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Correio Braziliense

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E 25 anos depois...

No fim de junho, Renato Russo volta ao Mané Garrincha em holograma para cantar com a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional e artistas nacionais e internacionais. Ingressos serão gratuitos ou terão preço popular

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postado em 01/03/2013 17:00 / atualizado em 01/03/2013 10:47

Desde que Renato Russo morreu, em 1996, foram prestadas muitas homenagens ao músico, ícone do rock brasileiro. Nenhuma, porém, contava com a Orquestra Sinfônica de Brasília e a presença, quase física, do cantor. “Vamos retomar a força que ele tinha nos palcos. Ele era completo ao vivo”, resume o filho Giuliano Manfredini, de 23 anos. Um projeto que nasceu há mais de duas décadas nas mãos de quem escreveu clássicos como Faroeste caboclo, Pais e filhos e Eduardo e Mônica, finalmente tem uma data para sair do papel: 29 de junho. Um dia para muitas gerações de Brasília e do Brasil comemorar.

Com o maestro Silvio Barbato — morto no acidente da Air France —, Renato Russo teria traçado um show inédito. Tocar em parceria com a Orquestra do Teatro Nacional, que faria arranjos especiais para as músicas dele e da Legião Urbana. Agora, sob a regência do maestro Claudio Cohen e com a participação de artistas nacionais e internacionais, o espetáculo ganha forma e uma grande atração: um holograma (leia Para saber mais). A tecnologia importada irá tornar o sonho de todo fã uma realidade, que é o retorno do ídolo aos palcos.

O evento, chamado Renato Russo Sinfônico, ocorre exatamente 25 anos depois do trágico e último show dele na cidade. Naquele 18 de junho de 1988, comemorava-se o sucesso do disco Que país é esse — 1978-1987, e o próprio cantor escolhera o Mané Garrincha para receber 50 mil pessoas. Com o tumulto e a confusão (ver Memória), ele decidiu que não voltaria. Segundo o filho, com o tempo, o desejo de tocar na capital reacendeu.
A concretização terá o mesmo lugar como cenário e um público estimado semelhante, de 50 mil pessoas, que corresponde à capacidade da arena. A coincidência só foi possível porque a inauguração do Estádio Nacional Mané Garrincha está prevista para 21 de abril, e o jogo da Copa das Confederações, 15 de junho.

Estrelas

Os instrumentistas da orquestra devem tocar em todas as músicas com o apoio de uma banda de rock e artistas. Entre os nomes confirmados, estão Zélia Duncan, Igor Cavalera, Lobão, David Stewart (Eurythmics) e a violinista Ann Marie Calhoun. Laura Pausini, ex-integrantes da Legião e outros músicos são convidados para participar. O repertório não foi definido, mas terá, no mínimo, 17 músicas e, no máximo, 20. O holograma de Renato Russo será o ápice e aparecerá em uma ou duas canções apenas.

Segundo o produtor musical Rafael Ramos, a plateia não será surpreendida com um minuto sequer de silêncio. “O show é todo interligado, não para. Teremos vídeos, provavelmente de depoimentos, porque a música é só no palco. O formato ainda não está totalmente fechado, mas será um número por artista e talvez teremos duetos”, antecipa, mantendo um pouco do mistério. Convidar antigos e novos cantores de diferentes estilos é, para a produção, uma maneira de dar uma “renovada no conceito de tributo” e mostrar como Renato Russo não participava de um só segmento.

A equipe à frente do projeto conta, além de Manfredini e Ramos, com o produtor executivo André Noblat e o diretor Mark Lucas, responsável pelo toque hollywoodiano na direção artística do espetáculo. Lucas possui, no currículo, um Emmy pelas Olimpíadas de 1996 e por eventos grandiosos, como o Red Hot Chili Peppers no pay-per-view concert from Latrobe. O diretor realizou alguns trabalhos no Brasil nos últimos três anos e, desde janeiro, tem escutado apenas Renato Russo e Legião. “É muito bom absorver a energia, tem sido fácil. Recebi CDs e DVDs e ouvi boas histórias. Achei ótima a ideia de ser na mesma cidade e no mesmo lugar”, confessa.

