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postado em 04/10/2012 08:00 / atualizado em 03/10/2012 10:22

O fotógrafo francês Yann Arthus-Bertrand expõe, na cidade, imagens aéreas vistas por mais de 120 milhões de pessoas em 110 países








Foi no Rio de Janeiro que o fotógrafo francês Yann Arthus-Bertrand pensou, pela primeira vez, no projeto megalomaníaco empreendido durante os últimos 20 anos. De passagem pela capital fluminense durante a Eco 92, Bertrand imaginou uma série de fotografias de vistas aéreas das paisagens do planeta. Começou modestamente e hoje o ensaio A Terra vista de céu, em cartaz no Museu Nacional Honestino Guimarães (Complexo da República), a partir de amanhã, conta com imagens de 120 países. No Rio, o fotógrafo ouviu falar pela primeira vez em desenvolvimento sustentável e em grandes conferências sobre o clima. Hoje, a descrença na vontade política e a militância ecológica injetada no sangue naquele 1992 correm por veias distintas.

Bertrand não acredita mais em movimentos políticos no sentido de mudanças capazes de controlar o aquecimento global e a deterioração causados pelas mudanças climáticas. No entanto, tem fé no alcance individual das mensagens de conscientização. E as fotos fazem parte dessa trilha. Com a fundação Good Planet, ele desenvolve projetos de compensação de carbono em parcerias com ONGs e programas de conscientização, além de experiências artísticas como o trabalho7 bilhões de outros. Na obra, o fotógrafo pergunta a cidadãos de países do mundo inteiro em que consiste a felicidade.

A Terra vista do céu foi o ponto de partida para projetos relacionados ao meio ambiente. Além de uma série de televisão e de filmes como Home e Planeta oceano, que será exibido durante a exposição, Bertrand continua a utilizar a fotografia como instrumento de sensibilização. “Uma coisa que descobri fazendo esse trabalho: é importante fazer”, explica o fotógrafo, que desembarca em Brasília amanhã e está decepcionado por não ter conseguido organizar uma sessão de fotos aéreas da capital. “No momento em que nos transformamos com o trabalho, percebemos que as coisas estão acontecendo na Terra e que é preciso ajudar. Faço isso porque acredito que as pessoas que dividem, compartilham e amam são mais felizes que as outras. Quando temos convicções profundas e queremos mudar, não ficar de braços cruzados pode ser muito produtivo. Hoje, viver de olhos abertos é viver na solidariedade.”

Aos 66 anos, o fotógrafo nascido em Paris ainda fica deslumbrado quando se depara com novas paisagens. No Brasil, registrou a Amazônia, São Paulo, as plantações de soja e a fronteira do Sul. Nem sempre, no entanto, ele chega a aterrissar nos lugares que sobrevoa. “Há lugares, como a Rússia, aos quais fui duas ou três vezes mas que não conheço. Quanto mais eu voo, menos eu conheço.” Em Brasília, a exposição vista por 120 milhões de pessoas em 110 países será apresentada a céu aberto, uma tradição que Bertrand faz questão de manter em cada exibição. No chão da praça do Museu Nacional, haverá também um planisfério de 200 m² com marcações nos pontos com maiores problemas ambientais.


A TERRA VISTA DO CÉU
Exposição de fotografias de Yann Arthus-Betrand. Visitação a partir de amanhã e até 18 de novembro na Praça do Museu Nacional da República. 

Paisagem preferida
São as que ainda não fotografei, as que vou ver amanhã. Sempre me espanto com a beleza potente do mundo. Não me canso disso. Tenho 66 anos e ainda sou capaz de gritar de alegria na frente de uma bela paisagem. O aéreo nos dá novas perspectivas do mundo. O homem sempre esteve pregado à Terra e o fato de poder voar dá a oportunidade de ver o mundo de uma maneira diferente. O mundo é mais bonito lá de cima.

Mudança climática
A mudança climática já começou e é evidente que isso não poderá mudar porque não conseguimos mudar nossa maneira de consumir. Essa vontade do mundo de sempre ter mais não pode ser interrompida. Para isso, seria preciso passar por uma revolução, mas não uma revolução política porque temos os políticos que merecemos e eles fazem o que pedimos. Enquanto não quisermos mudar, teremos políticos que não querem mudar. E não será uma revolução econômica porque a economia nós nem conseguimos controlar a economia: veja o que acontece na Europa. Acho que será uma revolução espiritual, mas não no sentido religioso e sim um questionamento de como posso fazer, como posso mudar, será que posso mudar minha maneira de viver? É totalmente utópico, mas não vejo outra solução.

Fotografias
Como milhões de pessoas, tento participar de um movimento de tomada de consciência. Como jornalista, tento fazer isso, talvez com um pouco mais de convicção que os outros e sem cinismo e nem ceticismo. Acredito nas boas ações. E a beleza é essencial. Olhamos mais ao nosso redor quando temos mais consciência da beleza. Ela nos ajuda a enxergar melhor. Acho que não dá para viver num mundo sem beleza e em minhas fotos tento mostrar isso.

Água X Petróleo
É algo que se diz muito. Vivo em um país no qual a água é abundante, mas tem lugares em que a água é essencial e as crianças precisam andar quilômetros para consegui-la. Se fala muito na guerra da água, mas eu não acredito muito. Acho que petróleo será cada vez mais raro, cada vez mais caro e cada vez mais motivo de guerras.

Energia nuclear
Sou um ecologista bem liberal. Não sou a favor do nuclear porque acho muito perigoso. O lixo nuclear, em relação a tudo que nós jogamos todo dia no meio ambiente, é realmente um problema. Mas não adianta atacar o nuclear se não conseguimos viver com menos energia e menos conforto. 

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