ROCK BRASíLIA

Chegou o dia do duelo entre Santo Cristo e Jeremias

Faroste Caboclo, filme homônino à famosa canção de Renato Russo que terá a pré-estreia hoje em Brasília, é ansiosamente aguardado por duas gerações de candangos. Philippe Seabra, vocalista da Plebe Rude, adianta detalhes da esperada trilha sonora do longa-metragem do diretor René Sampaio

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postado em 14/05/2013 18:00 / atualizado em 14/05/2013 13:10

Renato Alves


Seabra, autor da trilha do filme, no estúdio que tem em casa, no Lago Norte:  
Seabra, autor da trilha do filme, no estúdio que tem em casa, no Lago Norte: "Todas as canções têm uma pegada forte, bem rock n' roll"

Hoje, tem bangue-bangue no Distrito Federal. O tão esperado Faroeste Caboclo faz a sua pré-estreia na cidade onde Renato Russo morou e escreveu a canção homônima. A sessão começa às 20h30. Os 1,2 mil convidados vão ocupar as oito salas de cinema do CasaPark. O shopping anuncia uma produção
hollywoodyana, com tapete vermelho e tudo o que envolve uma grande première. Mais do que uma festa, o evento servirá de palco para um encontro de gerações de brasilienses. Gente que viveu os anos áureos do Rock Brasília, incluindo grandes estrelas do movimento, vai se misturar à juventude candanga que nunca viu um show da Legião Urbana, mas idolatra a banda.

Há nove anos, sob forte influência do conjunto mais famoso da cidade, surgiu a Distintos Filhos. Mesmo que a sigla seja a mesma de Distrito Federal, não foi intencional. Formada por jovens brasilienses de 21 a 29 anos, todos admiram a Legião Urbana e tentam renovar o rock na capital do país. “Se você nasce em Brasília, está predisposto a ser do rock. A pessoa cresce ouvindo Legião, entende as letras melhor do que gente de outras cidades. Todo candango nasce roqueiro, até mesmo pela questão da contestação política”, afirma Paulo Veríssimo, 25 anos, vocalista e guitarrista da banda.

Outro referencial do músico é a Plebe Rude, mais uma banda brasiliense dos anos 1980. “Se alguém de Brasília ouve Faroeste Caboclo, entende tudo o que está acontecendo. Eu cresci em Ceilândia, então, isso tudo me influenciou muito”, afirma Paulo. E, por falar na canção, o jovem está muito ansioso para ver o filme, que entra em circuito comercial em todo o país a partir de 30 de maio. “Consegui ingressos para assistir (à pré-estreia). Conhecemos o roteiro, agora, é ver a visão do diretor. Acho que vai ser muito bom, vai superar as expectativas”, prevê.

Para Paulo, uma das características mais marcantes da Legião Urbana é como o sucesso atingiu todo o DF. Segundo ele, se cantar uma música do Renato Russo no Lago Sul ou em São Sebastião, a reação do público será reconhecer a letra imediatamente. No cenário musical da cidade, Paulo admite que a projeção nacional não é mais tão grande quanto há 30 anos, mas acredita no potencial dos artistas brasilienses. “Brasília ainda tem esse rock. Temos os melhores músicos do país. Acredito que as bandas daqui ainda vão deslanchar”, afirma.

Dona do som do trombone na Distintos Filhos, a música Lôsha Buah, 23 anos, aposta em um rock mais maduro para o futuro de Brasília. “A fama de capital do rock mudou bastante. Não vejo como uma responsabilidade minha, mas como uma tentativa de viver com esse tipo de trabalho. Não vamos revolucionar o mundo, nem ser rebeldes. Queremos respeito”, esclarece. Ela, que também é fã da Legião, conta que a influência de Renato Russo se restringe ao amor pelo rock. Como toca um instrumento de sopro, acabou se baseando em outros artistas para produzir.

