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República de Minas

Fernando Brant e Tavinho Moura se apresentam no aniversário do Feitiço Mineiro, que também será palco do lançamento do livro Pássaros poemas - Aves na Pampulha

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postado em 05/10/2012 08:00 / atualizado em 04/10/2012 10:13

Fernando Brant já havia iniciado a carreira artística, quando, em 1969, ao integrar o júri de um festival universitário em Belo Horizonte, conheceu Tavinho Moura, jovem cantor e compositor que estava entre os concorrentes da mostra, ao lado de Lô Borges, Beto Guedes e Túlio Mourão. Todos, logo depois estariam juntos no mítico Clube da Esquina.

“Tavinho participou do festival com Como vai minha aldeia, dele e do Marcinho Borges e acabamos nos aproximando. Ele então me mostrou outras músicas que havia feito, para trilha do filme O homem do corpo fechado, de Schubert Magalhães. A partir dali surgiu a amizade que mantemos até os dias de hoje. E, claro, nos tornamos parceiros”, recorda-se Brant.

A união poética entre os dois foi além das canções. Há 20 anos, eles vêm dividindo os palcos da vida com um show marcado pela informalidade, em que música, poemas e muita prosa permeiam o roteiro. Desde 2000, contam com uma convidada especial, a cantora Mariana Brant (sobrinha de Fernando), que em maio último radicou-se em Brasília.

Com o show, eles viajaram por várias regiões do país — de Porto Alegre a Fortaleza —, mas foi aqui na capital, onde mais se apresentaram. “Já fomos a Brasília mais de 10 vezes e sempre ao Feitiço Mineiro, para onde estamos voltando. Vamos iniciar as comemorações dos 23 anos desse reduto da música brasileira. Criamos um formato para o shows que nos permite reciclar o roteiro, tirando alguma coisa e acrescentando outras. Há sempre a possibilidade de incluir novas músicas, novos poemas, sem mexer muito com a base”, explica.

Um problema no pé impediu Brant de tomar parte do espetáculo comemorativo dos 40 anos do Clube da Esquina, que ocorreu recentemente no Sesc Paladium, na capital mineira, e na Praça do Mercado, em Diamantina, mas manteve-se atento a tudo e colaborou como pôde.

Tem outra celebração a que ele está atento: “Há 45 anos o Milton (Nascimento) foi descoberto pelo grande público, ao classificar-se em segundo lugar no Festival Internacional da Canção com Travessia, uma composição nossa”, lembra. “Margarida, de Gutemberg Guarabira, foi a vencedora, mas a preferida de quem estava no Maracanãzinho e da crítica foi  Travessia, música que abriu as portas do mundo para o Bituca. Por causa dela, ele assinou contato com uma gravadora norte-americana, pela qual lançou o LP Courage. Depois gravaria o primeiro disco no Brasil, pela Codil, que trouxe duas canções que fiz com ele, Outubro e Travessia. Havia, também, Canção do sal e Morro velho, só dele”, conta.

Há algum tempo sem compor com Milton, Brant atribui esse hiato à agenda do parceiro, “sempre lotada de compromissos”. No …E a gente sonhando, álbum mais recente do cantor, porém, há quatro músicas dos dois: a faixa título O Ateneu, Espelho de nós e Amar faz bem. As duas últimas haviam sido gravadas anteriormente por Simone e Gal Costa”.

Fernando brant e Tavinho Moura
Show dos artistas mineiros, com a participação de Mariana Brant, hoje, às 22h, no Feitiço Mineiro (306 Norte). Couvert artístico R$ 30. Haverá lançamento do livro Pássaros poemas — Aves na Pampulha, de Tavinho Moura (R$ 100). Não recomendado para menores de 18 anos. Informações e reserva de mesas: 3272-3032.

                   Entre pássaros e poemas

Tavinho Moura vai aproveitar a vinda a Brasília para lançar no Feitiço Mineiro, Pássaros poemas — Aves na Pampulha, livro que reúne fotos feitas pelo cantor e compositor, entremeada com poemas sobre aves (leia artigo de Fernando Brant sobre a obra do amigo). Ele revela que a ideia surgiu há cinco anos. “Em minhas caminhadas pela orla da Lagoa da Pampulha, contabilizei 200 espécies diferentes de aves, que habitam ou visitam a região”. Ao ver a cena de um gavião caçando uma pomba, escreveu um poema que viria a ser o primeiro de uma série. As fotos iniciais foram tiradas com máquina emprestada por um amigo.

Pássaros poemas é o segundo livro de Tavinho que, em 2007, lançou Maria de Matué — Uma estória do Rio São Francisco. Ele pretende mudar o conceito de que a Pampulha virou um lugar de lixo. “A lagoa é o nosso maior patrimônio, nosso símbolo maior, Belo Horizonte no mundo. Agregado à sua beleza, existe uma flora e fauna rica e diversificada, que deve ser conhecida, preservada e tratada com dignidade”, defende.

 Dos poemas sobre pássaros que o livro traz, Tavinho escreveu 77. Há textos, também, de Manoel de Barros, Tom Jobim, Fernando Brant, Márcio Borges, Murilo Antunes, Chico Amaral e Renato Teixeira. A obra é enrriquecida com ilustrações em aquarelas de Aandra Bianchi e arrojado projeto de Mariana Hardy.

 No show no Feitiço, Tavinho vai cantar clássicos do seu repertório como Paixão e fé, Cruzada, Calix bento, Tesouro da juventude e O trem tá feio, além de A dama do cabaré, de Noel Rosa. “Em 2010 fiz um show com Macalé e Zé Renato, cantando Noel. O show foi filmado e pretendo usar esse material num curta-metragem. A princípio, o título seria Cinema cantado”, adianta.

Convidada do tio Fernando Brant e de Tavinho Moura, Mariana Brant volta a se juntar a ele no show de hoje. “É sempre um grande prazer dividir a cena com os dois. Quando me convidaram para participar, me senti à vontade no palco, ao lado deles.”

Para a boa nova se espalhar

Queria falar da felicidade, do desejo consciente e inconsciente de ser feliz. É algo que se traz da infância, do companheirismo com a meninada, dos jogos de rua, da molecagem diária. Quanto mais o tempo passa para mim, mais me convenço de como é necessário que todos busquemos ser felizes. São sentimentos para guardar por todo o nosso tempo. A vida real, com suas tragédias e guerras, com o ódio e competição sem freios, parece nos levar para longe desse objetivo.

 
Não que se diga “dane-se” ao mundo. Vivemos nele e não devemos nos eximir de responsabilidades. Mas a bandeira que carrego, e vejo que muitos dos que amo e admiro também a empunham, é a procura de harmonia na vida pessoal , familiar e social. Para alcançar esse oásis em meio ao deserto não é necessário pisar em ninguém nem violentar qualquer princípio essencial. Esse orientar-se no rumo da vida boa e plena nada tem de egoísta. Ao contrário, torcemos para que mais pessoas se juntem a esse nosso anseio.


Quantos mais participarem dessa jornada, mais a boa nova se espalhará. Não é ser irracional ou ignorar o mundo. É ter certeza de que o certo é gozar o dia, a existência. Tem menino que é igual passarinho. Essa é uma impressão que trago de longe, desde que ouvia, num parque em Diamantina, a voz de Luiz Vieira cantando “ sou menino passarinho com vontade de voar.” Sei de um, especial, Tavinho Moura, que acaba de tirar do forno um trabalho de mais de quatro anos: o livro Pássaros poemas — aves na Pampulha. Sabe e pode muito esse criador excepcional, craque em tudo em que se aventura.

 

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