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Correio Braziliense

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O poeta de pequenas grandes coisas

A intimidade de Carlos Drummond de Andrade é revelada em cartas e poemas destinados a familiares. Alguns deles vivem em Brasília e contam fatos marcantes desse homem que suportava o mundo com seus versos

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postado em 31/10/2012 08:00 / atualizado em 30/10/2012 10:31

Poeta dos abissais mistérios de Minas Gerais, da alma e das coisas do mundo, Carlos Drummond de Andrade completaria amanhã 110 anos. O filho de tropeiro que virou fazendeiro passou a meninice entre as cidades do estado natal (eternizadas em versos do Poema de Itabira, Confidência do Itabirano e Ausência, por exemplo). A relação com a capital mineira, onde iniciou a luta com as palavras, brota nas linhas da Canção da moça-fantasma de Belo Horizonte. Sua entrada no universo do funcionalismo público o transferiu para o Rio de Janeiro, cidade que o encantou até o fim da vida, musa inspiradora de poemas antológicos, como A bruxa.

Brasília não fez parte desse itinerário afetivo, e não foi alçada ao posto de matéria-prima da poesia drummondiana. Mas uma generosa parte de sua família, das mais diferentes ramificações e idades, escolheu a cidade para viver. O Correio conversou com alguns parentes do poeta, especificamente descendentes de Altivo Drummond, um dos irmãos mais velhos, na tentativa de lançar uma luz sobre o homem do cotidiano, o afeto por trás da expressão sempre contida e serena.

 “Uma coisa muito marcante nele era o fato de ser extremamente carinhoso com a família”, conta o médico e professor Flávio Goulart, neto de Altivo e sobrinho-neto de Drummond. Morador de Brasília desde 1991, ele esteve com o tio famoso em raras ocasiões (dois funerais, um casamento e uma visita informal, regada a uísque, dois anos antes da morte do poeta, em 1987), mas coleciona relatos de gentileza por parte do parente mais famoso do clã, itabirano como ele.

Dentre as delicadezas frequentes, a mais comum era a atenção à família. Quem tivesse a vontade de lhe escrever uma carta não ficava sem resposta. Pouco antes de se casar, em setembro de 1947, a mãe de Flávio, Flávia Goulart, escreveu uma carta ao “Tio Carlos”, convidando-o para as celebrações. Ele confirmou  presença por meio de uma resposta afetuosa, iniciando, assim, uma correspondência que só se interromperia com a morte dele. A relação com a sobrinha rendeu poemas dedicados aos netos dela, nascidos antes de 1987 (leia mais nas páginas 4 e 5).

O parentesco despertou nos descendentes uma veia literária pulsante. Entre eles, há autores diletantes, há quem escreva eventualmente e há ainda parentes com obras publicadas com frequência. Sua lírica inconfundível continua alimentando os que nascem depois dele. “Sinto e penso Drummond com frequência. De vez em quando, um verso dele surge na memória, nas mais variadas situações”, conta Flávio Goulart, poeta amador.

Quem também sente e pensa Drummond com frequência poderá compartilhar a saudade: amanhã, o Sebinho, localizado na 406 Norte, fará uma homenagem que se estende por todo o dia. No Rio de Janeiro, o Instituto Moreira Salles  preparou uma programação especial para a efeméride. No Rio haverá ainda o Declame para Drummond na estátua do poeta, no Calçadão de Copacabana, a partir das 20h.
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