Precocidade

Colegas de aula, os estudantes de ensino médio Luiz Felipe Barbosa, Natália Teixeira e Elis Brayner, todos de 15 anos, têm um grande amor em comum: a Legião Urbana. Para Luiz e Natália, a lembrança é de infância. “Os meus pais curtiam, iam aos shows na época da banda e acabaram passando isso para mim e para o meu irmão”, lembra o garoto. A garota acabou provando ser precoce ao conhecer bem a música de Brasília aos 8 anos. “As professoras mostraram Legião na escola, e, graças à influência do meu pai, eu conhecia todas as músicas”, orgulha-se.

Elis teve uma formação musical diferente: os pais detestam rock n’ roll. A garota se interessou pouco a pouco e acabou descobrindo a famosa banda brasiliense. “A gente tem muito contato com o rock americano e britânico e, conhecer um grupo de Brasília, é uma ótima experiência. Eles falam das coisas daqui, e nós entendemos, diferentemente das músicas que falam sobre Londres e Nova York, por exemplo”, opina.

Sobre o filme, os adolescentes estão ansiosos para assisti-lo. “A Legião vai ser sempre conhecida em Brasília, mas faltava mostrar para o resto do país. Tem muita gente que acha que aqui só tem político corrupto, mas temos uma cultura muito bacana”, conclui Luiz.

Família

A família de Renato Russo também estará na pré-estreia. O único filho do músico, Giuliano Manfredini, acompanhou de perto as filmagens de Faroeste caboclo. Tanto que ganhou um papel na trama. Ele, que nunca havia participado de um filme como ator, já foi guitarrista da banda Síndrome. Hoje, agita o cenário musical da capital com shows e eventos.

O envolvimento da família Manfredini com Faroeste caboclo vem desde 2006, quando os produtores do filme começaram a desenvolver o projeto de adaptação da canção para o cinema. “Foram muitos encontros, telefonemas e trocas de e-mails com a direção e a produção, nos quais eram compartilhadas impressões pessoais sobre o roteiro, as locações e as escolha do elenco”, conta o diretor do longa-metragem, René Sampaio, sem, no entanto, revelar o papel do filho de Renato Russo na produção.

Baterista do Capital Inicial, Fê Lemos não vai à pré-estreia, porque está fora de Brasília, mas não esconde a ansiedade. “Se o longa conseguir transmitir um décimo da emoção que a música transmite, vai ser uma grande vitória. Faroeste Caboclo é uma história muito visual e cada um de nós imagina como é o Jeremias, o João de Santo Cristo”, comenta. “Não tenho dúvidas de que o filme vai ser um sucesso se o diretor conseguir traduzir a poesia do Renato. Desejo toda a sorte aos envolvidos na produção”, diz.

» Para saber mais

Pioneiras da atitude candanga

A banda Aborto Elétrico (foto) esteve ativa entre 1978 e dezembro de 1981, com um show de despedida em março de 1982. Tinha, em sua formação original, Renato Russo no baixo e no vocal; André Pretorius na guitarra; e Fê Lemos na bateria. O grupo fez parte do movimento de bandas de Brasília fundado no fim dos anos 1970, como Plebe Rude e Os Paralamas do Sucesso. Além dos músicos que fundaram a Legião Urbana e o Capital Inicial, do Aborto saíram várias músicas do repertório das duas bandas, como Que país é este e Veraneio Vascaína.

