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Adoradores de vampiros

Fãs brasilienses da saga Crepúsculo contam os minutos para ir ao cinema conhecer o desfecho da série

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postado em 14/11/2012 08:00 / atualizado em 14/11/2012 11:04

Por pouco, o castigo não se concretizou: a estudante de Ceilândia Márcia Thiara desviou de “uma semana sem ver a luz do sol”, depois da maior extravagância, a favor do desmedido envolvimento com a série cinematográfica que terá o desfecho conhecido, a partir da 0h de amanhã, com a pré-estreia de A saga Crepúsculo: Amanhecer — Parte 2. Num momento de insensatez, Márcia Thiara, há dois anos, surrupiou o cartão de crédito da mãe, na tentativa frustrada de comprar passagens para o Rio de Janeiro, onde, no plano original, chegaria a ver de perto o casal Kristen Stewart e Robert Pattinson, que, há quase quatro anos, habita o imaginário de jovens e adolescentes. “Ainda há uma implicância das pessoas pela minha dedicação à série, mas me esquivo, agindo de forma madura. Me pergunto ‘Quem é você pra determinar do que é certo eu gostar?’”, questiona a estudante, aos 22 anos.

A exemplo daquelas músicas que marcam período na vida, o apego à série Crepúsculo — derivada dos livros assinados por Stephenie Meyer — pontuou momentos na trajetória de Márcia. “Quando li Lua nova, estive totalmente brigada com Piedro, um dos melhores amigos. Num paralelo com o que acontecia com a protagonista Bella e com o Jacob, que não conseguia ficar longe dela, fiz as pazes com ele, que tinha ignorado por mais de um mês”, relembra. A influência da saga, descoberta aos 18 anos, a levou a encontros de fã-clube, que tiveram auge há dois anos e solidificaram uma visão crítica. “O primeiro filme, Crepúsculo, tem muito clichê e demora na introdução dos personagens. Os filmes melhoraram, em termos de roteiro e de efeitos especiais”, avalia a espectadora, seletiva também quando se trata do acúmulo de bugigangas relacionadas aos filmes.

“Big bang da fábula”, como classifica Márcia, a dupla Stewart e Pattinson, pelas reviravoltas do romance fora das telas, deixou outra fã, Raíssa Veríssimo, “perdida”. Mas não o suficiente para desinteressá-la do episódio conclusivo, a ser conferido nas telas. “Tô superlouca para ver como Renesmee vai ser criada, já que o filme anterior terminou com ela abrindo os olhos. Também tenho curiosidade para ver como Bella vai lidar com a descoberta do poder e, mais ainda: ver a batalha final com clã Volturi. Espero que adicionem uma coisa massa, que surpreenda”, conta Raíssa. Passado o “compromisso anual” de acompanhar Crepúsculo, a vestibulanda, que foi admiradora “pirralha” de Harry Potter, já arma o próximo pulo cinematográfico — confortar-se com O Hobbit, uma vez que foi aficionada por O senhor dos anéis.

Livre das obsessões
“Na época do fã-clube Twilight, que era iniciativa de fã, tínhamos cinco encontros por ano. Com as reuniões, vinham brindes e promoções. Foi um ótimo tempo”, lembra Raíssa. Candidata à vaga no curso de arquitetura da UnB, focada no estudo, ela largou algumas obsessões — “deixei de comprar todas as revistas sobre eles”, conta —, mas atualiza “direto”, com mais cinco amigas, o site kristenjstewart.net. “É muito amor: sou fã incondicional da Kristen. Tenho uma identificação com ela, até pelo estilo de vestir, meio despojado. Fiquei meio decepcionada com essa história da traição. Mas, no amor, há burradas. Depois de tudo, já a vi com o Robert Pattinson em programas de tevê e, em fotos, entre amigos de Los Angeles. Acho que tudo é bem mais profundo do que amizade”, especula.

