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Caetano e Gil intimistas

Os dois artistas baianos emocionam plateia de convidados em show-tributo a Ulysses Guimarães

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postado em 19/10/2012 08:00 / atualizado em 18/10/2012 10:17

Um raro encontro de dois dos mais importantes criadores da música popular brasileira encheu de encantamento 500 convidados, na noite de terça-feira, em Brasília. Juntos no palco do teatro da Unip, Caetano Veloso e Gilberto Gil recriaram alguns dos seus maiores clássicos, em Navegar é preciso, recital de voz e violão que homenageou a memória do deputado Ulysses Guimarães, na passagem dos 20 anos do desaparecimento desse grande brasileiro.

Nos quase 50 anos de carreira, Caetano e Gilberto Gil se apresentaram lado a lado em apenas cinco shows. O primeiro, Nós, por exemplo, no Teatro Vila Velha, em Salvador (1964), antes da fama. O segundo, para lançamento do movimento tropicalista, na boate Sucata, no Rio de Janeiro (1968). Os outros foram o Barra 69 (1969), com o qual se despediram do Brasil antes de partir para o exílio; Doces Bárbaros (1976), assistido pelo brasiliense, no Ginásio Nilson Nelson; e o do álbum Tropicália 2 (1993).

 Plateia formada predominantemente por políticos de diferentes matizes ideológicos, jornalistas e celebridades, como o apresentador de tevê Pedro Bial, assistiram a um espetáculo único e memorável. Antes, a atriz Mariana Ximenes, na função de mestre de cerimônia, relembrou de forma resumida a trajetória do dr. Ulysses. Representante da família do “Senhor das diretas”, o neto mais velho, Ibsen Guimarães, espalhou emoção com lembranças do avô, em breve fala.

Com estrutura dinâmica, o recital, que durou uma hora e meia, possibilitou a Caetano e Gil juntar as vozes em cinco canções, intercaladas com interpretações de músicas marcantes na carreira de ambos e, claro, na história da MPB. Mesmo sem ter explicitamente essa intenção, o encontro os possibilitou comemorarem no palco os 70 anos de idade, completados por ambos em 2012.

 O repertório foi aberto por Desde que o samba é samba, do Tropicália 2, com os dois dividindo a interpretação. Sozinho, inicialmente, Caetano fez quatro números, Luz do sol, Sampa, Qualquer coisa e Terra. Ao ser chamado de “gostoso” por uma espectadora, o cantor abriu os braços e sorriu meio encabulado. Saudade da Bahia (Dorival Caymmi) voltou a reuni- los — embora tenham se mantido em cena o tempo todo. Na sequência, Gil atacou de Refazenda, Super-homem — A canção e A linha e o linho (uma das que compôs para a mulher Flora), explorando bem a voz e o talento violonístico. Em Three little birds (do DVD Kaya n´gandaya) foi acompanhado por alguns fãs.

 Panis et circensis (cantada em duo) também ganhou coro do público; assim como Cajuína, ouvida em outro momento solo de Caetano ao lado das infalíveis Menino do Rio, Leãozinho  e Um índio. Houve quem seguisse Gil em Domingo no parque e Expresso 2222. Mas, silenciosa, a plateia o ouviu, circunspecto, cantar a pungente Não tenho medo da morte, usando o violão como instrumento percussivo.

 No encerramento do show, o hino tropicalista Soy loco por ti America, mexeu com todo mundo. Antes de deixar o palco, Gil contou que esteve ao lado de Ulysses Guimarães em uma única vez. “Estávamos chegando ao Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Ele vindo daqui de Brasília e eu do Rio. Esperávamos para tomar um táxi e ele se aproximou de mim e disse ‘Gilberto, está fazendo muito frio’. Eu confirmei.”

 Caetano recordou que Dr. Ulysses gostava de Argonautas, canção que compôs a partir do poema de Fernando Pessoa. “Soube que o verso ‘navegar é preciso’ foi usado por ele como tema de sua anticandidatura à Presidência da República, em 1973; e agora deu título ao show com o qual o homenageamos.” Ao voltarem para o bis, os dois foram aplaudidos de pé, cantando Esotérico, destaque do roteiro do histórico Doces Bárbaros.

Eu fui..."Caetano Veloso e Gilberto Gil entregaram-se de corpo e alma nesta homenagem a Dr. Ulysses. Foi um espetáculo belíssimo, desde já inesquecível"

Pedro Bial, apresentador de tevê

 

"Foi um privilégio assistir a este show maravilhoso, de dois artistas tão importantes como Caetano Veloso e Gilberto Gil. Ouvir Terra, ao vivo, foi emocionante demais"

Marina Brito, estudante de direito

Depois do show
Caetano e Gil falaram ao Correio, durante jantar no Lago Norte, na casa do jornalista Jorge Bastos Moreno, autor de A história de Mora, sobre a trajetória política do deputado Ulysses Guimarães, que vai virar peça de teatro, protagonizada por Mariana Ximenes. Caetano contou que acabara de remixar o álbum a ser lançado na primeira quinzena de novembro. “É um disco mais relaxado do que Cê (o primeiro da trilogia, com a banda homônima) e do que Recanto, CD de Gal (Costa)”, lançado em 2011, com músicas e produção dele. “Tem algo do Zi e Zie, mas é diferente”. Embora o trabalho mais recente de Gil seja Concerto de cordas e máquina de ritmos, a turnê que ele fará nos EUA é a do Fé na festa, elogiado CD e DVD com músicas juninas. “Serão 18 shows, entre o dia 20 (depois de amanhã) e 1º de dezembro. Lá, possuo um público cativo, principalmente no circuito universitário.”

 

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