Já a Plebe Rude foi formada nos anos 1980 por Phillipe Seabra, Gutje, André X e Jander Bilaphra. Sem fazer concessões, a Plebe Rude vendeu 500 mil cópias de seus seis discos, tocou no rádio e se apresentou na televisão. Em 2011, lançou o primeiro DVD, Rachando Concreto: Ao Vivo em Brasília, com um resumo da carreira bem-sucedida, lançado também em CD. No mesmo ano, o disco concorreu ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Rock Brasileiro. Hoje, conta com Philippe Seabra nas vozes e na guitarra; Clemente Nascimento, dos Inocentes, também no vocal e na guitarra; André X, no baixo e nos vocais; e Marcelo Capucci na bateria
Na onda do punk Ritmos nordestinos, black music, discoteca e muito punk rock. Essa é a trilha sonora de Faroeste caboclo, o filme. E como a canção homônima será mostrada, ainda é um grande segredo. Mas o Correio revela algumas das surpresas da obra. Os 1,2 mil convidados para a pré-estreia, que contará com todo o elenco principal e muita gente da cena cultural candanga, vão conferir, em primeira mão, uma versão de Tédio (Com um T bem grande pra você). A música, composta por Renato Russo e gravada pela Legião Urbana, aparecerá no longa-metragem tocada e cantada por outra banda brasiliense, a Plebe Rude.


Aliás, a trilha sonora de Faroeste caboclo leva a assinatura do vocalista e guitarrista da Plebe Rude, Philippe Seabra. “Passei cinco meses trancado em meu estúdio (na casa dele, no Lago Norte) compondo essa trilha, que, inclusive, atrasou a produção do novo disco da Plebe. Usei 13 instrumentos, muitas guitarras e baixos”, ressalta o músico. Tudo rendeu 15 músicas para o filme. “São canções instrumentais, densas, usadas em momentos de tensão, em perseguições, tiroteios. Compus até tema romântico”, conta, de forma divertida, o roqueiro conhecido pelas letras e pelos sons pesados da Plebe.

Das bandas brasilienses, o filme conta com composições da Plebe Rude e do Aborto Elétrico (leia Para saber mais), a primeira banda de Renato Russo, que deu origem à Legião e ao Capital Inicial. A Plebe, inclusive, aparece em uma sequência filmada na Universidade de Brasília (UnB). “É a nossa banda, mas ela está no fundo, desfocada, em uma festa na UnB, igualzinha àquela que tocamos tantas vezes no início da nossa carreira”, comenta. No entanto, ele, como o diretor do longa, René Sampaio (leia entrevista no caderno Diversão & Arte), destaca que o filme não é um videoclipe nem uma cinebiografia do Renato Russo ou da Legião.

Seabra, que ainda não viu o longa-metragem por completo, diz que a obra tem muito da Brasília dos anos 1970-1980, principalmente do cenário jovem, sem o compromisso da fidelidade de um documentário. “As músicas, as roupas, o comportamento, tudo é daquela época. Inclusive, filmaram a Rockonha por dentro, mas isso não quer dizer que tínhamos a obrigação de seguir Faroeste Caboclo (a música) à risca. Aliás, o René me deixou bem à vontade para compor”, observa. Além da Plebe, acrescenta, o filme terá cenas com o Aborto Elétrico. Essa, como não existe mais e tem o seu líder morto, aparece representada por atores.

Pegada forte

Para explicar a variedade de sons em um filme baseado na obra de um dos maiores roqueiros da história do país, Seabra lembra a diversidade dos personagens. “O universo de Jeremias é o de um playboy da cidade. O da Maria Lúcia é o da estudante da UnB fã de Aborto Elétrico. Já o João de Santo Cristo é o migrante nordestino que vem tentar a vida em Brasília. Tive que fazer música para todos eles. Mas não espere ouvir um forró com viola tradicional para o Santo Cristo. Todas as canções têm uma pegada forte, bem rock n’ roll”, destaca.

