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Celebração do novo cinema

Apesar de cansativo, festival recupera a tradição de apostar em jovens cineastas. Mas a divisão entre ficção e documentário merece ser revista

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postado em 24/09/2012 13:15 / atualizado em 24/09/2012 13:17

Nos discursos de palco, reinaram agradecimentos protocolares e gestos educados. A provocação e a polêmica chegaram tarde, no penúltimo dia de mostra competitiva, com a numerosa equipe do curta brasiliense A ditadura da especulação e a leitura interrompida de uma enorme carta de protesto. No auditório, o senta e levanta denunciou uma certa estafa, proporcionada pela divisão da competição pelos troféus Candango entre documentário e ficção. A sala, em nenhuma sessão, chegou a ficar lotada.

Para quem não desistiu do assento apertado e rígido, dores na coluna. Durante a projeção, inadequada para o tamanho da Sala Villa-Lobos, a acústica ruim, os problemas com formato de arquivos de vídeo digitais e os erros de equalização frustraram o ritual de cinema. Questão que, pela ótica do responsável, Patrick de Jongh, deveria ser creditada à insolúvel problemática do projeto de Oscar Niemeyer. O Teatro Nacional anulou o burburinho que preenchia todos os cantos do Cine Brasília. A distância relativa de cafés e lanchonetes, concentrados numa minúscula praça de alimentação, fez muita gente ir embora mais cedo.

Não foi um festival de filmes ruins — a seleção de títulos pernambucanos, em especial, reuniu numa só semana imensa variedade de estilos e vozes. No âmbito geral da produção nacional, vieram crônicas urbanas canalizadas por narrativas pessoais e tensões entre sujeito e cidade, casa e rua. Praia, mar e água surgiram na tela como espaços simbólicos de catarse, sublimação e liberação. Foi um festival de conceitos e escolhas discutíveis — e discutidas. A exibição de O som ao redor, de Kleber Mendonça Filho, foi paradoxal: o excelente longa, recusado pela comissão de seleção em 2011, retornou na 45ª edição como principal destaque da Mostra Panorama, dedicada ao “melhor” da cinematografia recente. Se, historicamente, hibridez de linguagem e gênero não importava — as animações circulavam livre entre os curtas e os documentários ombreavam com longas de ficção na première —, em 2012 a categorização incomodou bastante.

A começar pela curadoria calcada na separação entre o que é real e o que é ficção. “Achei meio retrógrada essa coisa de diferenciar. Já tentei compreender a intenção do festival, que é dar mais um panorama dos formatos, mas acho que em termos de linguagem e gênero passou há muito tempo. Os filmes têm que ser considerados enquanto cinema, propostas audiovisuais e narrativas. É antiquado pensar em gênero”, observou Marcelo Lordello, pernambucano que assina Eles voltam. Cao Guimarães também não aprovou. “Elementos ficcionais e documentais estão presentes em vários filmes feitos por aí. Eu sempre fico na dúvida: vou mandar para qual, ficção ou documentário? O que é o meu filme? Não é uma questão que eu queria me colocar. É limitante, categorizante”, disse o realizador do doc Otto.

Mudança
A insatisfação com a má qualidade das projeções permeou o discurso dos participantes. “Não é nem culpa do festival, mas existe uma mudança acontecendo nos festivais que é a passagem de película para digital. E agora existe o DCP, que é um formato digital que tem um padrão, mas que você pode fazer funcioná-lo de formas diferentes. Isso trouxe problema para o festival na hora de exibir os filmes. Mas talvez seja um problema mundial”, disse Eduardo Serrano, montador de Doméstica, A onda traz, o vento leva e Eles voltam.

Doméstica, uma das novidades mais interessantes da competição, concentrou elogios por exibir o cotidiano de secretárias do lar numa narrativa arriscada, possibilitada pelo envio de câmeras a adolescentes, os diretores “primários” do longa assinado pelo recifense Gabriel Mascaro. “Acho que foi uma produção importante para o documentário brasileiro. Esse é um festival fundamental para este cenário”, apontou Felipe Chimicatti, codiretor do curta mineiro Empurrando o dia.


OS CANDANGOS

JÚRI OFICIAL

FICÇÃO

Longa-metragem


Filme     R$ 250 mil
Direção     R$ 20 mil
Ator     R$ 5 mil
Atriz     R$ 5 mil
Ator coadjuvante     R$ 3 mil
Atriz coadjuvante     R$ 3 mil
Roteiro     R$ 5 mil
Fotografia     R$ 5 mil
Direção de arte     R$ 5 mil
Trilha sonora     R$ 5 mil
Som     R$ 5 mil
Montagem     R$ 5 mil

Curta-metragem

Filme     R$ 20 mil
Direção     R$ 5 mil
Ator     R$ 3 mil
Atriz    R$ 3 mil
Roteiro    R$ 3 mil
Fotografia    R$ 3 mil
Direção de arte    R$ 3 mil
Trilha sonora    R$ 3 mil
Som    R$ 3 mil
Montagem    R$ 3 mil

Curta-metragem  de animação

Filme    R$ 20 mil

DOCUMENTÁRIO

Longa-metragem


Filme     R$100 mil
Direção     R$ 20 mil
Fotografia     R$ 5 mil
Direção de arte     R$ 5 mil
Trilha sonora     R$ 5 mil
Som     R$ 5 mil
Montagem    R$ 5 mil

Curta-metragem

Filme    R$ 20 mil
Direção    R$ 5 mil
Fotografia    R$ 3 mil
Direção de arte    R$ 3 mil
Trilha sonora    R$ 3 mil
Som    R$ 3 mil
Montagem    R$ 3 mil

Júri popular

Longa-metragem     R$ 20 mil
de ficção    
Longa-metragem    R$ 15 mil
documentário     
Curta-metragem     R$ 10 mil
de ficção    
Curta-metragem      R$ 10 mil
documentário     
Curta-metragem      R$ 10 mil
de animação    

PRÊMIO DA CRÍTICA

Longa-metragem

Curta-metragem

PRÊMIO SARUÊ


Conferido pela equipe de cultura do jornal Correio Braziliense.

MOSTRA BRASÍLIA

Troféu Câmara Legislativa do Distrito Federal para filmes locais


Longa-metragem     R$ 80 mil
Curta-metragem     R$ 30 mil
Direção     R$ 6 mil
Ator     R$ 6 mil
Atriz     R$ 6 mil
Roteiro     R$ 6 mil
Fotografia     R$ 6 mil
Montagem     R$ 6 mil
Direção de arte    R$ 6 mil
Edição de som     R$ 6 mil
Captação de som direto     R$ 6 mil
Melhor trilha sonora    R$ 6 mil

Júri popular

Longa-metragem     R$ 20 mil
Curta-metragem     R$ 10 mil


45º FESTIVAL DE BRASÍLIA DO CINEMA BRASILEIRO
Hoje, às 20h, entrega dos troféus Candango, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Claudio Santoro. Somente para convidados.
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