. Suas músicas revezam passagem mais calmas e melódicas, com muitos solos e uso de guitarras gêmeas (uma marca registrada do heavy clássico), e outras mais porrada, com bumbo duplo e riffs duros. Os vocais também se alternam entre o canto e o berro. Com tudo isso, o Trivium soa como uma banda contemporânea de metal. O mais recente disco do quarteto, In waves, foi lançado no ano passado.
  

Kyuss Lives!
Não faltaram convites antes, mas foi somente em 2010 que ex-integrantes do Kyuss se reuniram — sob o nome Kyuss Lives! (foto) — para tocar as músicas da banda outra vez. O grande interesse pelo grupo só cresceu desde o fim da carreira, em 1995. “No final dos anos 1990, estava claro para nós que uma fiel base de fãs, que não existia antes, tinha se desenvolvido”, comenta o baterista Brant Bjork. Da formação clássica, além do baterista, está o vocalista John Garcia. A eles se juntaram Bruno Fevery (guitarra) e Billy Cordell (baixo). Os quatro estão gravando um novo disco, que será lançado em 2013. Impossível falar de stoner rock sem mencionar o Kyuss, banda seminal para a popularização dessa sonoridade que bebe do hard rock, da psicodelia e do punk/hardcore. “Vemos o gênero simplesmente como rock clássico, no sentido de celebração da era de ouro do rock’n’roll dos anos 1960 e 1970. E não apenas o que tocava no rádio, mas coisas underground também, como Hawkwind e Blue Cheer”, diz Brant Bjork. Josh Homme, guitarrista original do Kyuss, atualmente lidera o Queens of the Stone Age. Ele não curtiu a ideia do Kyuss Lives! e está processando os ex-colegas.

Red Fang
Quarteto formado por Bryan Giles (guitarra e voz), Aaron Beam (voz e baixo), David Sullivan (guitarra) e John Sherman (bateria), o Red Fang vem se destacando no cenário stoner rock. O grupo surgiu em 2005 e tem dois discos lançados, Red Fang (2009) e Murder the mountains (2011). “Adoro a crueza e a energia do primeiro álbum. Claro que a música Prehistoric dog é uma favorita, mas gosto de Humans remain human remains. Murder the mountains é o primeiro disco ‘de verdade’ que eu fiz e tenho orgulho de tudo nele”, comenta o baixista Aaron Beam. A banda é dona de videoclipes divertidíssimos, todos dirigidos por Whitey McConnaughy. “Depois de anos o importunando, ele finalmente concordou e nos apresentou a ideia de Prehistoric dog. Tem sido mágico desde então”, brinca Aaron Beam.

 

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