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Universo paralelo

O enigmático J. J. Benítez, autor da polêmica série Cavalo de Troia, fala sobre projetos e sobre ataques que sofre por conta de seus livros

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postado em 08/11/2012 08:00 / atualizado em 07/11/2012 11:58

Esqueça o cristianismo e tudo que supõe saber sobre os dogmas eclesiásticos. As assunções de J. J. Benítez são, no mínimo, pretensiosas. Conhecido pela longa série Cavalo de Troia (com nove volumes, até o momento), o autor espanhol tornou-se um dos mais populares escritores da língua hispânica ao difundir uma inusitada versão para os acontecimentos relatados na Bíblia, sem qualquer evidência científica ou fundamento irrevogável. “Não dou a mínima para o que a ciência diga. Erraram tantas vezes”, afirma, destemidamente, em uma entrevista exclusiva para o Correio, na semana passada, numa viagem promocional ao Brasil.

O jornalista, nascido em 1946, já teve a própria existência questionada. O estapafúrdio promovido pelos livros era tamanho, que, por muito tempo, acreditavam ser obra de um coletivo ou de uma editora interessada em angariar fundos alçados na curiosidade alheia. Com o passar dos anos, o autor das tramas absurdas foi revelado, e a dúvida, transferida para a credibilidade do trabalho proposto.

O sucesso no Brasil veio a galope nos anos 1980. Cavalo de Troia, como aconteceu em outros países, foi responsável pela popularidade de Benítez, que embalou a leitura de uma geração de adolescentes e jovens, abismados com as alegações literárias contidas na série que, certamente, contrariavam os ensinamentos (religiosos) de casa.

Não foi a primeira vez , “nem será a última”, que o autor mergulhou em temas controversos e místicos. Ufologia e todos os seres extraterrestres imagináveis já foram objeto de estudo de Benítez, um ávido explorador das teorias abstratas. “Continuo investigando os assuntos relacionados com ovnis, mas somente para mim”, admite.

Mas as teses conspiratórias que preveem um novo panorama para os movimentos divinos foram o que o tornaram uma sensação mundial. Para muitos, ele acabou personificando a figura de líder espiritual e, além de arrebatar leitores, conseguiu seguidores. Para outros, os textos são sensacionalistas e não passam de simplórios plágios, acusação prontamente repelida: “São injúrias, propiciadas por pessoas “cainitas” (adoradores de Caim). A Espanha está cheia delas”, alfineta Benítez. Ele também não mede palavras para desmerecer aqueles que o desacreditam por não fazer uso de uma metodologia científica: “Há assuntos para os quais não é possível adotar um método científico. O fenômeno, por si mesmo, não permite. Mas isso não significa que não exista. Ninguém pode levar o ódio ou a ternura ao laboratório, mas existem”.

Mistérios por vir

Os enigmas do espanhol parecem não ter fim. Atualmente, os pensamentos do escritor estão focados em um novo mistério repleto de hipóteses, mas ainda inexplicado: “Interessa-me muito a vida depois da vida. É um assunto cada vez mais próximo”. Enquanto isso, os temas, pelos quais sempre é lembrado, ainda rendem, e geram novos livros. O próprio autor antecipou que este mês (na Espanha) lança Jesus de Nazaré: nada é o que parece (tradução livre). Para o ano que vem, um presente especial aos ansiosos fãs: o volume 10 da série Cavalo de Troia chega às livrarias. Como aconteceu com os anteriores, O dia do relâmpago não deve durar muito tempo nas prateleiras.

 

Cavalo de Troia
A série, iniciada em 1984, uma das mais comentadas da literatura recente, conta a história, inicialmente, de um major e de um piloto da força aérea americana que viajam no tempo para observar, presencialmente, os últimos dias de Jesus Cristo na Terra. Os eventos descritos nos livros diferem daqueles apresentados pela Igreja Católica e, até mesmo, pela Bíblia. A principal polêmica decorre de o autor defender a série como sendo fatual, e não um enredo de ficção literário. O último volume (nono) foi lançado em 2011. O próximo está previsto para o ano que vem. O sucesso da série criou um filão que abriu espaços para outros títulos de teor similar, como O código Da Vinci, de Dan Brown.


“O grande impacto de Cavalo de Troia foi mudar a imagem de Jesus de Nazaré e, sobre tudo, e Deus”
J. J. Benítez, escritor


Relato exclusivo de J. J. Benítez sobre a passagem pelo país
Essa viagem pelo Brasil foi intensa e breve. Como se sabe: o breve, se conciso for, duas vezes melhor (Baltasar Gracián). Conhecia o Brasil de outras ocasiões, mas sempre descubro cores, sorrisos e espíritos amáveis. No Brasil, não sei para onde olhar. Queria ter uma visão de 360°. Passeei pela beira do lago de Porto Alegre, desfrutei da alegria de Curitiba, do humor dos mineiros de Belo Horizonte e me surpreendi, mais uma vez, com uma São Paulo cada vez mais vertical. Saio do Brasil com a sensação de ter pisado no céu.


9 milhões
Número de livros vendidos, dos quais, 5 milhões somente da série Cavalo de Troia


66
Livros publicados


Você sabia?

Inédito nos EUA
Devido às alegações conspiratórias descritas nos livros, a série nunca foi traduzida nos Estados Unidos. Neste ano, a tradução do primeiro volume foi registrada, mas ainda não lançada. Rumores indicam que as livrarias americanas devem recebê-la em 2013, com um atraso de quase 30 anos. 

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