SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

De graça

A voz dos guerreiros da arte

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 19/09/2012 08:00 / atualizado em 18/09/2012 10:53

De hoje a 27 de novembro, o Espaço Cena (205 Norte) exibe gratuitamente a série cinematográfica Iconoclássicos, celebrada coletânea do cenário cultual paulistano. Todas as terças-feiras, sempre às 19h30, o público da capital poderá conferir documentários, de olhar delicado e autoral, que retratam os artistas brasileiros contemporâneos e suas linguagens. A abertura da programação apresenta o compositor Itamar Assumpção, com o filme Daquele instante em diante, pelas lentes de Rogério Velloso.

Ao todo, serão cinco filmes que se colocam à altura dos protagonistas: além do músico Itamar Assumpção, o escritor Paulo Leminski, o artista plástico Nelson Leirner, o ator e diretor José Celso Martinez Corrêa e o cineasta Rogério Sganzerla. Essa é a primeira vez que os documentários serão apresentados em Brasília, com exceção de Evoé! — retrato de um antropófago (dia 27 de novembro), que ganhou uma sessão inédita no último Cena Contemporânea, causando impacto positivo na plateia.

Quem teve a oportunidade de assistir acompanhou um dos maiores ícones do teatro brasileiro, José Celso Martinez Corrêa, exposto ao limite de sua vida e obra, de maneira crua e apaixonada — como o próprio fundador do Teatro Oficina e figura agregadora de idolatria e aversão. A ideia dorsal foi pegar quatro pontos cardeais que dariam um norte à figura controversa de Zé Celso.

Grécia viva
O primeiro deles é a Grécia e tudo o que representa: Baco, teatro grego, vinho, carnaval e surubas. O documentário traz cenas impagáveis do diretor em Epidauros. Em seguida, a viagem segue para o sertão da Bahia. “A questão da terra é muito forte para ele. A influência de Euclides da Cunha e toda uma vertente mais masculina, patriarcal. A energia do cangaceiro, do jagunço”, observa o diretor Tadeu Jungle, que dirigiu quatro DVDs de espetáculos do Teatro Oficina. A cineasta Elaine César, que também estava assinava a direção, batalhava contra um câncer e morreu logo após o processo das filmagens.

Até o fim, o documentário assume novas frequências e embarca Zé Celso até a praia de Coruripe, em Alagoas. “Ali começa a antropofagia, o ano zero, a deglutição do Bispo Sardinha, e não a missa. É uma frequência oswaldiana, mais feminina, da água, do mar”, aponta o diretor. Finalmente, os pólos se completam em São Paulo, na história do terreiro do Oficina, síntese de tudo. Cenas inéditas de Silvio Santos em (des)acordo com Zé Celso enquanto líder da associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona fecham o ciclo e encerram o documentário, surpreendentemente, como um percurso de razão e completa coerência. “Ele é um personagem em si próprio. Zé Celso carrega a própria obra. É a única pessoa que conheci que pode falar que só fez o que quis”, completa Jungle. O documentário encerra em 27 de novembro a série idealizada pelo Itaú Cultural e imprime a tônica de qualidade que marca as outras obras a serem apresentadas. (CM)


Espaço Cena (205 Norte)
Não recomendado para menores de 16 anos. Entrada franca. Informações: 3349-3937.


Programe-se

Hoje, terça, às 19h30
Daquele instante em diante: Itamar Assumpção, por Rogério Velloso

09 de outubro, terça, às 19h30
Existo: Paulo Leminski, por Cao Guimarães

23 de outubro, terça, às 19h30
Assim é se lhe parece: Nelson Leirner, por Carla Gallo

6 de novembro, terça, às 19h30
Mr Sganzerla – Os signos da luz: Rogério Sganzerla, por Joel Pizzini

27 de novembro, terça, às 19h30
 Evoé! Retrato de um antropófago: Zé Celso, por Tadeu Jungle e Elaine Cesar
Tags:

publicidade