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Sem meias palavras e em apenas 11 faixas, Preta Gil reivindica o direito de ser ela mesma em Sou como sou

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postado em 18/09/2012 08:00 / atualizado em 17/09/2012 12:28

Gabriela de Almeida

Preta Gil levanta várias bandeiras. É contra a homofobia e a ditadura da magreza e defende com unhas e dentes todas as suas opiniões. Talvez, por isso, tenha sido atacada diversas vezes em redes sociais por não seguir os padrões, digamos, de uma artista pop clássica: alta, magra e em cima do muro. Diante disso, nada mais normal do que comemorar 10 anos de carreira com o novo álbum, Sou como sou, em que luta contra essa uniformização da sociedade.


A música que intitula o trabalho é uma balada, de Alex Góes, em que Preta canta “Chega de preconceito e viva a união/De toda raça, toda cor, sexo e religião/Quer saber? Sou como sou/ Não quero me encaixar em nenhum padrão”. Abrindo o CD com essa mensagem, Preta destila suas ideias e pensamentos em 11 faixas, em um disco curto, que dura pouco mais de meia hora e acaba antes mesmo de uma ida do Plano Piloto a Águas Claras às seis da tarde. “Não pensei em fazer um CD curto, mas acho que não dá para ficar enrolando. A música tá ali, é aquilo que vamos dizer. No fim, saiu um disco compacto, onde só entraram as músicas que eu sempre quis, sem barriga nenhuma”, defende Preta.


No começo da carreira, há 10 anos, Preta pediu uma música ao pai, Gilberto Gil, e ouviu um sonoro “não”. “Ele mandou eu procurar a minha turma”, relembra a cantora, que depois entendeu a escolha do pai. “Foi preciso eu amadurecer e ele deixar de ter uma visão paternalista comigo. Hoje ele é meu fã, admira a minha luta, o meu trabalho. É muito mais prazeroso quando a música chega naturalmente, com uma carga de merecimento. Ele fez porque ele acreditou em mim como artista”, conta Preta se referindo a Praga, música escrita por Gil para a filha, na qual ele roga uma praga a todos que usam da internet, o “calabouço digital”, como instrumento para falar mal de quem quiser, quando quiser.


Outro que contribuiu para Sou como sou também tem o sobrenome Gil. É Francisco, filho de Preta, que compôs Mulher carioca. “Foi uma emoção enorme quando ouvi a música pela primeira vez. O disco tem meus dois alicerces, a minha raiz e o meu fruto”, baba a cantora. Mas o CD não fica só entre família. A cantora Ana Carolina, autora de Sinais de fogo, um dos principais sucessos de Preta, volta neste trabalho em Batom.


“A Ana é meu talismã, uma das minhas maiores incentivadoras. Ela me conhece muito bem e me presenteou com Batom, uma balada que é a minha cara”, vibra Preta. Outros amigos participam do disco, como Thiaguinho, ex-Exaltasamba, que fez a letra de Tá facil e a quem Preta tece inúmeros elogios pela versatilidade. O funkeiro Naldo, que a convidou para uma faixa do DVD dele, assina Tudo com você, música que, na opinião da cantora, é a que tem mais potencial radiofônico. “O disco todo fala dessa mulher que não é mais submissa, que tem voz no relacionamento. A mulher que vive a liberdade, o que não tem nada a ver com libertinagem”, argumenta Preta. Diante disso, tem como Sou como sou ser mais Preta? Possivelmente não.

Sou como sou

Novo disco da cantora Preta Gil. Produzido por Fabio Lessa e Rannieri Oliveira, 11 faixas. Lançamento Universal Music.
Preço médio: R$ 21,90. 

 

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