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FESTIVAL

Mosaico latino e africano

O teatro ocupa um lugar de destaque na programação da 3ª edição do Flaac, com peças, performances e espetáculos multimídia

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postado em 25/10/2012 16:29 / atualizado em 25/10/2012 16:32

 

Cena da peça Caminos invisibles...a partida,  que mistura  teatro performático, linguagem multimídia e temas polêmicos (Acauã Fonseca/Divulgação) 
Cena da peça Caminos invisibles...a partida, que mistura teatro performático, linguagem multimídia e temas polêmicos

No caldeirão cultural que invade o Câmpus Darcy Ribeiro, da Universidade de Brasília, nesta semana, as artes cênicas, com pitadas de música, dança e poesia, têm papel essencial. As companhias teatrais que se apresentam na 3ª edição do Festival Latino-Americano e Africano de Arte e Cultura (Flaac) formam um mosaico bem diverso: há atores de vários estados brasileiros, artistas bolivianos residentes no país e também uma trupe cubana.

 De hoje até este sábado, se apresentam a Cia. Nova de Teatro e os grupos Maracambuco e Vozes Reveladas, entre outros. Todos ministram, também, workshops. “Cada um desses grupos traz sua realidade, sua mensagem. E há muito em comum entre eles”, comenta o consultor de teatro do Flaac Dimer Monteiro. “Não há nada melhor que o intercâmbio cultural. Teatro, para mim, é a arte do encontro”, pondera

A peça Caminos invisibles… la partida é o projeto da Cia. Nova de Teatro, que investe em uma mistura de teatro performático, recursos multimídia, temas polêmicos de interesse social e intercâmbios artísticos. A gênese da montagem, que estreou no ano passado em São Paulo, tem a ver com a biografia da própria diretora, atriz e figurinista da companhia, Carina Casuscelli.

Estudante de Moda e descendente de bolivianos, há cerca de 10 anos ela mergulhou no mundo das confecções paulistanas e se aproximou da obscura realidade dos operários que se ocupavam do corte e costura das marcas de roupa. “Fui descobrindo o trabalho de propaganda feito na Bolívia e no Peru para atrair mão de obra para um trabalho feito em condições degradantes, completamente informal”, afirma ela. “Em muitas dessas confecções, as condições de trabalho são insalubres. Há operários que dormem ao lado das máquinas de costura”, reforça o diretor artístico da montagem, Lenerson Polonini.

A intenção não é só escancarar a cruel situação dos povos andinos (bolivianos e peruanos) em condição de subemprego em São Paulo. A exuberância cultural, as cores, as festas e o engajamento político fazem parte do espectro criado pelo grupo, que usa atores e não atores, representantes da própria comunidade para contar a história. “A versão original tem duração de quase duas horas e meia, com seis máquinas de cultura, sete projeções. Para Brasília, levaremos flashes, uma versão enxuta do espetáculo. Mas o espírito e a beleza da história desses povos estarão presentes”, afirma Carina. Amanhã, entre  as 9h e as 11h, a trupe oferece um workshop gratuito, com retirada de senha uma hora antes. O espetáculo será encenado no sábado, às 14h30 e às 18h30.

Matriz africana
O pessoal do Maracambuco vem de Olinda (PE) para reproduzir amanhã, às 14h30 e às 16h30, em cima do palco, um terreiro de candomblé. O espetáculo musical Saudações aos orixás é uma viagem com destino às origens do maracatu, cuja base são os tambores. “É um show espetáculo para as pessoas dançarem e assistirem”, ensina Marciolino de Oliveira, diretor e vocalista da companhia. O grupo, que “já foi até para a França”, tem 20 anos de estrada, mas ainda não havia se apresentado em Brasília.

Durante 40 minutos, os 14 integrantes do Maracambuco irão explorar o maracatu sob três óticas: a espiritual, a histórica e a profana. O espetáculo, montado para o carnaval de Olinda, há cerca de 10 anos, foi mudando de forma ao longo da década. Amanhã, 12 orixás serão homenageados, dentre eles Oxum, Ogum, Obá, Iemanjá, Orixalá e Obaluaiê. “Vamos botar o misticismo na rua”, adianta Marciolino. O workshop do grupo acontece também amanhã, às 9h.

Orçamento restrito
Segundo Dimer, a equipe da produção do Flaac começou os trabalhos, no mês de março, com o valor de R$ 9 milhões em mente. Contudo, na hora da ação, apenas um terço dessa quantia foi disponibilizada, o que reduziu de forma drástica as atrações do evento. “Os cortes doeram muito, mas a universidade resolveu não deixar de fazer, pela importância que ele tem como alerta às novas gerações”, diz ele. O consultor destaca que cerca de 1,6 mil alunos da rede pública de ensino do DF têm acompanhado a programação diariamente. O desejo da produção é de que, a partir de agora, o Flaac aconteça bianualmente. “As duas edições anteriores do festival (em 1987 e 1989) marcaram Brasília. Quem participou não esqueceu jamais. Foi importante o reitor retomá-lo para comemorar os 50 anos da UnB.”

FLAAC 2012
Até sábado, a partir das 9h, na Universidade de Brasília. Entrada franca. Classificação indicativa livre para atividades durante o dia e não recomendada para menores de 16 anos à noite. Seminários e oficinas com inscrição prévia no espaço (sujeitos a lotação). Informações: 3321-5811. Confira a programação completa no site www.flaac2012.com.br.

Cultura popular
Será lançada amanhã a compilação de textos acadêmicos As artes populares no Brasil Central: performance e patrimônio, que traz estudos realizados por pesquisadores do Departamento de Sociologia da UnB sobre diversas expressões das culturas populares nesta região do país, da culinária a ritos religiosos. O material, organizado por João Gabriel Teixeira e Letícia Vianna, será apresentando em dois seminários, das 9h às 12h e das14h30 às 17h30, na Oca dos Povos Indígenas Darcy Ribeiro.

Cinema candango
De hoje a sábado, o Museu Nacional da República abriga a mostra de cinema UnB 50 anos: luz, câmera, Brasília, na qual será exibido acervo audiovisual com obras de Nelson Pereira do Santos, Joaquim Pedro de Andrade, Vladimir Carvalho e cineastas da nova geração, como Adirley Queirós e Danyella Proença, em filmes que ajudam a contar um pouco da história de nossa cidade e das transformações que ocorreram ao longo das últimas cinco décadas. Veja a programação em nosso site.

 

 

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