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É samba que elas querem

Grupos de mulheres proliferam pela cidade, evocando os clássicos e criando um repertório próprio

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postado em 13/11/2012 10:41 / atualizado em 13/11/2012 10:45

Maíra de Deus Brito


Grupo Cante com a Gente: problema com os bares levou as meninas a priorizarem eventos fechados    (Li Brandão/Divulgação ) 
Grupo Cante com a Gente: problema com os bares levou as meninas a priorizarem eventos fechados
Grupo Saiasamba: o preconceito se esvai quando elas começam a cantar    (Antonio Cunha/Esp. CB/D.A Press - 14/10/12 ) 
Grupo Saiasamba: o preconceito se esvai quando elas começam a cantar
 
Grupo 4 por 4: Jovelina Pérola Negra, Ivone Lara e Hamilton de Holanda no repertório  (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 14/10/12 ) 
Grupo 4 por 4: Jovelina Pérola Negra, Ivone Lara e Hamilton de Holanda no repertório
Grupo Toque de Salto: criado em 1999, inclui integrantes de várias regiões do Brasil  (Amanda Costa/Divulgação ) 
Grupo Toque de Salto: criado em 1999, inclui integrantes de várias regiões do Brasil
 


Lá por volta da década de 1940, quando Dona Ivone Lara — a primeira mulher a compor um samba enredo — entregou suas músicas para seu primo Fuleiro cantar na escola de samba Império Serrano, talvez não imaginasse que em tão pouco tempo as mulheres não só fariam samba, mas seriam intérpretes de peso. Predominantemente masculino e, claro, carioca, o samba ultrapassou fronteiras e desfez barreiras. A prova disso é a produção feminina brasiliense, que não para de crescer.

Um dos primeiros grupos só com mulheres da capital, Toque de Salto surgiu em 1999, com a proposta de fazer um som diferente. “Reunimos mulheres daqui e de regiões distintas, como a Paraíba, onde a tradição do samba não é tão forte, para era cantar samba e trabalhar mais a parte dos vocais e da percussão. Desde o início, nos juntamos para fazer isso de uma forma profissional”, diz Silvana Moura, percussionista da banda que conta com Sandra Borges (voz e violão), Mônica Borges (voz e percussão) e Marise Pinheiro (surdo e voz).

“Sempre tivemos uma aceitação enorme dentro e fora de Brasília. O único lugar onde encontramos resistência masculina foi em Minas Gerais. Nos questionaram do porquê não tinha um homem no grupo. Porém, há um respeito porque fazemos um trabalho legal e diferenciado. Todas cantam as músicas, vocalizamos as letras”, comenta Silvana.

Na estrada desde 2009, o grupo SaiaBamba também não tem do que reclamar. “Quando falam que é um grupo de samba só com mulheres, algumas pessoas não dão credibilidade. Mas o preconceito acaba quando a gente começa a tocar”, conta Ju Rodrigues (pandeiro e voz). A big band formada por Ju, Itana Moraes (violão e voz), Cris La Plata (cavaco e vocais), Ianê Moares (percussão), Pati Moraes (percussão) e Mariana Sardinha (percussão e vocais) começou na brincadeira e hoje é coisa séria.

Com um currículo que inclui a abertura de apresentações de Maria Gadú e Diogo Nogueira, e a agenda de shows cheia, a banda planeja o primeiro CD. “Em junho, lançamos o disco de divulgação, com cinco faixas nossas e algumas versões. Agora, queremos o CD oficial, que deve sair em breve, só com músicas nossas”, adianta Ju.

Reconhecimento e empecilhos

As meninas do grupo 4 Por 4 tinham trabalhos individuais, mas, em junho do ano passado, se reuniram para fazer samba. No repertório de Yara Alvarenga (tantan e voz), Carolina Santos (surdo e voz), Miriam Marques (violão e voz) e Cecília Rocha (cavaco e voz) e Cristiane Chinchilla (pandeiro e voz), não faltam Jovelina Pérola Negra, Dona Ivone, Lara, Arlindo Cruz e Hamilton de Holanda.

“A recepção das pessoas é muito bacana, principalmente de outros músicos. O cantor Milsinho e o pessoal dos grupos Coisa Nossa e Marangalha têm elogiado bastante nosso trabalho”, comemora Cristiane. Porém, a pandeirista alerta para os empecilhos em fazer música em Brasília. “Os bares estão fechando, perdendo o alvará, ou reduzindo de tamanho. Para ter música ao vivo é preciso boa acústica, daí temos que tocar em teatros e clubes”, desabafa.

Silvana Moura, do Toque de Salto, engrossa o coro sobre as dificuldades: “Em bares, às vezes, a gente se desgasta muito. Algumas vezes, esperávamos até às quatro da manhã para receber o couvert. Isso quando o bar dá integralmente o couvert para os músicos, em muitos locais isso não acontece. Aqui em Brasília, não há uma proposta legal para músico em barzinho”.

Os bares também não são prioridade para o grupo Cante Com a Gente, formado por Malu Ribeiro (cavaco), Cláudia Paiva (violão), Cacau Carvalho (tantan), Ana Guimarães (surdo), Tamara Saraiva (voz) e Cacá Neri (pandeiro). Criado no fim de 2010, o sexteto encarou problemas com o valor dos cachês pagos e, para conciliar o tempo dos ensaios com as outras atividades das integrantes, decidiu priorizar os eventos fechados. “Ainda tocamos em alguns bares e casas noturnas da cidade, já tivemos contratos com alguns estabelecimentos, mas preferimos tocar em festas particulares, empresas e ações beneficentes, como o Lar de Idosos”, explica Malu que, ao lado das parceiras da banda, planeja um CD e um videoclipe.

Colaborou Gabriela de Almeida

Dica da Gadú
De passagem por Brasília com a peça A confissão, os atores Ângelo Paes Leme e Sílvio Guindane assitiram o lançamento do CD do grupo SaiaBamba. Depois da apresentação, eles foram ao camarim da banda e contaram que show foi indicado pela cantora Maria Gadú.

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