Incentivo

A organização utilizou R$ 4,5 milhões pela Lei Rouanet para montar o show. A Lei de Incentivo à Cultura estabelece uma política de incentivos fiscais que possibilita a aplicação de parte do Imposto de Renda em ações culturais. A grande promessa é de que a entrada seja gratuita ou de que os ingressos sejam comercializados a um preço popular. Tudo depende do quanto será gasto com cachês e infraestrutura. “Uma coisa que meu pai me ensinou foi ‘Legião para todos’, então, será ou graça ou terá um valor acessível”, garante Giuliano Manfredini.

Quem começou a contagem regressiva para o grande dia deve ficar atento às novidades. Se for pago, eles pretendem colocar bilheterias em vários lugares. Se gratuito, haverá uma parceria com a Secretaria de Cultura para decidir a melhor maneira de distribuir as entradas.
O governador Agnelo Queiroz esteve com a equipe da produção na tarde de ontem, no Palácio do Buriti, e reafirmou a importância do concerto. “Será muito especial e histórico, porque existe uma ligação da cidade com Renato Russo. A tecnologia vai nos permitir tê-lo de volta por alguns minutos. Tem um valor artístico, cultural e emocional. Vamos mostrar que a arena é realmente multiúso com um show grandioso”, comemora Agnelo.

Apesar de o espetáculo ser apenas o início de diversas ações em homenagem ao cantor e compositor, haverá uma só apresentação. “A vontade é de que o show seja único, porque não queremos passar a ideia de que meu pai reviveu. Ele revive apenas em sua obra”, frisa o filho. Ele garante que outros tributos serão prestados a partir do ano que vem. A noite de 29 de junho de 2013 será registrada em CD, DVD e Blu-ray e um canal a caboirá transmiti-la ao vivo.

“O grande ponto de ser Brasília é que a capital foi a musa inspiradora do meu pai, ele amava a cidade, fez ela crescer e ele também cresceu como músico aqui. Será um show para quem viu e quem não viu Renato Russo nos palcos. Cada gesto característico e cada mania vão estar ali. Esperamos que não seja só a concretização do sonho dele, mas o de várias gerações”
Giuliano Manfredini, 23 anos, filho de Renato Russo


Para saber mais Ilusão e realidade

Criada em 1948 pelo físico húngaro Dennis Gabor, a holografia é uma espécie de filmagem tridimensional. Por meio de um vidro semirrefletor — fora do campo de visão do espectador—, ela reflete a imagem desejada no palco. O holograma ganha contornos e relevos reais graças à interferência entre dois feixes de raio laser. Diferentemente de uma simples transmissão de vídeo, a técnica cria movimentos inéditos da pessoa baseados em imagens de arquivo e encheu os olhos de produtores culturais do mundo inteiro após a apresentação do rapper norte-americano Tupac — morto em setembro de 1996 — no Festival de Coachella, na Califórnia (EUA), em 2012. A representação de Renato Russo promete ser idêntica, sem transparências e o mais próxima possível do real.

Memória Vandalismo


Eram 22h45 quando a Legião Urbana subiu ao palco montado na arena do Mané Garrincha, em 18 de junho de 1988. Cinquenta mil pessoas eufóricas aguardavam desde as 17h, quando os portões foram abertos. Houve invasão do palco e uma bombinha de são-joão aterrissou aos pés de Renato Russo. Incomodado, o artista avisou que o show acabaria mais cedo do que o previsto. Cantou poucas músicas e saiu com a banda. O público aguardou durante uma hora e meia pela volta do grupo, em temperatura de 12ºC. Em vão. Começou, então, o vandalismo. Os fãs quebraram aparelhos de som e apedrejaram técnicos, policiais e 14 ônibus. Quatrocentas pessoas necessitaram de atendimento médico.

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