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E a Pantera riu

Dois fenômenos do YouTube, a dama do teatro experimental, Maria Alice Vergueiro, e Os Melhores do Mundo encontraram-se em São Paulo e trocaram impressões

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postado em 27/09/2012 08:00 / atualizado em 26/09/2012 13:29

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

São Paulo — A vida é mesmo uma caixinha de surpresas. No último domingo chuvoso na capital paulista, dois fenômenos do YouTube ficaram frente a frente. Da plateia do Credicard Hall apinhado de gente, Maria Alice Vergueiro, que protagonizou o hit Tapa na Pantera (2005), acompanhou atentamente, pela primeira vez, a performance no palco da Cia. de Comédia Os Melhores do Mundo, que se nacionalizou com o quadro Joseph Klimber (2006). Do camarote, viu o grupo orquestrar o espetáculo Hermanoteu na terra de Godah com comunicação impressionante.

— Eles são anárquicos. Há uma energia de commedia dell’arte ao mesmo tempo em que me faz lembrar as grandes revistas, quando exímios comediantes entravam em cena para fazer uma crônica política do cotidiano, pontuou a atriz.

Juntos, Maria Alice Vergueiro e Os Melhores do Mundo movimentaram algumas dezenas de milhões de internautas no momento inicial da criação do site de compartilhamento de vídeos no Brasil. Só os originais de Tapa na Pantera e de Joseph Klimber têm mais de 20 milhões de acessos. Isso sem contabilizar os arquivos secundários e as sem-número de paródias, que surgiram dessas matrizes. Em comum, tiveram as carreiras redimensionadas.

Ela, aos 70 anos, com uma trajetória ímpar no teatro nacional (fundadora do Ornitorrinco, integrante histórica do Oficina e reconhecida como a principal atriz brecthiana da cena brasileira), conheceu a fama com uma audiência novíssima. Eles, que vinham numa história crescente para conquistar o eixo Rio-São Paulo, experimentaram sucesso sem precedentes, trocando teatros convencionais por casas de shows para público acima de 2 mil espectadores por sessão.

— Cada vez mais eu dou valor a quem tem história. Maria Alice Vergueiro é uma referência para todos nós. Dona de uma trajetória tão bonita, que teve aquela levantada com o YouTube. Está aí firme e forte trabalhando. Fiquei feliz em saber que ela saiu de casa para conhecer a gente. Respeito muito tudo isso, emocionou-se Adriana Nunes.

A decisão de ir ao teatro conhecer o grupo brasiliense surgiu, em casa, no fim de semana. Maria Alice Vergueiro ficou maravilhada ao saber que a companhia, que tem forte referência com a internet, leva aos teatros de Norte a Sul 180 mil pessoas por ano.

— É um fenômeno! Precisava conhecê-los. Saber como eles se mantêm na mídia sem a televisão. Estou impressionada com a história deles, declarou

Imediatamente, ela correu para o YouTube e assistiu aos vídeos de Joseph Klimber e do Assalto, ambos quadros do Notícias populares. Riu bastante.

— O texto é muito bom. É deles? Como é que não tinha visto isso antes?

Convencida de que não poderia ficar de fora desse encontro, ligou para o amigo pianista Carlos Blauth e recrutou a assistente e cuidadora Maria Cícera, que a acompanha a todas as peças de teatro, e rumou para a casa de shows. Ao saber do desejo da atriz, a produção de Os Melhores do Mundo colocou convites à disposição.

— É uma honra receber a Pantera, dama do teatro, que me fez rir tanto com aquele vídeo surreal (da senhora que fuma maconha e toma chá todo dia) . Somos fãs, revelou Welder Rodrigues.

As 3 velhas
Maria Alice Vergueiro, que, depois do Tapa na Pantera, conduziu um dos espetáculos mais contundentes da dramaturgia nacional, As 3 velhas (três anos em cartaz com passagens por Brasília e Havana), foi recebida no camarim e quis saber os “segredos” da companhia. Descobriu que eles trabalham em regime de cooperativa, no qual todos ganham ou perdem por igual.

— Isso explica muita coisa. Todos têm autonomia artística e empresarial. Essa ênfase na relação de trabalho é fundamental para a realização de um espetáculo apoiado no improviso, nos cacos, na intimidade que um ator tem com o outro. Aí reside o artístico. Brecht dizia que o estético está intimamente ligado ao ético. Vejo isso na relação deles. São inteligentes, há química, dinâmica, uma confiança um no outro para essa composição anárquica que está na base dos movimentos da contracultura. Acredito que eles podem fazer de um Tchecov a um besteirol que haverá qualidade, observa Maria Alice.

— Fiquei até um pouco desconcertado de ouvir tantas observações de uma artista tão emblemática como Maria Alice Vergueiro. Ela disse coisas que a gente não costuma ouvir do espectador comum. Falou, com uma propriedade de mestre, do ritmo, da dinâmica e, sobretudo, da forma como fazemos nosso teatro. Foi inesquecível, emendou Adriano Siri.

— Quero vê-los de novo. Mas gostaria de assisti-los na intimidade de um teatro e não na amplitude de uma casa de show, desejou a dama.


HERMANOTEU NA TERRA DE GODAH
Sala Villa-Lobos (Teatro Nacional, Setor Cultural Norte, Via N2; 3325-6239). Sexta e sábado, às 21h e domingo, às 20h. Sábado, sessão extra às 18h30. Ingressos: R$ 60 e R$ 30 (meia). Assinantes do Correio têm 50% de desconto na compra do ingresso inteiro (cupom Sempre Você). Não recomendado para menores de 14 anos.


20 milhões
Número de acessos dos vídeos  originais de Tapa na Pantera e Joseph Klimber

 

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