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A canção do Brasil

Em entrevista ao Correio, o diretor de Faroeste caboclo, René Sampaio destaca que o filme não um clipe da canção de Renato Russo, mas sobre as questões, principalmente sociais, que a letra sugere

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postado em 14/05/2013 18:00 / atualizado em 14/05/2013 13:12

Renato Alves , José Carlos Vieira

Publicação: 14/05/2013 04:00

 (Europa Filmes/Divulgação ) 



Após oito anos, quando o roteiro começou a ser escrito, Faroeste caboclo, enfim, chega às telas. E Brasília, onde a canção homônima foi escrita por Renato Russo em 1979, será a primeira cidade a assistir à obra. Privilégio restrito a 1,2 mil convidados para a pré-estreia, hoje, nas oito salas de cinema do shopping CasaPark. O filme entra em cartaz em circuito nacional, a partir do dia 30 de maio. Mas, em entrevista exclusiva ao Correio, o diretor do longa-metragem, René Sampaio, antecipa um pouco do que o público verá: o retrato da desigualdade social que inspirou o líder da Legião Urbana e ainda assola a capital, cercada por cidades goianas que crescem desordenadamente.

Como milhares de jovens brasileiros dos anos 1980, René Sampaio sabia de cor e salteado os 159 versos de Faroeste Caboclo, eternizada pela Legião Urbana. Ouviu a canção, de 9 minutos, pela primeira vez aos 14 anos. Na época, morava em Brasília, onde nasceu e cresceu. Quando começou a se interessar por cinema, sonhava ver nas telonas as desventuras de João de Santo Cristo, o “bandido destemido e temido no Distrito Federal” criado por Renato Russo, aos 18 anos. Agora, aos 39 anos, René aguarda ansiosamente a estreia do seu primeiro longa-metragem.

O cineasta espera uma recepção calorosa por parte dos brasilienses e fãs de Renato Russo e da Legião Urbana. Mas adianta: ele fez um filme baseado em uma canção, não um videoclipe de uma música da Legião. E para transformar uma história musicada em um longa-metragem de 105 minutos, ele e os roteiristas criaram personagens, cenas, cenários e situações não escritas e cantadas por Renato. “Quem for ao cinema procurando um filme inspirado na letra e que amplifica e aprofunda diversas questões levantadas pela música, pode se surpreender positivamente”, avisa. O que ele não revela de jeito algum é como a música será mostrada no filme. “Quer saber como a música vai entrar no filme? Tem que ir ao cinema pra ver.”

» Perfil

 

 (Monique Renne/CB/D.A Press - 31/3/11 ) 

 

René Sampaio, 39 anos
Nascido em Brasília
Formado em comunicação social pela UnB

Desde o início dos anos 2000 trabalha com cinema independente e propaganda na produtora Fulano Filmes, da qual também é sócio, e onde produz comerciais, conteúdos para TV e projetos para cinema.
Diretor dos curtas Antes do fim, O homem e sinistro — ganhador de sete candangos no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, dois kikitos no Festival de Gramado e mais de 10 prêmios em outros festivais do Brasil.

Faroeste Caboclo é o seu primeiro longa-metragem.


» Entrevista // René Sampaio

Todo mundo sabe como termina a história de Faroeste Caboclo, a música. Em que o filme pode surpreender?
Bem, todo mundo sabe como terminam a Paixão de Cristo e as histórias de Joana d’Arc e de Romeu e Julieta. E mesmo assim sempre há uma visão diferente sobre elas sendo adaptadas para o teatro, ópera ou cinema. Acho que o mais interessante é ver como nossa história foi contada e, claro, se surpreender com a visão sobre a obra. Um filme não é sobre fatos e sim sobre verdades. E a verdade, nesse caso, é aquilo que você escolhe dizer sobre os fatos.

Mergulhar na obra de um artista como Renato Russo, cujo fã-clube é extremamente ativo e presente, é uma responsabilidade grande. O filme, certamente, não é para agradar a essas pessoas, mas
como é lidar com tamanha expectativa alheia e mexer em algo considerado sagrado?

Faroeste Caboclo é um longa e não um videoclipe. Gostaria que todos os fãs gostassem do filme e já pensei em como será a recepção dos que têm a expectativa que o filme seja igual à música. Quem for ao cinema procurando um filme inspirado na letra e que amplifica e aprofunda diversas questões levantadas pela música, pode se surpreender positivamente. Os fãs da Legião Urbana são sensíveis e inteligentes. Acredito que estão prontos para essa nova experiência.

Como foi o esforço, no roteiro e na direção, de ver a cidade sob o olhar e os valores do líder da Legião Urbana?
Não personalizaria tanto, até porque não conheci o Renato. O filme procura um olhar moderno e atual sobre as questões e emoções que a música aponta e que continuam pertinentes. Acredito que a direção e o roteiro estão a serviço de contar a história.

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