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Papo bossa

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postado em 12/09/2012 13:53 / atualizado em 12/09/2012 13:52

A praça central do Centro Cultural Banco do Brasil será tomada hoje pelas vozes de Miúcha e Roberto Menescal na edição do projeto Sarau de Ideias. Mas nenhum deles veio à capital para fazer um show. A ideia é reunir os artistas com o público para um debate sobre a história da música e, no caso deles, da bossa nova. O papo da vez será sobre as origens do movimento e até onde vão as influências do jazz nos acordes criados pelos músicos brasileiros. Nesse debate, vai ser difícil ficar sem cantar um pouco. “Vou trocar ideias e trocar notas também. É bom para exemplificar o que a gente tá falando. Não tem nada preparado, mas pelo menos uma despedida a gente faz”, garante Menescal.

Para o músico capixaba, a ideia é oportuna porque permite discutir o que acontecera com a música brasileira naquela segunda metade do século 20. Menescal  afirma que o sucesso do movimento foi algo que ele jamais poderia ter imaginado quando começou as samba sessions com os amigos. “Pensava: ‘Se durar um ano essa onda, vai ser legal demais. Aí durou, né? A coisa cresceu e estamos presos à bossa até hoje”, brinca.

Para o músico, que tinha 17 anos à época, a bossa foi uma necessidade de criar um ritmo que fosse similar ao do samba-canção, mas cujas letras fossem mais leves. Somando isso ao encanto com a imagem do artista de paletó e gravata frouxos, uísque em uma mão e cigarro na outra, envolto em fumaça, tocando jazz, surgiu o novo ritmo. “A gente viu que dali tinha saída para a música brasileira, o que acabou virando a bossa nova”, lembra Menescal.

Olhar de Miúcha
Miúcha aprendeu os primeiros acordes de violão com ninguém menos que Vinicius de Moraes. “Era aquele bando de criança que queria ficar acordada ouvindo as histórias dele. Acho que o Vinicius foi responsável pela família toda cair de boca na música”, constata. Anos mais tarde, casou-se com João Gilberto. Sua ligação com o nascimento da bossa não é tão forte. Estava em São Paulo na época, mas fez história na segunda geração, ao lado de Tom Jobim, Toquinho e Vinicius, além do ex-marido.

Para Miúcha, a influência para o surgimento da bossa nova não foi o ritmo americano, mas uma reformulação do que havia no Brasil. “Surgiu a partir de coisas que existiam na música brasileira  foi João Gilberto que criou o ritmo, uma novidade”, defende. Para ela, um motivo que comprova que o jazz não teve essa importância toda na gênese da bossa nova foi o sucesso que a bossa nova fez nos Estados Unidos. “Se fosse parecido, não teria sido tão interessante para eles. Acho que justamente por ser tão diferente de tudo que eles tinham ouvido até então que a batida brasileira funcionou”, acredita. O debate promete uma troca de ideias entre os dois artistas, sobre a influência (ou não) do ritmo no Brasil. A mediação será de Nicolas Behr.


SARAU DE IDEIAS
Hoje, às 19h30, no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil, SCES, Tc. 2, Cj. 22; 3108-7600). Entrada franca mediante retirada de senha uma hora antes do início do evento. Não recomendado para menores de 12 anos.

 

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