Leitora dos quatro livros de Stephenie Meyer, a publicitária Daniela Brandão, 25 anos, não acredita em golpe de marketing, na traição que alimentou, aos quilos, a imprensa sensacionalista. “No fenômeno dos filmes, fui atraída pelo romance que se vê nas telas. A postura dos atores foi muito pé no chão. Eles não se transformaram, no meio de toda a loucura. Foram até avessos à mídia e à superexposição”, opina. Curiosa sobre como Bella administrará a força de ser vampira e como passará a enxergar as coisas, Daniela conta que conheceu a saga em momento especial, quando estava em licença maternidade. Aliás, estaria a mamãe velha para posar de fã? “Nada. Tô é muito nova. Sem nada de explícito, o filme fala, a seu modo, de casamento, de maturidade”, observa.


“Estão falando em batalha final e na morte da personagem Renesmee. Prefiro ver os fatos como estão descritos no livro: não quero que mudem demais. Tenho enorme interesse em ver essa parte final examinando demais culturas de outros vampiros”
Marianne França, estudante, 20 anos



Encontro marcado
Há dois anos sem eventos de maior expressão, os grupos de admiradores da saga Crepúsculo podem marcar encontro: no próximo domingo, a partir das 14h30, sob perspectiva de gincana, poderão integrar atividades de teatro, dança e quiz. Batizado de Amanhecer — Julgamento dos Cullen, o encontro especulará em torno de destinos diferentes ou idênticos aos desenvolvidos na trama. Com caráter gratuito, fãs e curiosos, em ação do Clube do Livro, marcarão presença na Livraria Cultura (CasaPark, Guará).

Ler ou não ler, eis a questão Numa outra frente de adoração, Amanda Paiva, 18 anos, nunca leu nenhum dos livros, desde o começo, ligada nos filmes. “Achei a história de amor, até exagerada. O que mais impactou foi o contexto em que estavam as personagens, vampiros e lobos, convivendo em plena luz do dia com humanos. São ótimos filmes, que vi várias vezes, e, quem criticou, acredito que tenha seguido moda”, analisa. Sem ter corrido atrás de informações — “não quero saber mesmo” —, a estudante de direito prefere ir crua para a derradeira sessão de Crepúsculo, numa febre contraída desde a transição entre ensinos fundamental e médio.

No entusiasmo com a série, o episódio da traição a marcou. “Não sou totalmente fã da atriz, mas me surpreendi; achava que era uma relação sólida. Fiquei chateada e com dó dele”, ressalta a fã de Robert Pattinson. Quanto ao destino das personagens, ela não tem dúvidas: “Edward e Bella ficarão juntos, sim. Seria muito incoerente com toda a história, ser diferente. O lobo (Jacob) já tem par”.

Repassado para a prima Ana Luiza, 17 anos, a quem apresentou e emprestou livros, o gosto por Crepúsculo deixa nostálgica a estudante de biologia Manuella Santos, 21 anos. Devoradora de livros com veia fantástica, Manuella formou até fã-clube, depois de, em inglês (com direito a repeteco, em português), ler os quatro livros desdobrados em cinco filmes. Após ter até se fantasiado de Bella, para alguns eventos, observando as interpretações do filme, Manuella faz ressalva para Kristen Stewart, “meio morta”, na pele de Bella. “Enquanto acho Pattinson até peculiar, e meio antipático, tive a surpresa da ótima revelação de Taylor Lautner, que antes era ator de filme mais de criança”, diz.

“Tem gente que acha que besteira esse fenômeno de Crepúsculo. Mas, na base do romance, e contra tanto suspense e ação, mais corriqueiros quando falamos de vampiros e lobisomens, foram livros fáceis de ler. Agora, teremos a leitura para o cinema do mais controverso dos volumes. Confesso que esperava muito mais ação, mas as disputas, no livro, são mais diplomáticas. Sem alterar a história, acho que o diretor tem tudo para mexer e trazer a ação de volta, com mais energia. É a grande expectativa da maioria”, resume Manuella. 

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