Além das músicas compostas por ele, o filme terá canções originais de bandas nacionais e internacionais. “Tivemos de comprar músicas punk, como as do Generation X, e de discoteca” conta Seabra. Apesar de estar na ativa com a Plebe, ele anda compondo muito para filmes. Faroeste é o seu quinto longa. O guitarrista e vocalista também participou ativamente de Rock Brasília — Era de ouro, lançado em 2011, que conta a trajetória da Legião Urbana, do Capital Inicial e da Plebe Rude. (RA)

Faroeste Caboclo

Letra: Renato Russo
Música: Legião Urbana
Álbum: Que país é este 1978/1987

Não tinha medo o tal João de Santo Cristo
Era o que todos diziam quando ele se perdeu
Deixou pra trás todo o marasmo da fazenda
Só pra sentir no seu sangue o ódio que Jesus lhe deu

Quando criança só pensava em ser bandido
Ainda mais quando com um tiro de soldado o pai morreu
Era o terror da sertania onde morava
E na escola até o professor com ele aprendeu

Ia pra igreja só pra roubar o dinheiro
Que as velhinhas colocavam na caixinha do altar
Sentia mesmo que era mesmo diferente
Sentia que aquilo ali não era o seu lugar

Ele queria sair para ver o mar
E as coisas que ele via na televisão
Juntou dinheiro para poder viajar
De escolha própria, escolheu a solidão

Comia todas as menininhas da cidade
De tanto brincar de médico, aos 12 era professor
Aos 15, foi mandado pro o reformatório
Onde aumentou seu ódio diante de tanto terror

Não entendia como a vida funcionava
Discriminação por causa da sua classe e sua cor
Ficou cansado de tentar achar resposta
E comprou uma passagem, foi direto a Salvador

E lá chegando foi tomar um cafezinho
E encontrou um boiadeiro com quem foi falar
E o boiadeiro tinha uma passagem e ia perder a viagem
Mas João foi lhe salvar

Dizia ele: “Estou indo pra Brasília
Neste país lugar melhor não há
Tô precisando visitar a minha filha
Eu fico aqui e você vai no meu lugar”

E João aceitou sua proposta
E num ônibus entrou no Planalto Central
Ele ficou bestificado com a cidade
Saindo da rodoviária, viu as luzes de Natal

“Meu Deus, mas que cidade linda,
No ano-novo eu começo a trabalhar”
Cortar madeira, aprendiz de carpinteiro
Ganhava 100 mil por mês em Taguatinga

Na sexta-feira ia pra zona da cidade
Gastar todo o seu dinheiro de rapaz trabalhador
E conhecia muita gente interessante
Até um neto bastardo do seu bisavô

Um peruano que vivia na Bolívia
E muitas coisas trazia de lá
Seu nome era Pablo e ele dizia
Que um negócio ele ia começar

E o Santo Cristo até a morte trabalhava
Mas o dinheiro não dava pra ele se alimentar
E ouvia às sete horas o noticiário
Que sempre dizia que o seu ministro ia ajudar

Mas ele não queria mais conversa
E decidiu que, como Pablo, ele ia se virar
Elaborou mais uma vez seu plano santo
E sem ser crucificado, a plantação foi começar

Logo, logo os maluco da cidade souberam da novidade:
“Tem bagulho bom aí!”
E João de Santo Cristo ficou rico
E acabou com todos os traficantes dali

Fez amigos, frequentava a Asa Norte
E ia pra festa de rock pra se libertar
Mas de repente
Sob uma má influência dos boyzinho da cidade
Começou a roubar

Já no primeiro roubo ele dançou
E pro inferno ele foi pela primeira vez
Violência e estupro do seu corpo
“Vocês vão ver, eu vou pegar vocês”

Agora o Santo Cristo era bandido
Destemido e temido no Distrito Federal
Não tinha nenhum medo de polícia
Capitão ou traficante, playboy ou general

Foi quando conheceu uma menina
E de todos os seus pecados ele se arrependeu
Maria Lúcia era uma menina linda
E o coração dele pra ela o Santo Cristo prometeu

Ele dizia que queria se casar
E carpinteiro ele voltou a ser
“Maria Lúcia pra sempre vou te amar
E um filho com você eu quero ter”

