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Lembranças de guerra

Conheça as histórias de crianças que sobreviveram ao Holocausto em uma exposição no Congresso Nacional

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postado em 11/04/2013 14:47 / atualizado em 11/04/2013 18:21

Gustavo Aguiar

 

 (Fotos: Museu do Holocausto de Curitiba/Divulgação) 

Imagine você acordar de repente, no meio da noite, com policiais mal encarados esmurrando a porta da sua casa. Eles derrubam seus brinquedos no chão, arrasam com as fotos da família, quebram móveis, e mandam você, sua mãe, seu pai e seus irmãos para uma prisão onde tudo é proibido. Lá não há comida, nem conforto, muito menos carinho. Imagine você viver fugindo, com medo, se escondendo em porões, só porque sua família é diferentes das outras.

Isso tudo já aconteceu. A Segunda Guerra Mundial desfez a vida de bastante gente, mas muitas crianças conseguiram sobreviver a esse tempo de terror. A exposição Tão somente crianças: infâncias roubadas no Holocausto, em cartaz na cidade, faz uma viagem no tempo para que a gente não se esqueça que guerra nunca foi coisa de criança.


Sobreviventes da tirania
A Segunda Guerra aconteceu principalmente nos países da Europa. Para se proteger, algumas famílias vieram morar no Brasil. Conheça algumas dessas crianças:

 

Sozinho no orfanato
Esse menino na foto é Gert Drucker, de 3 anos, e sua mãe. O retrato foi tirado em 1933, seis anos antes da guerra. Quando os nazistas chegaram, Gert não podia mais levar uma vida normal. Por ser judeu, ele não podia ir ao cinema, nem frequentar a escola ou andar de bonde. O pai do menino foi preso, e Gert teve de fugir com a mãe, que também acabou sendo detida pelos nazistas. Gert foi então levado para um orfanato. O pai dele acabou morto, e o garoto só reencontrou a mãe depois do fim da guerra, em 1945. No ano seguinte, os dois desembarcaram no Brasil para recomeçar a vida longe das lembranças da guerra.

 

Filho da liberdade
Este bebê é George Legmann, nascido em 1944 dentro de um campo de concentração, um lugar onde os nazistas aprisionavam e matavam os judeus e outros desafetos, como a mãe de George, Elisabeta. Na prisão, ela precisou esconder que estava grávida. Um médico nazista acabou percebendo e chegou a denunciá-la. Mesmo assim, George nasceu com a ajuda de um outro prisioneiro. O médico mau caráter quis roubar o bebê da mãe, mas a guerra estava acabando, e cinco meses depois, os dois foram finalmente libertados. A família decidiu se mudar para São Paulo nos anos de 1960, quando George tinha 16 anos.

 

Escondida num buraco

Bunia Finkiel (de franja) é de família judaica e, por isso, na escola, era proibida de sentar nas cadeiras da frente. Na foto, ela está ao lado de algumas amigas. Em 1941, a cidade onde Bunia morava foi bombardeada, e ela e sua família precisaram fugir. O medo de ser encontrada era tão grande que a garota e outras 11 pessoas viveram escondidas por quase dois anos dentro de um depósito de cereais onde mal se podia respirar. A mãe dela chegou a ficar temporariamente cega pelo tempo ficou na escuridão. Quando a guerra acabou, Bunia tinha 23 anos, e decidiu vir morar no Brasil.


Bicho-papão real
O Holocausto é como ficou conhecido o extermínio de pessoas que se opunham ao Nazismo, um jeito de pensar que era contra as diferenças e a liberdade de pensamento. Adolf Hitler, o líder nazista e governante da Alemanha, dizia que só o povo alemão era bom. As pessoas de outros povos, vistas como inferiores, eram presas, separadas de suas famílias e assassinadas. Os judeus foram as maiores vítimas do Holocausto.
 

Memórias do medo
Anne Frank é a criança mais famosa da história da Segunda Guerra Mundial. Ela adorava escrever e sonhava em se tornar jornalista quando crescesse. Ao completar 13 anos, em 1942, ganhou de presente um diário em que passou a registrar tudo o que pensava. Anne era uma menina normal: ia à escola todos os dias, amava ir ao cinema e tinha muitos amigos. A guerra destruiu tudo.

Anne não sobreviveu, mas deixou o relato de tudo o que viu, ouviu e sentiu durante os anos de batalha, até 1944. O livro com suas memórias, Diário de Anne Frank, foi publicado em 1947, e  é um dos livros mais importantes do século 20.

 

Batalha cruel
A Segunda Guerra Mundial foi a maior batalha que o mundo moderno já viu. Entre 1939 e 1945, este enorme conflito envolveu 72 países e mais de 100 milhões de soldados. A guerra destruiu muitas cidades e causou a morte de milhões de pessoas, entre adultos, jovens, velhos e crianças.


Para não esquecer
Para homenagear as vítimas da terrível guerra, as comunidades judaicas espalhadas pelo mundo celebram em meados de 8 de abril o Dia da Lembrança do Holocausto.


Visite
As histórias de crianças que viveram no período da Segunda Guerra Mundial compõem a exposição interativa Tão somente crianças: infâncias roubadas no Holocausto, que traz fotos, brinquedos, objetos e documentos pessoais dos pequenos e corajosos sobreviventes do Holocausto. A exposição fica aberta de 6 a 28 de abril, das 9h às 17h, no Salão Negro do Congresso Nacional. As escolas que quiserem agendar uma visita devem preencher um formulário que está disponível na página Visite a câmara do site www.camara.gov.br. A entrada é gratuita.

 

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