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Uma outra guerra

O grafite como meio de resistência política e cultural: essa é a arma de Banksy

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postado em 01/11/2012 08:00 / atualizado em 31/10/2012 10:37

Diego Ponce de Leon

A ordem é intervir. Quem comanda a intervenção é Banksy, de quem pouco se sabe, quase nada se conhece. As suposições são infindáveis. O controverso líder talvez não passe de um jato de tinta. De spray, para sermos mais fidedignos. Reza a lenda que o polêmico grafiteiro sequer existe. As teorias sobre a identidade e paradeiro são tão criativas e fantasiosas quanto o próprio objeto de imaginação. Há quem clame se tratar de um coletivo artístico, outros creem que não passa de um reprimido e perturbado gênio. Seja como for, a assinatura de Banksy está impressa por todo o mundo, literalmente. Dos muros de Londres às paredes palestinas. Manifestos em estêncils.

Arte urbana. O conceito difundido e ampliado pelo americano Basquiat é definição precoce e irrisória para a proposta de Banksy. Policiais se beijando, Mona Lisas terroristas, ratos, muitos ratos. O traço é subversivo. “Ele faz uso de um contexto de intrigas políticas e sociais para questionar o sistema. Provocar quem vê”, argumenta o grafiteiro Guga Baygon, conhecido pelos trabalhos em Brasília. Baygon, que aplica uma vertente diferente do grafite, reconhece a influência de Banksy “não no estilo, mas na ideologia”. Segundo o artista, que mora na capital desde 2005, Brasília ainda deixa muito a desejar no quesito intervenção: “Temos todos os elementos. Mas, as regras mantêm os cantos livres e impedem a expressão”.

Se as escassas informações disponíveis estiverem certas, Banksy nasceu na Inglaterra, em Bristol, que acabou sendo sua primeira tela para a arte alternativa que propunha. Um painel de sete metros, talvez sua manifestação inaugural, que cobria um dos muros da cidade, foi inteiramente coberto de tinta preta pela polícia britânica. Antes de encarar os matizes murais, foi açougueiro. Um generoso apanhado do trabalho pode, agora, ser conferido no livro Guerra e spray, que acaba de chegar às lojas. Um atento folhear das páginas provoca uma grata porrada visual.

O que ele disse…

“Ao contrário do que dizem por aí, o grafite não é a mais baixa forma de arte. Embora seja necessário se esgueirar pela noite e mentir para a mãe, grafitar é, na verdade, uma das mais honestas formas de arte disponíveis. Não existe elitismo ou badalação, o grafite fica exposto nos melhores muros e paredes que a cidade tem a oferecer e ninguém fica de fora por causa do preço do ingresso”
Banksy, artista plástico

Guerra e spray
De Banksy. Editora Intrínseca. 240 páginas. Preço médio: R$ 49,90.

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