O tempo passa e um dia vem na porta
Um senhor de alta classe com dinheiro na mão
E ele faz uma proposta indecorosa
E diz que espera uma resposta, uma resposta do João
“Não boto bomba em banca de jornal
Nem em colégio de criança, isso eu não faço, não
E não protejo general de 10 estrelas
Que fica atrás da mesa com o cu na mão

E é melhor o senhor sair da minha casa
Nunca brinque com um peixes de ascendente escorpião”
Mas antes de sair, com ódio no olhar, o velho disse:
“Você perdeu sua vida, meu irmão

Você perdeu a sua vida meu irmão
Você perdeu a sua vida meu irmão”
“Essas palavras vão entrar no coração
Eu vou sofrer as consequências como um cão”

Não é que o Santo Cristo estava certo
Seu futuro era incerto, e ele não foi trabalhar
Se embebedou e no meio da bebedeira
Descobriu que tinha outro trabalhando em seu lugar

Falou com Pablo que queria um parceiro
E também tinha dinheiro e queria se armar
Pablo trazia o contrabando da Bolívia
E Santo Cristo revendia em Planaltina

Mas acontece que um tal de Jeremias,
Traficante de renome, apareceu por lá
Ficou sabendo dos planos de Santo Cristo
E decidiu que com João ele ia acabar

Mas Pablo trouxe uma Winchester 22
E Santo Cristo já sabia atirar
E decidiu usar a arma só depois
Que Jeremias começasse a brigar

Jeremias, maconheiro sem vergonha
Organizou a Rockonha e fez todo mundo dançar
Desvirginava mocinhas inocentes
Dizia que era crente mas não sabia rezar

E Santo Cristo há muito não ia pra casa
E a saudade começou a apertar
“Eu vou me embora, eu vou ver Maria Lúcia
Já tá em tempo de a gente se casar”

Chegando em casa, então, ele chorou
E pro inferno ele foi pela segunda vez
Com Maria Lúcia Jeremias se casou
E um filho nela ele fez

Santo Cristo era só ódio por dentro
E então o Jeremias prum duelo ele chamou
Amanhã, às duas horas na Ceilândia
Em frente ao lote 14, é pra lá que eu vou

E você pode escolher as suas armas
Que eu acabo mesmo com você, seu porco traidor
E mato também Maria Lúcia
Aquela menina falsa pra quem jurei o meu amor

E o Santo Cristo não sabia o que fazer
Quando viu o repórter da televisão
Que deu notícia do duelo na TV
Dizendo a hora e o local e a razão

No sábado, então, às duas horas,
Todo o povo sem demora foi lá só para assistir
Um homem que atirava pelas costas
E acertou o Santo Cristo, começou a sorrir

Sentindo o sangue na garganta,
João olhou pras bandeirinhas e pro povo a aplaudir
E olhou pro sorveteiro e pras câmeras e
A gente da TV, que filmava tudo ali

E se lembrou de quando era uma criança
E de tudo o que vivera até ali
E decidiu entrar de vez naquela dança
“Se a via-crúcis virou circo, estou aqui”

E nisso o sol cegou seus olhos
E, então, Maria Lúcia ele reconheceu
Ela trazia a Winchester 22
A arma que seu primo Pablo lhe deu

“Jeremias, eu sou homem, coisa que você não é
E não atiro pelas costas, não
Olha pra cá, filha da puta, sem vergonha
Dá uma olhada no meu sangue e vem sentir o teu perdão”

E Santo Cristo com a Winchester 22
Deu cinco tiros no bandido traidor
Maria Lúcia se arrependeu depois
E morreu junto com João, seu protetor

E o povo declarava que João de Santo Cristo
Era santo porque sabia morrer
E a alta burguesia da cidade
Não acreditou na história que eles viram na TV

E João não conseguiu o que queria
Quando veio pra Brasília com o diabo ter
Ele queria era falar pro presidente
Pra ajudar toda essa gente que só faz...

Sofrer...

 
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